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O Livro de Neemias (II Esdras)
O livro de Neemias, que a Vulgata chama também II Livro de Esdras, conta como o copeiro-mor de um rei persa reergueu os muros de Jerusalém em cinquenta e dois dias, reuniu o povo para ouvir a Lei lida por Esdras e renovou a aliança. Aqui você encontra os treze capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica quem foi Neemias, por que o livro se chama II Esdras, quem o escreveu e quando, o resumo e a leitura católica.
Ler Neemias: 13 capítulos
O livro de Neemias começa no palácio persa de Susa, com um cortesão que chora ao saber da ruína de uma cidade distante, e termina em Jerusalém com o mesmo homem, agora governador, que reza: «Lembra-te de mim, Deus meu, para usares comigo de misericórdia. Amém» (Ne 13, 31). No meio, muros reerguidos sob a ameaça dos inimigos, a leitura pública da Lei de Moisés e uma aliança renovada por um povo que voltou do exílio. A coluna latina do leitor o intitula Liber Nehemiae (II Esdrae), e Figueiredo, Neemias (II Esdras). A narrativa começa no capítulo 1, na corte de Artaxerxes.
Quem foi Neemias na Bíblia?
Neemias, filho de Helquias, era um judeu da diáspora que servia na corte da Pérsia: «Porque eu era copeiro-mor do rei» (Ne 1, 11). O copeiro servia o vinho ao soberano e gozava da sua confiança: Neemias lhe apresenta a taça diante da rainha, «que estava assentada a par dêle» (2, 6). O seu nome hebraico, Nehemyah, quer dizer “o Senhor consola”.
Ao saber que os muros de Jerusalém estavam no chão, obteve do rei ser enviado para lá e foi nomeado governador. Figueiredo conserva um título persa que o texto lhe dá: «Neemias (que se chama também o Atersata)» (Ne 8, 9), isto é, o governador. Governou a Judeia doze anos, voltou à corte, e depois veio uma segunda vez a Jerusalém para corrigir os abusos. Não era sacerdote nem profeta, mas um leigo, um administrador e um homem de oração: o Eclesiástico o louva entre os grandes de Israel.
O Neemias do livro não deve ser confundido com um homônimo que aparece na lista dos primeiros repatriados com Zorobabel (Esd 2, 2), uns noventa anos antes. Para a sua história contada como uma vida, veja o nosso artigo Quem foi Neemias.
Por que Neemias se chama II Esdras?
Na Bíblia hebraica, Esdras e Neemias formavam um só livro, como lembra São Jerônimo nos seus prólogos. Gregos e latinos o dividiram em dois, e a Igreja latina conservou para as duas partes o nome de Esdras: a Vulgata tem portanto um I Livro de Esdras, que é o nosso livro de Esdras, e um II Livro de Esdras, que é o livro de Neemias. Este segundo livro leva o nome do seu autor, mas é chamado também II Esdras porque continua a história começada por Esdras, e porque Esdras aparece nele na grande cena da leitura da Lei.
Por isso, numa Bíblia católica antiga, num missal ou num breviário, «II Esdras» quer dizer Neemias. Não se deve confundi-lo com o “2 Esdras” dos apócrifos das Bíblias protestantes, que é o IV Livro de Esdras da tradição latina, uma coletânea de visões que a Igreja nunca recebeu como Escritura. Sobre os nomes dos livros em cada Bíblia, veja Qual a melhor Bíblia católica.
Quem escreveu o livro de Neemias?
O livro se assina a si mesmo: «História de Neemias, filho de Helquias» (Ne 1, 1). A maior parte está escrita na primeira pessoa, desde «quando eu estava no castelo de Susa» até o fim. A tradição judaica concorda: o Talmude (tratado Baba Bathra, 15a) diz que Esdras escreveu o seu livro e as genealogias das Crônicas, e que a obra foi completada por Neemias, filho de Helquias. O II Livro dos Macabeus já conhece «os escritos, e memórias de Neemias» (2 Mc 2, 13).
A Igreja recebeu o livro como as memórias de Neemias, unidas a documentos oficiais: o registro da primeira volta (capítulo 7), a lista dos signatários da aliança (capítulo 10), as listas dos habitantes e dos sacerdotes (capítulos 11 e 12). Vários exegetas católicos, mantendo as partes na primeira pessoa como obra do próprio Neemias, atribuíram a organização final a um compilador posterior. Poucas páginas do Antigo Testamento são datadas com tanta precisão.
