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O Livro de Esdras (I Esdras)
O livro de Esdras, que a Vulgata chama I Livro de Esdras, conta a volta dos judeus da Babilônia no tempo de Ciro, a reconstrução do Templo e a reforma conduzida por Esdras, sacerdote e escriba da Lei. Aqui você encontra os dez capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica quem foi Esdras, quem escreveu o livro e quando, o resumo, os quatro livros de Esdras e a leitura católica.
Ler Esdras: 10 capítulos
O livro de Esdras abrange uns oitenta anos depois do cativeiro da Babilônia: a volta dos exilados, a reconstrução do Templo e, duas gerações mais tarde, a chegada de Esdras com a Lei de Deus nas mãos. Os seus dez capítulos são curtos, mas marcam uma virada da história sagrada: Israel já não tem rei, e se reconstrói em torno do Templo e da Lei. A Vulgata o intitula Liber Esdrae e o conta como I Livro de Esdras; o livro de Neemias é o segundo. A narrativa começa no capítulo 1, com o edito de Ciro.
Quem foi Esdras na Bíblia?
Esdras era um sacerdote da descendência de Aarão. O livro dá a sua genealogia, «Esdras, filho de Saraias, filho de Azarias, filho de Helcias», até o primeiro sumo sacerdote (Esd 7, 1). Vivia entre os exilados da Babilônia, «e êle era escriba expedito na lei de Moisés que o Senhor Deus tinha dado a Israel» (Esd 7, 6). Escriba, aqui, não quer dizer simples copista, mas doutor da Lei, capaz de lê-la, explicá-la e aplicá-la: o rei da Pérsia o saúda como «Esdras sacerdote doutor eruditíssimo na lei de Deus do Céu» (Esd 7, 12).
No sétimo ano do rei Artaxerxes, subiu a Jerusalém com uma caravana de exilados, levando uma carta do rei que lhe dava autoridade para estabelecer juízes e ensinar a Lei. Ali combateu os casamentos com mulheres idólatras e, mais tarde, no tempo de Neemias, leu publicamente a Lei diante de todo o povo (Ne 8). A Bíblia não conta a sua morte; o historiador judeu Flávio Josefo diz que morreu velho e foi sepultado com honra em Jerusalém.
Esdras: significado do nome. O hebraico Ezra quer dizer “ajuda”, “socorro”. O nome resume a sua missão: foi o auxílio de Deus para um povo que recomeçava.
Por que se fala em I Livro de Esdras?
Entre os judeus, os livros de Esdras e de Neemias formavam um só livro, como lembra São Jerônimo no seu prólogo. Gregos e latinos o dividiram em dois, e a Vulgata conservou para as duas partes o nome de Esdras: o I Livro de Esdras é o nosso livro de Esdras, e o II Livro de Esdras é o livro de Neemias, que Figueiredo intitula precisamente Neemias (II Esdras).
A confusão vem de outros dois escritos. A Setenta continha ainda um «Esdras A», uma reelaboração grega da história da volta, e a tradição latina conhecia um escrito apocalíptico mais tardio com o mesmo nome. A Vulgata clementina os chama III e IV Livro de Esdras; as Bíblias protestantes, que os põem entre os apócrifos, os chamam “1 e 2 Esdras”. Falamos deles mais abaixo. Sobre os nomes dos livros em cada Bíblia, veja Qual a melhor Bíblia católica.
Figueiredo conserva também as formas latinas dos nomes: Zorobabel, o sumo sacerdote Josué, Sassabasar, príncipe de Judá, os profetas Ageu e Zacarias.
Quem escreveu o livro de Esdras?
A Igreja recebeu este livro como obra do próprio Esdras, e ele leva o seu nome porque é o seu escritor. O Talmude (tratado Baba Bathra, 15a) registra do mesmo modo que Esdras escreveu o seu livro e as genealogias das Crônicas até o seu tempo.
