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O IV Livro dos Reis (2 Reis)
O IV Livro dos Reis da Vulgata corresponde ao livro que as Bíblias modernas chamam 2 Reis: Elias arrebatado num carro de fogo, os milagres de Eliseu, a viúva e o azeite, Naamã curado no Jordão, a queda de Samaria, as reformas de Ezequias e de Josias, o incêndio de Jerusalém. Aqui você encontra os vinte e cinco capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica quem escreveu o livro, o resumo de cada parte, quem foi Eliseu e a leitura que a Igreja faz dele.
Ler IV Reis: 25 capítulos
O livro que as Bíblias modernas chamam 2 Reis é, na Vulgata e na Bíblia do Pe. Figueiredo, o IV Livro dos Reis. A história começada com Samuel termina nele, entre as cinzas do Templo. Os seus vinte e cinco capítulos contêm algumas das páginas mais conhecidas do Antigo Testamento: Elias arrebatado num redemoinho, o azeite da viúva que não acaba, a sunamita e o seu filho, Naamã purificado no Jordão, o anjo que fere o acampamento de Senaquerib, o livro da Lei reencontrado no Templo. É o livro da paciência de Deus, e depois da sua justiça.
Por que 2 Reis se chama “IV Livro dos Reis”?
A Setenta dividia os livros de Samuel e dos Reis em quatro “livros dos Reinos”, e São Jerônimo conservou essa ordem na Vulgata com o nome de Libri Regum; Figueiredo a segue. Os dois livros de Samuel são, portanto, o I Livro dos Reis e o II, e os dois livros dos Reis das Bíblias modernas são o III e o IV. O IV Livro dos Reis é 2 Reis; o “II Livro dos Reis” de uma Bíblia católica antiga é, ao contrário, 2 Samuel.
O III Livro dos Reis e o IV formavam entre os hebreus um só livro. A divisão cai no meio da história de Ocozias, rei de Israel, de modo que o primeiro capítulo do IV Livro continua diretamente o último do III. Neste guia as referências usam as abreviações modernas (2 Rs, 1 Rs…), com os capítulos e versículos da Vulgata.
Quem escreveu o livro de 2 Reis?
A Escritura não nomeia o escritor. A tradição mais antiga, a do Talmude babilônico (Baba Bathra, 15a), diz que o profeta Jeremias escreveu o seu próprio livro, o livro dos Reis e as Lamentações. Muitos exegetas, antigos e modernos, tiveram essa atribuição por provável. O último capítulo de Jeremias reproduz quase ao pé da letra o fim do IV Livro dos Reis (24, 18 - 25, 30), e os dois livros têm muitas expressões em comum.
Outros comentadores católicos pensaram que os livros dos Reis não são obra de um só homem nem de um só tempo, mas da sucessão dos profetas que registravam os acontecimentos dos seus dias. O livro remete constantemente às suas fontes, com fórmulas como esta: «tudo isto está escrito no Livro dos Anais dos reis de Judá» (2 Rs 20, 20). A Pontifícia Comissão Bíblica não decidiu nada sobre o autor; a sua resposta de 23 de junho de 1905 pede que os livros históricos sejam recebidos como história verdadeira, salvo provas sólidas em contrário. A hipótese moderna de uma escola “deuteronomista” que teria redigido a obra por etapas continua sendo uma hipótese.
Quando foi escrito o livro de 2 Reis?
O livro não pode ter sido concluído antes da metade do exílio. O seu último acontecimento é a libertação do rei Joaquim (o Joaquim ou Jeconias das Bíblias modernas), «no ano trigésimo sétimo da transmigração de Joaquim, rei de Judá» (2 Rs 25, 27), por volta de 562 antes de Cristo, e não diz nada da volta permitida por Ciro em 538. Se Jeremias é o autor, escreveu-o em torno da ruína de Jerusalém, e outra mão pode ter acrescentado os últimos versículos. Os fatos narrados vão da metade do século IX ao exílio, com a tomada de Samaria pelos assírios (722-721) e a invasão de Senaquerib (701).
Do que fala o livro de 2 Reis? Resumo
O livro julga cada rei por uma só pergunta: andou nos caminhos do Senhor, ou fez Israel pecar? Acompanha ao mesmo tempo o reino do Norte, Israel, com capital em Samaria, e o do Sul, Judá, em torno de Jerusalém, até a queda de Israel; depois segue Judá até a Babilônia.