Quando foi escrito o livro de Neemias?
Os acontecimentos são datados pelo reinado de Artaxerxes I, chamado Longímano, rei da Pérsia. Neemias recebe a notícia da ruína de Jerusalém no mês de Casleu do vigésimo ano (1, 1), e se apresenta ao rei «no mês de Nisan no ano vigésimo do reinado de Artaxerxes» (Ne 2, 1), isto é, em 445 ou 444 antes de Cristo. Governa a Judeia «desde o ano vinte do reinado de Artaxerxes até o trinta e dois por espaço de doze anos» (Ne 5, 14), volta para junto do rei por volta de 433, e retorna depois para uma segunda missão (Ne 13, 6). Esdras, que viera no sétimo ano do mesmo rei, está ao seu lado na leitura da Lei.
As memórias foram escritas depois da segunda missão, no fim do século V antes de Cristo. A genealogia sacerdotal do capítulo 12 chega até o sumo sacerdote Jedoa e ao reinado de «Dario, rei dos persas» (12, 22): os registros foram portanto atualizados depois do tempo de Neemias.
Do que fala o livro de Neemias? Resumo
Neemias 1: a notícia e a oração (capítulo 1)
O capítulo mais procurado do livro é também a chave de todo ele. Em Susa chega a notícia: «E os muros de Jerusalém foram destruídos, e as suas portas consumidas do fogo» (Ne 1, 3). A primeira reação de Neemias não é um plano, mas a oração: «E como eu ouvi estas palavras, assentei-me, e chorei, e derramei lágrimas por muitos dias: Jejuei, e orei na presença de Deus do céu» (Ne 1, 4).
A sua oração tem quatro movimentos, que são os de toda oração bem feita. Adora: «Peço-te, Senhor Deus do céu, forte, grande e terrível, que guardas o teu pacto, e a tua misericórdia para com aquêles que te amam» (Ne 1, 5). Confessa, incluindo-se no pecado do povo: «Eu, e a casa de meu pai pecamos» (1, 6). Lembra a Deus a sua própria promessa, a do Deuteronômio: «Mas se vós vos converterdes a mim, e guardardes os meus preceitos […] eu vos ajuntarei dêsses países» (1, 9). E só então pede: «faze-o achar misericórdia diante dêste homem» (1, 11). O «homem» é o rei mais poderoso da terra; diante de Deus, é só um homem.
A missão (capítulo 2)
Quando o rei repara no seu rosto triste, Neemias reza antes de responder: «E o rei me disse: Que me pedes tu? E fiz eu oração ao Deus do Céu» (Ne 2, 4). Pede para ser enviado «à cidade dos sepulcros de meus pais» (2, 5). Chega com cartas reais, inspeciona de noite as ruínas, saindo «de noite pela porta do vale» (Ne 2, 13), e arrasta o povo: «Vinde, e restauremos os muros de Jerusalém, não sejamos mais o opróbrio» (Ne 2, 17). Logo aparecem três adversários: Sanabalat, o horonita, Tobias, o amonita, e Gosem, o árabe. A resposta de Neemias a eles é um versículo muito procurado: «O Deus do Céu é o que nos ajuda, e nós somos seus servos: Levantemo-nos e reedifiquemos» (Ne 2, 20).
Os muros reconstruídos sob ameaça (capítulos 3-7)
O capítulo 3 diz quem construiu cada trecho do muro e cada porta: o sumo pontífice Eliasib na porta do rebanho, ourives e negociantes, Selum, «êle e suas filhas» (3, 12), enquanto os principais de Técua «não se sujeitaram a trabalhar na obra de seu Senhor» (3, 5). As zombarias viram conspiração; Tobias ironiza: «Se vier uma raposa, saltará por cima do seu muro de pedras» (Ne 4, 3). No capítulo 4, os construtores trabalham armados. No capítulo 5, o perigo vem de dentro: os ricos tomam como penhor os campos e até os filhos dos pobres, e Neemias os obriga a devolver.