O texto o confirma. Do fim do capítulo 7 ao fim do capítulo 9, Esdras fala na primeira pessoa, como quem conta o que viu e fez: «Bendito seja o Senhor Deus de nossos pais, que pôs no coração do rei êste pensamento de glorificar a casa do Senhor» (Esd 7, 27). Para a história anterior, serviu-se de documentos públicos: o registro das famílias que voltaram (capítulo 2) e as cartas da corte persa, conservadas no seu aramaico original de 4, 8 a 6, 18 e de 7, 12 a 7, 26.
A Igreja definiu que o livro é sagrado e canônico; sobre o seu autor não decidiu nada. Vários autores modernos situam a redação final mais tarde, no século IV antes de Cristo; é uma hipótese que a tradição não fez sua.
Quando foi escrito o livro de Esdras?
Os acontecimentos vão do primeiro ano de Ciro na Babilônia, por volta de 538 antes de Cristo, à reforma de Esdras, no sétimo ano do rei Artaxerxes (Esd 7, 7), isto é, 458 segundo a cronologia tradicional. O Templo foi concluído «no dia três do mês de Adar, que é o sexto ano do reinado do rei Dario» (Esd 6, 15), por volta de 515. Se Esdras é o autor, como quer a tradição, o livro data da segunda metade do século V antes de Cristo. Alguns exegetas católicos, como Van Hoonacker em Lovaina, situaram a missão de Esdras depois da de Neemias; a questão continua discutida.
Do que fala o livro de Esdras? Resumo
O livro tem duas partes, separadas por uns sessenta anos: a volta com Zorobabel e a reconstrução do Templo (capítulos 1-6), e depois a missão de Esdras (capítulos 7-10).
O edito de Ciro e a volta (capítulos 1-2)
«No primeiro ano de Ciro rei dos persas para se cumprir a palavra do Senhor pronunciada por bôca de Jeremias, suscitou o Senhor o espírito de Ciro rei dos persas» (Esd 1, 1). O rei manda os judeus de volta para construir a casa de Deus e devolve os vasos que Nabucodonosor tinha levado, e «os deu por conta a Sassabasar, príncipe de Judá» (Esd 1, 8). O capítulo 2 enumera as famílias que voltaram com Zorobabel e Josué: «Tôda esta multidão era como um só homem, e compreendia quarenta e duas mil trezentas e sessenta pessoas» (Esd 2, 64), sem contar os servos.
O altar e os alicerces (capítulo 3)
No sétimo mês, «Ajuntou-se porém o povo todo como um só homem em Jerusalém» (Esd 3, 1). Josué e Zorobabel levantam o altar e restabelecem o holocausto da manhã e da tarde. No segundo ano, lançam-se os alicerces do Templo ao som das trombetas e dos timbales, «para louvarem a Deus com os salmos de Davi, rei de Israel» (3, 10). Os jovens gritam de alegria; os velhos, que tinham visto o primeiro Templo, choram em voz alta, e «Ninguém podia discernir os gritos dos que se regozijavam, nem a voz do chôro do povo» (Esd 3, 13).
A oposição e a parada das obras (capítulo 4)
Os habitantes da terra pedem para construir com os judeus e são recusados: «Não nos convém edificar convosco a casa ao nosso Deus» (Esd 4, 3). Passam então a atrapalhar as obras, corrompem conselheiros e escrevem aos reis da Pérsia que Jerusalém é uma cidade rebelde; o autor reúne aqui acusações feitas também em reinados posteriores. As obras param «até o segundo ano do reinado de Dario, rei dos persas» (4, 24).
Os profetas, Dario e a dedicação (capítulos 5-6)
«E profetaram o profeta Ageu, e Zacarias, filho de Ado, profetizando em nome do Deus de Israel aos judeus» (Esd 5, 1), e os construtores retomam a obra. O governador da província escreve a Dario (capítulo 5); o edito de Ciro é encontrado nos arquivos, e Dario manda que as obras sejam pagas pelo tesouro real (capítulo 6). A casa é dedicada «com regozijo», e os exilados celebram a Páscoa «no dia catorze do primeiro mês» (Esd 6, 19).
