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O II Livro dos Reis (2 Samuel)
O II Livro dos Reis da Vulgata é o livro que as Bíblias modernas chamam 2 Samuel: o reinado de Davi, a arca levada a Jerusalém, a promessa de um trono eterno feita pela boca de Natã, o pecado com Betsabé, a penitência do rei e a revolta de Absalão. Aqui você encontra os vinte e quatro capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica quem escreveu o livro, o resumo de cada parte e a leitura que a Igreja faz dele.
Ler II Reis: 24 capítulos
O II Livro dos Reis começa no dia seguinte à morte de Saul e termina na eira de Areuna, onde um dia se erguerá o Templo. No meio estão os quarenta anos do reinado de Davi, contados com uma franqueza sem igual: vitórias e cânticos, adultério e homicídio, a dor de um pai e a penitência de um rei. A Vulgata o chama Liber II Regum, e Figueiredo, que a segue, II Livro dos Reis; quase todas as Bíblias de hoje o chamam 2 Samuel, ou segundo livro de Samuel. A narrativa começa no capítulo 1 com o lamento de Davi sobre Saul e Jônatas.
Por que 2 Samuel se chama “II Livro dos Reis”?
Na Bíblia hebraica, Samuel era um só livro. A Setenta o dividiu em dois e o juntou à história seguinte com o nome de “livros dos Reinos”; São Jerônimo conservou a divisão em quatro e os chamou Libri Regum, livros dos Reis, e Figueiredo o segue. A Bíblia católica antiga conta, portanto, quatro livros dos Reis: o I Livro dos Reis, que é 1 Samuel; o II, que é 2 Samuel; o III Livro dos Reis, que é 1 Reis; e o IV, que é 2 Reis. O texto não muda, só o título. Neste guia as referências usam as abreviações modernas (2 Sm, 1 Rs…), com os capítulos e versículos da Vulgata.
Quem escreveu o livro de 2 Samuel?
O livro não nomeia o seu autor, mas a própria Escritura indica onde procurar: «as primeiras e últimas ações do rei Davi estão escritas no Livro de Samuel o Vidente, e no livro do profeta Natan, e no volume de Gad o Vidente» (1 Cr 29, 29). A tradição judaica conservada no Talmude (Baba Bathra, 14b-15a) e a maior parte dos antigos autores cristãos concluíram daí que a obra vem de Samuel, Gad e Natã. Como Samuel já morre no livro anterior, o II Livro dos Reis caberia inteiramente aos dois profetas da corte de Davi: Gad, que o texto chama «profeta e vidente de Davi» no relato do recenseamento (2 Sm 24, 11), e Natã, que recebe a promessa do capítulo 7 e repreende o rei no capítulo 12.
Os comentadores católicos anteriores ao Concílio admitiam de bom grado que um escritor inspirado, cujo nome não conhecemos, tivesse reunido esses escritos proféticos e os anais da corte numa obra de um só desígnio. A Pontifícia Comissão Bíblica, na resposta de 23 de junho de 1905, lembrou que as narrativas dos livros históricos devem ser recebidas como história verdadeira, salvo provas sólidas em contrário. Foi assim que a Igreja sempre leu este livro.
Quando foi escrito 2 Samuel?
Os acontecimentos ocupam o reinado de Davi, por volta do século X antes de Cristo: «Tinha Davi trinta anos, quando começou a reinar, e reinou quarenta anos» (2 Sm 5, 4), sete anos e meio em Hebron sobre Judá, trinta e três em Jerusalém sobre todo o Israel. Se Natã e Gad puseram por escrito o que tinham visto, a substância do livro remonta à vida de Davi ou aos anos seguintes. O livro concluído traz, porém, a marca de uma mão posterior: já o I Livro observa que Siceleg pertence ainda «aos reis de Judá» (1 Sm 27, 6), o que supõe o reino dividido depois de Salomão. Por isso costuma-se situar a redação final depois do cisma e antes do exílio; muitos autores modernos preferem uma data mais tardia.
Do que fala o livro de 2 Samuel? Resumo
O livro não é uma simples crônica. A sua ideia central é a fundação providencial de uma casa real estável na família de Davi: toda a narrativa sobe até a promessa do capítulo 7, e depois mostra como a graça de Deus atravessa até o pecado do rei.