Os inimigos tentam então a astúcia: um falso convite para a planície de Ono, uma carta caluniosa, um profeta comprado que o incita a esconder-se no Templo (capítulo 6); mas «acabou-se de reedificar o muro no dia vinte e cinco do mês de Elul, em cinqüenta e dois dias» (Ne 6, 15), e os próprios inimigos «reconheceram que esta obra era a obra de Deus» (6, 16). Neemias põe as guardas e reencontra o registro dos repatriados com Zorobabel, a mesma lista do capítulo 2 de Esdras.
A Lei lida e a aliança renovada (capítulos 8-10)
No primeiro dia do sétimo mês, todo o povo se reúne «no terreiro que está diante da porta das águas» (Ne 8, 1). Esdras, o escriba, de pé «sôbre o estrado de madeira, que êle tinha feito para falar», lê o livro da Lei «desde manhã até ao meio-dia», enquanto os levitas o explicam (capítulo 8). O povo chora; Neemias e Esdras o convidam a fazer festa, e celebra-se a festa dos Tabernáculos como não se fizera «desde o tempo de Josué, filho de Nun» (Ne 8, 17).
No dia vinte e quatro do mês, o povo se reúne para um jejum, «vestidos de sacos, e cobertos de terra» (Ne 9, 1), e os levitas pronunciam a longa confissão do capítulo 9, que percorre toda a história, de Abraão ao exílio, como a misericórdia de Deus respondendo à ingratidão de Israel. No capítulo 10, os chefes assinam uma aliança escrita: nada de casamentos com os povos pagãos, nada de comércio no sábado, o ano sabático, as ofertas para o Templo, as primícias e os dízimos.
Jerusalém repovoada e dedicada (capítulos 11-12)
Um habitante em cada dez é designado por sorte para morar «em Jerusalém, cidade santa», e o povo abençoa os que se oferecem de boa vontade (Ne 11, 1-2). Depois dos registros dos sacerdotes e dos levitas, o capítulo 12 descreve a dedicação dos muros: Neemias forma «dois grandes coros dos que cantavam os louvores» (Ne 12, 31), que avançam sobre o muro em direções opostas e se encontram diante da casa de Deus.
A segunda missão e as reformas (capítulo 13)
De volta da corte da Pérsia, Neemias encontra Tobias, o amonita, instalado numa câmara do Templo pelo sacerdote Eliasib, que «se tinha aparentado com Tobias» (Ne 13, 4), os levitas privados da sua parte, o sábado transformado em dia de feira e judeus casados com mulheres de Azoto, de Amon e de Moab. Joga fora os móveis de Tobias, restabelece os dízimos, manda fechar as portas no sábado (Ne 13, 19) e expulsa o neto do sumo sacerdote, que se tornara genro de Sanabalat.
Temas e leitura católica
Reconstruir a cidade de Deus
O tema do livro é a restauração do povo de Deus depois do castigo: muros, culto, Lei e aliança são levantados juntos. O Eclesiástico resume a obra do seu herói: «Também Neemias viverá na memória de largo tempo, o qual nos levantou os muros derribados, e fêz restabelecer as portas e fechaduras» (Eclo 49, 15). São Beda, o Venerável, no comentário In Ezram et Neemiam, lê o Templo e a cidade reconstruídos como figuras da Igreja, e os que os levantaram como figuras dos seus doutores e pastores.
Os muros e a vinda de Cristo
O anjo dissera a Daniel: «Desde a ordem para Jerusalém ser segunda vez edificada, até o Cristo Capitão, passarão sete semanas e sessenta e duas semanas: E segunda vez serão edificadas as ruas, e os muros na angústia dos tempos» (Dn 9, 25). Muitos intérpretes católicos fizeram partir as setenta semanas de anos da ordem obtida por Neemias no vigésimo ano de Artaxerxes: o decreto do capítulo 2 abriria assim a contagem dos anos que conduz ao Messias. É uma leitura antiga, não uma definição da Igreja.
Oração, jejum e penitência
Neemias não faz nada sem rezar. Jejua e reza de Casleu a Nisan antes de falar ao rei; reza em silêncio, num instante, antes de lhe responder (2, 4); e salpica as suas memórias de orações curtas: «Lembra-te de mim, Deus meu, para usares comigo de misericórdia, à medida de todo o bem, que eu fiz a êste povo» (5, 19), retomada várias vezes no último capítulo. É a jaculatória dos mestres espirituais, a oração breve lançada a Deus no meio do trabalho; veja as nossas jaculatórias. O jejum do povo no capítulo 9 une a confissão dos pecados ao louvor da misericórdia de Deus, que é a forma mesma da penitência cristã; veja Jejum e abstinência.