Elias arrebatado e os milagres de Eliseu (capítulos 1-8)
No capítulo 1, o rei Ocozias manda consultar Belzebu, deus de Acaron, e Elias detém os seus mensageiros: «Acaso não há um Deus em Israel?» (2 Rs 1, 3). O capítulo 2 é o eixo do livro: o Jordão se abre sob a capa de Elias, um carro de fogo separa os dois profetas, e Eliseu recebe o espírito dobrado do mestre; depois sara com sal as águas de Jericó, e os meninos de Betel zombam dele. Eliseu dá a água e a vitória contra Moab no capítulo 3.
No capítulo 4, multiplica o azeite da viúva, promete um filho à sunamita e o ressuscita, torna inofensivo um guisado envenenado e alimenta cem homens com vinte pães. O capítulo 5 é a cura de Naamã. No capítulo 6, o ferro de um machado sobe à tona, um exército sírio é ferido de cegueira e Samaria morre de fome sob o cerco; o capítulo 7 levanta o cerco numa noite, e no capítulo 8 Eliseu chora diante de Hazael, futuro rei da Síria, vendo os males que ele fará a Israel.
Jeú, Atália e a morte de Eliseu (capítulos 9-13)
No capítulo 9, Jeú recebe a unção e avança «precipitadamente» (2 Rs 9, 20) para Jezrael. Mata Jorão, rei de Israel, e Ocozias, rei de Judá; Jezabel é lançada da janela e pisada pelos cavalos, como Elias anunciara. Jeú extermina depois a casa de Acab e o culto de Baal, mas conserva os bezerros de ouro de Jeroboão (capítulo 10). Em Jerusalém, Atália manda matar toda a descendência real; só se salva o pequeno Joás, escondido seis anos no Templo até que o sumo sacerdote Jojada o faça coroar (capítulo 11). Joás restaura o Templo no capítulo 12, e no capítulo 13 Eliseu morre, enquanto um morto lançado no seu sepulcro ressuscita ao tocar os seus ossos.
A queda de Samaria (capítulos 14-17)
Os capítulos 14-16 percorrem rapidamente os reis de Judá e os últimos reinados sangrentos de Israel; de passagem aparece o profeta Jonas (14, 25), e o rei Acaz faz passar o filho pelo fogo (16, 3). No capítulo 17, o rei da Assíria toma Samaria e deporta Israel, «tendo os filhos de Israel pecado contra o Senhor seu Deus» (2 Rs 17, 7). Os colonos instalados no lugar deles misturam o culto do Senhor com o dos seus deuses: é a origem dos samaritanos do Evangelho.
Ezequias e Isaías (capítulos 18-20)
Ezequias destrói os lugares altos e despedaça a serpente de bronze (capítulo 18). Estende diante do Senhor a carta blasfema de Senaquerib, e um anjo fere de noite o acampamento assírio (capítulo 19). Doente de morte, chora e obtém quinze anos de vida; depois mostra os seus tesouros aos enviados da Babilônia, e Isaías anuncia o cativeiro (capítulo 20). Estes três capítulos são retomados quase ao pé da letra no livro de Isaías, capítulos 36-39.
Manassés, Josias e o livro da Lei (capítulos 21-23)
Manassés enche Jerusalém de ídolos e derrama sangue inocente (capítulo 21); o II Livro dos Paralipômenos acrescenta que ele se arrependeu no cativeiro. Sob Josias, o sumo sacerdote Helcias encontra no Templo «um Livro da Lei» (2 Rs 22, 8), que se identifica comumente com o Deuteronômio. A profetisa Holda anuncia o castigo, mas não para os dias de Josias. No capítulo 23, o rei renova a aliança, purifica o culto de Jerusalém até Betel, celebra uma Páscoa como não se via desde o tempo dos juízes, e depois cai em Magedo.
A ruína de Jerusalém (capítulos 24-25)
No capítulo 24, Nabucodonosor leva para a Babilônia o rei Joaquim, os príncipes e os artífices (597). No capítulo 25, depois de um longo cerco, Sedecias tem os olhos vazados, a cidade é tomada, e Nabuzardan «queimou a casa do Senhor, e a casa do rei» (2 Rs 25, 9). O livro termina, porém, com uma pequena luz: o herdeiro de Davi é tirado do cárcere e «comia o pão sempre à sua vista, todos os dias da sua vida» (2 Rs 25, 29). A promessa feita a Davi não se apagou. A história da volta recomeça no livro de Esdras.
2 Reis 4: a viúva e o azeite, a sunamita e o seu filho
O capítulo 4 é o mais procurado do livro. Começa com o grito de uma viúva: «Teu servo meu marido morreu, e tu sabes que teu servo era temente ao Senhor: E agora eis vem o credor levar-me os meus dois filhos para serem seus escravos» (2 Rs 4, 1). Quem era o marido dessa viúva? O texto diz apenas que era um dos filhos dos profetas, sem lhe dar nome; o historiador judeu Flávio Josefo o identifica com Abdias, o mordomo de Acab que escondera cem profetas (1 Rs 18, 3-4), mas é uma tradição, não um dado da Escritura.