Davi rei em Hebron (capítulos 1-4)
No capítulo 1, um amalecita se gaba de ter acabado com Saul; Davi manda matá-lo por ter estendido a mão contra o ungido do Senhor e compõe o lamento sobre Saul e Jônatas. No capítulo 2, os homens de Judá ungem Davi em Hebron, enquanto Abner, chefe do exército de Saul, faz proclamar rei Isboset, filho de Saul, sobre as outras tribos. Segue-se a guerra civil, «Davi prosperando e fortificando-se cada vez mais, a casa porém de Saul indo cada vez a menos» (2 Sm 3, 1): Abner passa para o lado de Davi, mas Joab o mata à traição para vingar o irmão Asael (capítulo 3); Isboset é assassinado na cama por dois dos seus oficiais, que Davi manda punir (capítulo 4).
Davi rei em Jerusalém (capítulos 5-10)
No capítulo 5, todas as tribos vêm ungir Davi em Hebron, e ele toma aos jebuseus «a fortaleza de Sião, esta é a cidade de Davi» (2 Sm 5, 7). No capítulo 6, faz subir a arca entre cantos e danças; Oza cai morto por tê-la tocado, e a arca fica três meses na casa de Obededom antes de entrar na cidade. No capítulo 7, Davi quer construir uma casa para o Senhor, e o Senhor lhe responde pela boca de Natã que é Ele quem edificará uma casa para Davi. Seguem-se as vitórias sobre os filisteus, Moab e a Síria (capítulo 8), a bondade de Davi para com Mifiboset, o filho aleijado de Jônatas (capítulo 9), e a guerra contra os amonitas (capítulo 10).
O pecado de Davi e as suas consequências (capítulos 11-20)
Estes capítulos são o coração do livro. Enquanto o exército sitia Rabá, Davi fica em Jerusalém, vê do terraço Betsabé, mulher de Urias, o heteu, e a toma; depois, não conseguindo esconder a culpa, faz Urias morrer na batalha (capítulo 11). Natã vem contar-lhe a parábola da ovelhinha do pobre, e Davi confessa o seu pecado (capítulo 12). É perdoado, mas a espada não se afasta mais da sua casa. Amon violenta a meia-irmã Tamar, e Absalão o manda matar (capítulo 13); Joab consegue a volta de Absalão por meio da mulher de Técua (capítulo 14); Absalão se revolta, e Davi foge atravessando a torrente do Cedron e subindo chorando, de pés descalços, a encosta das Oliveiras (capítulo 15).
Semei o amaldiçoa pelo caminho, e o rei proíbe que lhe façam mal (capítulo 16); Cusai desfaz o conselho de Aquitofel, que se enforca (capítulo 17); Absalão, preso pela cabeça nos ramos de um carvalho, é morto por Joab contra a ordem do rei (capítulo 18). Davi volta a Jerusalém perdoando Semei (capítulo 19), e a revolta de Seba termina com a morte de Amasa, que Joab fere fingindo beijá-lo (capítulo 20).
Apêndice: fome, cântico, últimas palavras e recenseamento (capítulos 21-24)
Os últimos capítulos reúnem quatro peças postas fora da sequência da narrativa: a fome enviada pelo crime de Saul contra os gabaonitas, com as guerras contra os gigantes filisteus (capítulo 21); o cântico de ação de graças de Davi (capítulo 22), que é também o salmo 17 da Vulgata (18 nas Bíblias modernas); as suas «últimas palavras» e a lista dos seus valentes (capítulo 23); por fim o recenseamento do povo, a peste e o altar erguido na eira de Areuna (capítulo 24), o lugar onde Salomão construirá o Templo (2 Cr 3, 1).
O que Deus promete em 2 Samuel 7?
O oráculo de Natã é o eixo de toda a esperança do Antigo Testamento: «êle edificará uma casa em meu nome: E eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. E eu lhe serei pai, e êle me será filho» (2 Sm 7, 13-14); e ainda: «a tua casa será estável, e o teu reino se perpetuará diante do teu rosto, e o teu trono será firme para sempre» (2 Sm 7, 16). A promessa diz respeito primeiro a Salomão, que construirá o Templo; mas vai além dele, porque o reino de Salomão acaba e a sua casa cai.