Esdras sobe da Babilônia (capítulos 7-8)
Sob Artaxerxes, Esdras chega a Jerusalém com a carta do rei, presentes para o Templo e autoridade para nomear juízes e ensinar a Lei (capítulo 7). Junto ao rio Aava, proclama um jejum, porque tem vergonha de pedir ao rei uma escolta depois de ter proclamado que Deus protege quem o busca (Esd 8, 21-22), e a caravana chega sem dano: «E a mão do nosso Deus foi sôbre nós, e nos livrou das mãos do inimigo» (Esd 8, 31).
Os casamentos mistos e a penitência do povo (capítulos 9-10)
Muitos, sacerdotes e chefes à frente, tinham tomado mulheres dos povos idólatras (capítulo 9). Esdras rasga as vestes, fica sentado na desolação até o sacrifício da tarde, depois cai de joelhos e confessa os pecados de todo o povo. Sequenias propõe uma aliança para despedir as mulheres estrangeiras (Esd 10, 3); debaixo das chuvas do inverno, o povo, «tremendo por causa dos seus pecados, e por causa das chuvas» (10, 9), responde: «Faça-se assim segundo tu nos tens dito» (Esd 10, 12), e uma comissão trabalha três meses. O livro termina com a lista dos culpados, a começar pelos sacerdotes.
Temas e leitura católica
Deus cumpre a sua palavra
O livro abre com uma profecia cumprida. Jeremias tinha anunciado: «Quando se começarem a cumprir os setenta anos em Babilônia, eu vos visitarei» (Jr 29, 10). Isaías chegara a nomear o libertador: «Eis-aqui o que diz o Senhor a Ciro meu Cristo» (Is 45, 1). O latim diz christo meo, “o meu ungido”, e Figueiredo o conserva. Os comentadores católicos viram em Ciro, rei pagão escolhido para libertar o povo de Deus, uma figura de Cristo, o grande libertador.
Sair da Babilônia e fazer penitência
O jejum do rio Aava mostra que a libertação não dispensa da penitência: não basta deixar a Babilônia, isto é, no sentido espiritual, o pecado; é preciso também fazer penitência dele. Esdras acrescenta a confiança: «A mão de nosso Deus é sôbre todos os que o buscam em bondade» (8, 22). E o fruto: «Nós pois jejuamos, e fizemos por isto oração ao nosso Deus: E tudo nos sucedeu com felicidade» (8, 23).
Zorobabel e Josué, figuras de Cristo
O Templo é reconstruído por um príncipe da descendência de Davi, antepassado de Cristo segundo São Mateus, «Salatiel gerou a Zorobabel» (Mt 1, 12), e por um sumo sacerdote cujo nome, em grego e em latim, é o de Jesus. Zacarias anunciava do homem «QUE TEM POR NOME O ORIENTE»: «E êle edificará um templo ao Senhor» (Zc 6, 12-13). São Beda, o Venerável, no seu comentário In Ezram et Neemiam, lê os dois chefes juntos como uma só figura de Nosso Senhor, Sacerdote e Rei, e vê no Templo reconstruído a imagem da Igreja. O Eclesiástico louva os dois: «Como engrandeceremos nós a Zorobabel? porque êle também foi como um anel na mão direita» (Eclo 49, 13).
O segundo Templo e a Igreja
Os velhos choravam por uma casa mais pobre que a primeira; mas Ageu prometia: «E VIRÁ O DESEJADO de tôdas as gentes», e «A glória desta última casa será maior do que a da primeira» (Ag 2, 8-10). A Igreja vê essa glória cumprida quando Cristo entrou naquele Templo.
Esdras, o sacerdote que ensina
«Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor, e para cumprir e ensinar em Israel os seus preceitos e as suas ordenanças» (Esd 7, 10). A ordem do versículo é uma lição para todo sacerdote e todo catequista: estudar, depois praticar, e só então ensinar. O latim o diz com força: Esdras enim paravit cor suum, ut investigaret legem Domini, et faceret et doceret.
A santidade do matrimônio e a confissão dos pecados
Os casamentos com mulheres idólatras punham em perigo a fé de Israel, como tinham perdido Salomão; a Igreja, pela mesma razão, sempre protegeu a fé dos esposos, exigindo dispensa para o casamento com um não batizado. O remédio proposto por Esdras é a confissão e a emenda: «Agora pois dai glória ao Senhor Deus de vossos pais, e fazei o que é do seu agrado» (Esd 10, 11). A sua oração, em que toma sobre si os pecados dos outros, é um modelo de contrição.