Eliseu lhe pergunta o que tem em casa, e ela responde: «Eu tua serva não tenho em minha casa outra coisa senão um pouco de azeite» (2 Rs 4, 2). O profeta manda pedir emprestadas às vizinhas «bastantes vasilhas despejadas» (2 Rs 4, 3), fechar a porta e encher todas. O azeite corre enquanto há vasilhas: «Não a tenho. E o azeite parou» (2 Rs 4, 6). E Eliseu conclui: «Vai, vende o azeite, e paga ao teu credor: E tu, e teus filhos vivei do resto» (2 Rs 4, 7). A medida do dom de Deus foi a medida da fé e da obediência da mulher: o milagre parou quando acabaram as vasilhas, não quando acabou o azeite.
A segunda parte do capítulo conta a sunamita, «uma mulher grave» (2 Rs 4, 8) que reconhece em Eliseu «um homem de Deus, e um santo» e lhe prepara um pequeno quarto com uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro (2 Rs 4, 10). O profeta lhe promete um filho; anos depois o menino morre, e a mãe corre ao Carmelo. Eliseu se fecha com o menino, reza, deita-se sobre ele, «E o menino bocejou sete vêzes, e abriu os olhos» (2 Rs 4, 35). O capítulo termina com a panela envenenada e os vinte pães de cevada para cem homens: «Comerão e sobejará» (2 Rs 4, 43), um anúncio da multiplicação dos pães.
Quem foi o profeta Eliseu?
Eliseu, cujo nome significa “Deus é salvação”, era filho de Safat. Elias o encontrou lavrando com doze juntas de bois e lançou sobre ele a sua capa; Eliseu deixou tudo, «e seguiu a Elias, e o servia» (1 Rs 19, 21). Na partida do mestre pediu: «Peço que seja dobrado em mim o teu espírito» (2 Rs 2, 9), isto é, a parte do primogênito, e os filhos dos profetas reconheceram logo: «O espírito de Elias repousou sôbre Eliseu» (2 Rs 2, 15).
Profetizou por mais de meio século no reino de Israel, sob os reis de Jorão a Joás, e é chamado muitas vezes “homem de Deus”. Elias era o profeta do fogo e da solidão; Eliseu é o da proximidade, que vai de casa em casa, da viúva endividada ao general estrangeiro. Até o rei de Israel o chora moribundo com as palavras que ele mesmo gritara ao mestre: «Meu pai, meu pai, tu és o carro de Israel e seu condutor» (2 Rs 13, 14). O Eclesiástico resume a sua vida: «o seu espírito ficou todo em Eliseu: Êste não temeu a príncipe algum em seus dias» (Eclo 48, 13).
Temas e leitura católica
Naamã e o batismo
Naamã, «general do exército do rei da Síria», era «um homem valente e rico, mas leproso» (2 Rs 5, 1). Eliseu nem sai ao seu encontro; manda dizer: «Vai, lava-te sete vêzes no Jordão, e a tua carne será curada» (2 Rs 5, 10). O general se irrita, porque esperava gestos solenes, e são os seus servos que o convencem: «Lava-te e ficarás limpo» (2 Rs 5, 13). Ele obedece, «e a sua carne se tornou, bem como a carne dum menino muito tenro, e ficou limpo» (2 Rs 5, 14), e confessa: «não há outro Deus em tôda a terra, senão o que há em Israel» (2 Rs 5, 15).
Santo Ambrósio explicava a história de Naamã aos recém-batizados, no tratado Sobre os mistérios: o general sírio aprende que não é a água do Jordão por si mesma que purifica, mas a graça de Deus que age por meio dela. O próprio Nosso Senhor lembrou o episódio: «muitos leprosos havia em Israel em tempo do profeta Eliseu, mas nenhum dêles foi limpo senão Naaman, da Síria» (Lc 4, 27). A Igreja lê ainda esta narrativa na Missa da Quaresma, o tempo em que os catecúmenos se aproximavam da fonte. Sobre o sacramento, veja o batismo católico.
O sal de Eliseu e a água benta
Em Jericó, Eliseu pede «um vaso novo» com sal, lança-o na fonte e diz: «Eu sarei estas águas, e elas não causarão mais nem morte, nem esterilidade» (2 Rs 2, 21). Santo Ambrósio toma também o ferro que sobe à tona à palavra de Eliseu (2 Rs 6, 6) como prova de que a bênção divina pode mudar a natureza das coisas, e tira daí um argumento para a presença real: se a palavra do profeta teve esse poder, quanto mais a palavra de Cristo. O sal que a Igreja mistura à água benta tem neste gesto um eco bíblico, como mostra a nossa página sobre a água benta.