Santo Agostinho dedica um capítulo da Cidade de Deus (XVII, 8) a mostrar que essas promessas não se cumpriram em Salomão, mas plenamente em Cristo. A carta aos Hebreus aplica ao Filho a palavra «Eu serei seu Pai e êle me será meu Filho» (Hb 1, 5), e o anjo Gabriel anuncia à Virgem que «o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi» (Lc 1, 32).
São Mateus abre o seu Evangelho com o «LIVRO da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi» (Mt 1, 1), e a Igreja celebra essa realeza na festa de Cristo Rei. A resposta de Davi é a da humildade: «Quem sou eu, ó Senhor Deus, e que casa é a minha, para tu me teres elevado a êste ponto?» (2 Sm 7, 18).
Davi e Betsabé: o pecado e o perdão
O capítulo 11 começa com uma nota que os autores espirituais nunca deixaram de comentar: «ao tempo em que os reis costumavam ir para a guerra […] Davi ficou em Jerusalém» (2 Sm 11, 1). O ócio abre a porta à tentação. O soldado Urias, que o rei chama de volta para encobrir a gravidez, faz corar o seu senhor: «A arca de Deus e Israel e Judá ficam debaixo dumas tendas […]
E irei eu para minha casa comer e beber, e dormir com minha mulher?» (2 Sm 11, 11). Davi então escreve a Joab: «Ponde a Urias na frente de um batalhão, onde fôr mais rijo o combate» (2 Sm 11, 15). E o capítulo conclui: «o que Davi fizera, foi desagradável aos olhos do Senhor» (2 Sm 11, 27).
Natã não acusa: conta uma história, a do rico que toma a única ovelhinha do pobre. Davi se indigna, e o profeta lhe diz: «Tu és êste homem» (2 Sm 12, 7). O rei responde sem se defender: «Pequei contra o Senhor. E Natan respondeu a Davi: Também o Senhor transferiu o teu pecado: Não morrerás», e logo depois: «morrerá certamente o filho, que te nasceu» (2 Sm 12, 13-14). A culpa é perdoada, mas uma pena temporal permanece. O Concílio de Trento ensina que Deus nem sempre perdoa, junto com a culpa, toda a pena (sessão XIV), e os teólogos dão como exemplo clássico justamente Davi: é o fundamento da satisfação sacramental e das indulgências.
A penitência de Davi deixou à Igreja o Miserere, o salmo 50 da Vulgata (51 nas Bíblias modernas), composto, diz o título, «Quando veio buscá-lo o profeta Natan, depois de haver pecado com Betsabée». Reza-se entre os sete salmos penitenciais e prepara bem o ato de contrição. Da mesma Betsabé nasce depois Salomão, «e o Senhor o amou» (2 Sm 12, 24).
Temas e leitura católica
Davi, figura de Cristo na Paixão
O rei traído atravessa a torrente do Cedron e sobe chorando a encosta das Oliveiras (2 Sm 15, 30), como Nosso Senhor, na noite em que foi entregue, «saiu com os seus discípulos para a outra banda do ribeiro de Cedron» (Jo 18, 1). Aquitofel, o conselheiro que trai o seu rei e acaba enforcado, foi aproximado de Judas pelos Padres. Santo Agostinho, comentando o salmo 3, «Salmo de Davi, quando fugia de diante da face de Absalão, seu filho», vê no filho rebelde o discípulo que traiu o Mestre. E o grito de Davi sobre Absalão, que quereria morrer no lugar do filho que o perseguia, deixa entrever Cristo, que morre por aqueles mesmos que se levantaram contra Ele.
A arca e a Virgem Maria
A tradição católica leu o capítulo 6 à luz da Visitação. Davi exclama: «Como entrará a arca do Senhor em minha casa?» (2 Sm 6, 9); Isabel dirá: «E donde a mim esta dita, que venha visitar-me a que é mãe de meu Senhor?» (Lc 1, 43). A arca fica três meses na casa de Obededom, que é abençoado por ela (2 Sm 6, 11); Maria «ficou […] com Isabel perto de três meses» (Lc 1, 56). Davi dança diante da arca; João estremece no seio da mãe. A aproximação é tradicional, e é por isso que a Igreja saúda Maria como Arca da aliança.