Versículos mais conhecidos de Esdras
- O edito de Ciro (Esd 1, 2): «O Senhor Deus do Céu me deu todos os reinos da terra, e êle mesmo me mandou que lhe edificasse um templo em Jerusalém que está na Judéia.» O mesmo edito fecha o II Paralipômenos, de modo que a história continua sem interrupção.
- O canto da fundação (Esd 3, 11): «Porque êle é bom, e a sua misericórdia foi sempre sôbre Israel.»
- Esdras 7, 10 (Esd 7, 10): «Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor».
- A oração de Esdras (Esd 9, 6): «Meu Deus, eu estou confundido, e envergonho-me de levantar a minha face para ti: Porque as nossas iniqüidades se multiplicaram sôbre as nossas cabeças, e os nossos delitos cresceram até ao Céu».
- O resto salvo (Esd 9, 9): «Porque nós somos escravos, e o nosso Deus não nos desamparou no nosso cativeiro». E a conclusão: «Senhor Deus de Israel, tu és justo» (Esd 9, 15).
- Esdras lê a Lei ao povo. A cena célebre em que Esdras, de pé num estrado de madeira, lê a Lei desde a manhã até o meio-dia, com a palavra «a alegria do Senhor é a nossa fortaleza», pertence ao capítulo 8 de Neemias, o II Livro de Esdras.
O III e o IV Livro de Esdras
Quatro livros levam o nome de Esdras, e as Bíblias os numeram de modo diferente. O I Livro de Esdras da Vulgata é o livro de Esdras das Bíblias modernas. O II Livro de Esdras é o livro de Neemias.
O III Livro de Esdras da Vulgata, “1 Esdras” dos apócrifos protestantes, retoma em grego trechos dos Paralipômenos, de Esdras e de Neemias, e acrescenta a história dos três guardas do rei Dario, que discutem o que é mais forte: o vinho, o rei ou as mulheres; Zorobabel responde que as mulheres são mais fortes, mas que acima de tudo vence a verdade, magna est veritas, et praevalet. O IV Livro de Esdras, “2 Esdras” dos apócrifos protestantes, é um apocalipse composto depois da destruição de Jerusalém pelos romanos, em que o anjo Uriel responde às perguntas de Esdras sobre o mal e o fim dos tempos.
Estes dois últimos livros não são canônicos. São Jerônimo não quis traduzi-los; a Vulgata clementina de 1592 os imprime em apêndice, fora do cânon, para que não se percam. Não fazem parte dos deuterocanônicos. A liturgia, porém, tirou deles palavras que todo católico conhece: o intróito da Missa dos defuntos, Requiem aeternam dona eis, Domine: et lux perpetua luceat eis, vem do IV Esdras (2, 34-35), e também o intróito da terça-feira de Pentecostes, Accipite jucunditatem gloriae vestrae (2, 36-37). Sobre a oração pelos defuntos, veja Oração pelos mortos.
O livro de Esdras no cânon e na liturgia
O livro de Esdras é protocanônico, recebido pelos judeus e por todas as Igrejas cristãs. Os antigos concílios de Roma (382) e de Cartago (397) contam dois livros de Esdras; o Concílio de Trento, na sessão IV (1546), nomeia o primeiro livro de Esdras e o segundo, “que se chama Neemias” (Esdrae primus, et secundus, qui dicitur Nehemias). Na Bíblia católica, vem depois do II Paralipômenos e antes de Neemias e de Tobias. Pertence à época dos profetas da volta: Ageu e Zacarias, que animaram os construtores, e Malaquias, que uma tradição judaica referida por São Jerônimo identificava com Esdras.