Rezar e vigiar
Diante da conspiração, Neemias não escolhe entre a confiança em Deus e a prudência: «Nós pois fizemos oração ao nosso Deus, e pusemos guardas de dia e de noite sôbre o muro contra êles» (Ne 4, 9). É, antes do Evangelho, o “vigiai e orai” de Nosso Senhor no Getsêmani. E os operários o põem em prática: «Com uma mão faziam a obra, e com a outra pegavam na espada» (Ne 4, 17).
Um modelo de governante
Neemias pensa antes de falar, divide a fadiga dos operários, renuncia às rendas de governador, «porque temo a Deus» (5, 15), obriga os ricos a perdoar as dívidas, não foge da ameaça («Porventura uma personagem como eu há de fugir?», 6, 11) e repreende até a família do sumo sacerdote. O seu zelo pela casa de Deus, pelo sábado e pelo casamento na fé lembra a queda de Salomão, que ele mesmo cita: «E contudo as mulheres estrangeiras o fizeram cair no pecado» (13, 26; veja o III Livro dos Reis).
A liturgia da Palavra
A cena do capítulo 8 é uma das imagens mais belas do Antigo Testamento sobre a Palavra de Deus proclamada ao povo: o estrado de madeira, o livro aberto diante de todos, o povo de pé, o «Amém, Amém: Levantando as suas mãos» (8, 6) e a prostração, a explicação dos levitas para que «o povo entendia quanto se estava lendo» (8, 8). A Igreja reconheceu ali o modelo da leitura pública das Escrituras no seu culto, que continua na Missa com a epístola e o Evangelho.
Versículos mais conhecidos de Neemias
- A oração de Neemias (Ne 1, 5): «Peço-te, Senhor Deus do céu, forte, grande e terrível, que guardas o teu pacto, e a tua misericórdia para com aquêles que te amam, e observam os teus mandamentos».
- Neemias 2, 20 (Ne 2, 20): «O Deus do Céu é o que nos ajuda, e nós somos seus servos: Levantemo-nos e reedifiquemos».
- A espada e a colher de pedreiro (Ne 4, 17): os construtores, «Com uma mão faziam a obra, e com a outra pegavam na espada». E Neemias tranquiliza: «O nosso Deus pelejará por nós» (Ne 4, 20).
- Neemias 6, 3, a grande obra (Ne 6, 3): «Eu tenho entre mãos uma grande obra, e não posso ir: Para que não suceda que se pare com ela, enquanto eu fôr ter convosco». A resposta de quem não se deixa distrair da obra de Deus pelos que querem desviá-la.
- A alegria do Senhor é a nossa fortaleza (Ne 8, 10): «Porque êste é um dia santo do Senhor, e não estejais contristados: Porque a alegria do Senhor é a nossa fortaleza»; em latim, gaudium etenim Domini est fortitudo nostra. As Bíblias modernas traduzem “a alegria do Senhor é a vossa força”.
- A grande confissão (Ne 9, 17): «Mas tu, ó Deus propício, clemente, e misericordioso, sempre paciente, e de muita compaixão, tu não os desamparaste». Lembra também o maná: «Tu lhes deste também pão do céu, quando tiveram fome» (Ne 9, 15).
- A última palavra do livro (Ne 13, 31): «Lembra-te de mim, Deus meu, para usares comigo de misericórdia. Amém.»
Neemias no cânon e na liturgia
O livro de Neemias é protocanônico, recebido por judeus e cristãos e presente em todas as Bíblias. A Igreja sempre o contou sob o nome de Esdras: dois livros de Esdras nos cânones dos concílios de Roma (382) e de Cartago (397); o Concílio de Trento, na sessão IV (1546), nomina o primeiro livro de Esdras e o segundo, qui dicitur Nehemias. Vem depois dos Paralipômenos e do livro de Esdras, e antes de Tobias, Judite e Ester, cuja história se passa na mesma corte de Susa em que servia Neemias. O profeta Malaquias é comumente situado na sua época.