O santo temor das coisas sagradas
A morte de Oza, que estendeu a mão sobre a arca, e a peste que se segue ao recenseamento orgulhoso ensinam que a familiaridade com as coisas de Deus não dispensa o respeito. Davi o aprende e não quer oferecer ao Senhor senão o que lhe custa: «não oferecerei ao Senhor meu Deus holocaustos que me não custem nada» (2 Sm 24, 24).
Qual foi o pecado de Davi em 2 Samuel 24?
Davi mandou contar os homens capazes de pegar em armas por orgulho, pondo a sua confiança no número mais que em Deus; o próprio Joab tentou dissuadi-lo. O texto diz que o furor do Senhor se acendeu contra Israel e que Davi foi incitado ao recenseamento (2 Sm 24, 1); o relato paralelo esclarece: «Levantou-se pois Satanás contra Israel: E incitou a Davi a fazer resenha de Israel» (1 Cr 21, 1). Deus permite a tentação que Satanás suscita. Davi se arrepende, «Eu cometi nesta ação um grande pecado» (2 Sm 24, 10), prefere cair nas mãos do Senhor e se oferece pelo povo diante do anjo exterminador.
Versículos mais conhecidos de 2 Samuel
- 2 Samuel 1, 23: «Saul e Jônatas amáveis, e majestosos na sua vida, também na morte se não separaram: Mais ligeiros do que as águias, mais valentes do que os leões». E o refrão: «Como caíram os fortes no combate?» (1, 25).
- 2 Samuel 1, 26: «Por ti me encho de mágoa, meu irmão Jônatas […] Eu te amava bem como uma mãe ama a seu filho único».
- 2 Samuel 6, 14: «Davi dançava diante do Senhor com tôdas as suas fôrças». A Micol, que o despreza, responde: «serei humilde em meus olhos» (6, 22).
- 2 Samuel 7, 16: «o teu trono será firme para sempre».
- 2 Samuel 9, 7: «Não temas, porque eu estou resoluto a fazer-te todo o bem em atenção a Jônatas, teu pai […] e tu comerás sempre à minha mesa».
- 2 Samuel 12, 23: «Mais irei eu para êle, do que êle tornará para mim».
- 2 Samuel 14, 14: «Nós morremos todos, e corremos pela terra bem como as águas, que não tornam mais: Nem Deus quer que alguma alma pereça».
- 2 Samuel 18, 33: «Meu filho Absalão, Absalão meu filho. Quem me dera que eu morrera por ti». Nas Bíblias que seguem a numeração hebraica, o versículo passa a ser 19, 1.
- 2 Samuel 22, 2: «O Senhor é o meu rochedo, e o meu esfôrço, e o meu Salvador», e mais adiante: «tu, Senhor, és a minha candeia: E tu, Senhor, alumiarás as minhas trevas» (22, 29).
- 2 Samuel 23, 2: «O espírito do Senhor falou por mim, e a sua palavra pela minha língua».
- 2 Samuel 24, 14: «melhor é que eu caia nas mãos do Senhor (porque são muitas as suas misericórdias) do que nas mãos dos homens». Diante do anjo, Davi se oferece pelo povo: «Que fizeram êstes, que são as ovelhas?» (24, 17).
O II Livro dos Reis no cânon e na liturgia
O II Livro dos Reis é protocanônico, recebido por judeus, católicos, ortodoxos e protestantes; muda apenas o nome. O Concílio de Trento (sessão IV, 1546) conta “quatro livros dos Reis” entre os livros sagrados e canônicos e declara autêntica a Vulgata. Grande parte do seu conteúdo é retomada no I Livro dos Paralipômenos (1 Crônicas), a partir do capítulo 11, que deixa de lado, porém, o pecado com Betsabé e a revolta de Absalão.
Duas dificuldades de texto merecem ser conhecidas. A primeira é a do recenseamento, já vista. A segunda está no capítulo 21, versículo 19: Figueiredo, com a Vulgata, escreve que «Adeodato, filho de Bosque, que tecia panos de côres em Belém, matou a Golias de Get» (2 Sm 21, 19); o texto paralelo esclarece que o morto era «um irmão de Golias de Get» (1 Cr 20, 5), o que afasta qualquer contradição com o combate de Davi.