O Missal de 1962 não lê nenhuma lição do I Livro de Esdras propriamente dito; a lição “do livro de Esdras” da quarta-feira das Têmporas de setembro, Lectio libri Esdrae, é tirada do capítulo 8 de Neemias, o II Livro de Esdras. O Saltério, ao contrário, está cheio da volta do exílio: a Vulgata dá ao salmo 95 o título «Cântico do mesmo Davi. Quando se edificava a casa depois do cativeiro», e o saltério de 1962 o canta nas Laudes de terça-feira; o salmo 125, In convertendo Dominus captivitatem Sion, «Quando o Senhor fizer voltar os cativos de Sião», é cantado nas Vésperas de terça-feira.
Onde Esdras encontrou o livro da Lei?
Trazia-o da Babilônia, onde os exilados tinham guardado a Lei de Moisés: Artaxerxes o envia para visitar a Judeia «segundo a lei do teu Deus, que está na tua mão» (Esd 7, 14). Uma tradição antiga, amplamente desenvolvida no apócrifo IV Esdras, queria que as Escrituras tivessem perecido durante o cativeiro e que Esdras as tivesse restabelecido por inspiração; Santo Ireneu se faz eco dela no tratado Contra as heresias (III, 21). Os comentadores católicos responderam que os livros santos nunca se perderam por inteiro: Esdras os reuniu, copiou e ensinou, não os reescreveu.
Como ler o livro de Esdras
Os dez capítulos se leem em uma hora. Leia a breve profecia de Ageu ao lado do capítulo 5, porque ele pregava nos meses que esse capítulo descreve. Passe depressa pelas listas dos capítulos 2 e 10, demore-se na oração do capítulo 9, e depois passe ao livro de Neemias, em que os muros se levantam e Esdras lê a Lei ao povo.
Perguntas Frequentes
Quem foi Esdras?
Um sacerdote descendente de Aarão e escriba perito na lei de Moisés, que viveu entre os exilados da Babilônia no século V antes de Cristo. No sétimo ano do rei Artaxerxes, conduziu uma volta a Jerusalém, reformou o povo e mais tarde leu publicamente a Lei. A tradição lhe atribui o livro que leva o seu nome e os Paralipômenos.
Quem escreveu o livro de Esdras?
A tradição o atribui ao próprio Esdras, e o texto fala na primeira pessoa do fim do capítulo 7 ao fim do capítulo 9. O Talmude diz que Esdras escreveu o seu livro. Alguns autores modernos situam a redação final mais tarde; a Igreja não definiu nada sobre este ponto.
Quantos capítulos tem o livro de Esdras?
Dez, com 280 versículos na Vulgata e em Figueiredo: a volta e o Templo nos capítulos 1-6, a missão de Esdras nos capítulos 7-10.
Qual é a mensagem do livro de Esdras?
Mostra que Deus cumpre as suas promessas: o cativeiro anunciado por Jeremias termina no prazo marcado, e o Templo é reconstruído apesar da oposição. Ensina também que o povo de Deus se reconstrói com o culto, o estudo da Lei e a penitência, não com o poder político.
Qual a diferença entre Esdras e Neemias?
Esdras era sacerdote e escriba, dedicado ao ensino da Lei e à reforma religiosa; Neemias era leigo, o governador que reconstruiu os muros de Jerusalém. Os seus livros formavam um só na Bíblia hebraica e se completam: o primeiro se centra no Templo, o segundo na cidade. Veja também Quem foi Neemias.
O que é o IV Livro de Esdras?
É um apocalipse judaico escrito depois da destruição de Jerusalém no ano 70, com acréscimos cristãos, em que o anjo Uriel dialoga com Esdras. Não é canônico: a Vulgata clementina o imprime em apêndice, junto com o terceiro, fora da Bíblia. A liturgia tomou dele o intróito Requiem aeternam.
Quem é Sassabasar no livro de Esdras?
Sassabasar é o «príncipe de Judá» a quem Ciro mandou entregar os vasos do Templo e que lançou os seus alicerces (Esdras 1, 8 e 5, 14-16). Muitos comentadores antigos viram nele outro nome de Zorobabel, um nome babilônico dado na corte, como Daniel foi chamado Baltasar; vários modernos distinguem os dois homens.
O livro de Esdras também se lê versículo por versículo, em português e em latim, no aplicativo Bíblia católica do Iter Fidei.
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