O Missal romano de 1962 lê na quarta-feira das Têmporas de setembro uma lição intitulada Lectio libri Esdrae, que é na verdade o começo do capítulo 8 de Neemias (8, 1-10): o povo reunido, a leitura da Lei e a palavra gaudium etenim Domini est fortitudo nostra, que volta na antífona da comunhão do mesmo dia, Comedite pinguia, et bibite mulsum, «comei viandas gordas, e bebei vinho misturado com mel».
O intróito da Missa dos santos apóstolos Filipe e Tiago, que o calendário de 1962 celebra em 11 de maio, Clamaverunt ad te, Domine, in tempore afflictionis suae, et tu de caelo exaudisti eos, é tirado de Neemias 9, 27: «E no tempo da sua tribulação clamaram a ti, e tu os ouviste do Céu» (Ne 9, 27).
O II Livro dos Macabeus também guarda a memória de Neemias, em cujo tempo foi reencontrado o fogo sagrado escondido durante o exílio (2 Mc 1, 18); o Missal lê a oração que acompanhou aquele sacrifício, «principiando Jônatas, e respondendo os outros» (1, 23), no sábado das Têmporas da Quaresma.
Como ler o livro de Neemias
Leia-o logo depois do livro de Esdras, como uma história única. Os capítulos 1-6 e 13 se leem depressa, como uma narrativa; os capítulos 3, 7 e 10-12 são listas, que merecem uma leitura mais lenta, porque mostram um povo inteiro no trabalho, cada um construindo «defronte de sua casa» (3, 28). Leia os capítulos 8 e 9 como uma liturgia da Palavra e um exame de consciência. Ao lado do capítulo 2, leia Daniel 9.
Perguntas Frequentes
Quem foi Neemias?
Um judeu da diáspora, filho de Helquias, copeiro-mor do rei da Pérsia Artaxerxes I. Em 445 antes de Cristo obteve ser enviado a Jerusalém como governador, reconstruiu os seus muros em cinquenta e dois dias, governou a Judeia doze anos e voltou depois para uma segunda missão de reforma. O seu nome quer dizer “o Senhor consola”.
Quem escreveu o livro de Neemias?
O próprio Neemias: o livro começa com «História de Neemias, filho de Helquias», e a maior parte está escrita na primeira pessoa. O Talmude confirma essa atribuição. Às suas memórias ele juntou registros oficiais, que outros puderam atualizar depois dele.
Por que Neemias é chamado II Esdras?
Porque, na Bíblia hebraica, Esdras e Neemias formavam um só livro, e a Igreja latina conservou o nome de Esdras para as duas partes depois que foram divididas. Na Vulgata e em Figueiredo, I Esdras é o livro de Esdras e II Esdras é o livro de Neemias. O “2 Esdras” das Bíblias protestantes é outro escrito, não canônico.
Quantos capítulos tem o livro de Neemias?
Treze, com 404 versículos na Vulgata e em Figueiredo. A divisão dos versículos é quase sempre a mesma das Bíblias modernas; num ou noutro capítulo, como o 3, a contagem difere de um versículo.
Quem eram Sanabalat e Tobias no livro de Neemias?
Eram os principais adversários da reconstrução: Sanabalat, o horonita, e Tobias, o amonita, apoiados por Gosem, o árabe. Zombaram dos judeus, conspiraram para atacá-los e tentaram atrair Neemias para fora da cidade. Tobias chegou a instalar-se numa câmara do Templo graças ao sacerdote Eliasib, e foi expulso por Neemias (13, 4-8). Não tem relação com o Tobias do livro de Tobias.
Quantos anos tinha Neemias quando reconstruiu os muros?
A Bíblia não diz. Sabemos só que era copeiro-mor do rei no vigésimo ano de Artaxerxes, em 445 antes de Cristo, que governou doze anos e que voltou depois do trigésimo segundo ano do rei; qualquer número que se dê para a sua idade é conjectura.
O que significa «a alegria do Senhor é a nossa fortaleza»?
É a palavra dita ao povo que chorava ao ouvir a Lei (Neemias 8, 10). O dia consagrado ao Senhor não é dia de tristeza: a alegria que Deus dá, e a alegria de servi-lo, são a força do seu povo. O Missal de 1962 lê esta passagem na quarta-feira das Têmporas de setembro.
O livro de Neemias também se lê versículo por versículo, em português e em latim, no aplicativo Bíblia católica do Iter Fidei.
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