No Breviário romano de 1962, os livros dos Reis são lidos nas Matinas nas semanas depois de Pentecostes, até o começo de agosto. O II Livro começa no V domingo depois de Pentecostes, e a antífona do Magnificat das primeiras Vésperas desse domingo é o próprio lamento de Davi: Montes Gelboe, nec ros nec pluvia veniant super vos, que se canta também como responsório das Matinas desse tempo.
No domingo seguinte, a antífona é a confissão do rei depois do recenseamento: Obsecro, Domine, aufer iniquitatem servi tui, quia insipienter egi. Outro responsório retoma a promessa de Natã: Ego te tuli de domo patris tui, dicit Dominus, et posui te pascere gregem populi mei. O Miserere abre as Laudes no segundo esquema do saltério, o dos dias de penitência, e o salmo 3, o da fuga diante de Absalão, está entre os primeiros salmos das Matinas do domingo. O Ofício do dia pode ser seguido no Breviário.
Como ler o II Livro dos Reis
Releia primeiro os últimos capítulos do livro anterior, porque este começa no meio da história. Depois leia em sequência: é uma prosa narrativa de grande limpidez, que raramente julga e deixa ver a mão de Deus no desfecho dos acontecimentos. Tenha os salmos ao lado: o salmo 50 com os capítulos 11 e 12, o salmo 3 com os capítulos 15-18, o salmo 17 com o capítulo 22. E leia devagar o capítulo 7, porque o resto da Bíblia volta a ele o tempo todo.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu o livro de 2 Samuel?
O livro não nomeia o seu autor. A tradição, fundada em 1 Paralipômenos 29, 29, atribui a história de Davi aos profetas Samuel, Natã e Gad; como Samuel morreu antes do reinado de Davi, o II Livro dos Reis caberia a Natã e a Gad. Um redator inspirado que permaneceu anônimo pode ter reunido os seus escritos numa obra única.
Por que 2 Samuel se chama II Livro dos Reis na Bíblia católica?
Porque a Vulgata, seguindo a Setenta, conta quatro livros dos Reis: os dois livros de Samuel e os dois livros dos Reis das Bíblias modernas. O II Livro dos Reis de Figueiredo é, portanto, 2 Samuel, e o III corresponde a 1 Reis.
Quantos capítulos tem 2 Samuel?
Vinte e quatro, com 695 versículos na Vulgata e em Figueiredo. Em alguns pontos a numeração dos versículos difere das Bíblias que seguem o hebraico: o grito «Meu filho Absalão» é 18, 33 na Vulgata e 19, 1 nas Bíblias que seguem a numeração hebraica (as Bíblias evangélicas mais comuns conservam 18, 33).
Qual foi o pecado de Davi com Betsabé?
No capítulo 11 Davi comete adultério com Betsabé, mulher de Urias, um dos seus soldados, e, para esconder a culpa, faz Urias ser posto no ponto mais duro da batalha para que morra. No capítulo 12 o profeta Natã o desmascara com uma parábola, e Davi reconhece: «Pequei contra o Senhor». Deus o perdoa, mas o menino morre e a desgraça atinge a sua casa.
O que Deus promete em 2 Samuel 7, 13 e 16?
Pela boca do profeta Natã, Deus promete a Davi uma descendência cujo trono será firme para sempre, e diz do filho: «eu lhe serei pai, e êle me será filho». A promessa se refere primeiro a Salomão, que construirá o Templo, mas só se cumpre plenamente em Cristo, Filho de Davi, cujo reino não terá fim.
Quem foi Absalão?
Absalão era filho de Davi, célebre pela beleza e pela cabeleira: «em todo o Israel não havia homem tão bem feito, nem tão gentil, como Absalão» (2 Sm 14, 25). Depois de mandar matar o meio-irmão Amon, que violentara Tamar, sublevou o povo contra o pai e o expulsou de Jerusalém. Vencido no bosque de Efraim, ficou preso pela cabeça num carvalho e foi morto por Joab, e Davi o chorou amargamente.
O II Livro dos Reis também se lê versículo por versículo, em português e em latim, no aplicativo Bíblia católica do Iter Fidei.
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