As relíquias dos santos
O morto que ressuscita ao tocar os ossos de Eliseu, «E tanto que o cadáver tocou os ossos de Eliseu, ressuscitou o homem» (2 Rs 13, 21), é o testemunho clássico do Antigo Testamento em favor das relíquias. O Eclesiástico o celebra: «ainda depois de morto profetizou o seu corpo» (Eclo 48, 14). São Cirilo de Jerusalém, nas Catequeses, conclui daí que uma virtude permanece no corpo dos santos, e o Concílio de Trento (sessão XXV) defendeu a veneração das relíquias.
Elias, Eliseu e Cristo
Eliseu, herdeiro do “espírito dobrado”, ressuscita um menino, purifica um leproso, alimenta uma multidão com poucos pães, e ainda sobra: outras tantas figuras dos milagres de Cristo. Elias, arrebatado sem conhecer a morte, deve voltar antes do dia do Senhor, e Nosso Senhor o confirma: «Elias certamente há de vir, e restabelecerá tôdas as coisas» (Mt 17, 11). O monte Carmelo, para onde Eliseu se retirava (2, 25), deu nome à ordem que tem Elias por pai e honra Nossa Senhora do Carmo.
A serpente de bronze e o verdadeiro culto
Ezequias despedaça a serpente feita por Moisés, que se tornara objeto de idolatria, «Porque os filhos de Israel até então lhe haviam queimado incenso» (2 Rs 18, 4). O sinal não era mau; mau era o uso que se fazia dele. Cristo lhe deu o verdadeiro sentido: «como Moisés no deserto levantou a serpente, assim importa que seja levantado o Filho do homem» (Jo 3, 14).
Atália e a fidelidade de Deus
Quando Atália julga ter destruído toda a descendência de Davi, um menino escondido no Templo mantém viva a promessa: Joás «estêve seis anos oculto com a ama na casa do Senhor» (2 Rs 11, 3). Racine tirou daí a tragédia Athalie (1691), mas o sentido continua sendo o da Escritura: Deus não deixa apagar-se a lâmpada de Davi.
Versículos mais conhecidos de 2 Reis
- 2 Reis 2, 11: «eis-que um carro de fogo, e uns cavalos de fogo os separaram um do outro: E Elias subiu ao céu por meio de um remoinho». Eliseu grita: «Meu pai, meu pai, carro de Israel, e seu condutor» (2, 12).
- 2 Reis 2, 23-24: os meninos de Betel: «Sobe, calvo, sobe, calvo», e «saíram dois ursos do bosque». Betel era a sede principal do culto dos bezerros de ouro, e a maldição do profeta não é um acesso de ira, mas um juízo de Deus sobre uma cidade que desprezava os seus enviados.
- 2 Reis 4, 2: «não tenho em minha casa outra coisa senão um pouco de azeite», e o azeite corre até não haver mais vasilhas.
- 2 Reis 4, 40: «Homem de Deus, a panela tem coisa mortífera». Eliseu lança nela um pouco de farinha, e o guisado fica são.
- 2 Reis 5, 14: Naamã «lavou-se sete vêzes no Jordão conforme a palavra do homem de Deus».
- 2 Reis 6, 16-17: «Não temas: Muitos mais estão conosco, do que com êles», e o criado vê «o monte cheio de cavalos, e de carroças de fogo ao redor de Eliseu». São os exércitos celestes que guardam os servos de Deus.
- 2 Reis 13, 21: o morto que ressuscita ao tocar os ossos de Eliseu.
- 2 Reis 19, 15: a oração de Ezequias: «Senhor Deus de Israel, que estás assentado sôbre os querubins, tu és só o que és o Deus de todos os reis da terra». Depois: «veio o anjo do Senhor, e matou no campo dos assírios cento e oitenta e cinco mil homens» (19, 35).
- 2 Reis 20, 5: «Eu ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas: E olha que eu te dei saúde». O cântico de ação de graças do rei está no capítulo 38 de Isaías.
- 2 Reis 23, 25: o elogio de Josias: «Não houve rei antes de Josias que lhe fôsse semelhante, que se convertesse ao Senhor de todo o coração, e de tôda a sua alma, e de tôda a sua fôrça».
O IV Livro dos Reis no cânon e na liturgia
O IV Livro dos Reis é protocanônico, recebido por judeus, católicos, ortodoxos e protestantes. O Concílio de Trento (sessão IV, 1546) conta “quatro livros dos Reis” entre os livros sagrados e declara autêntica a Vulgata. Os reinados de Judá que ele conta são retomados, com acréscimos, no II Livro dos Paralipômenos. Uma pequena diferença de números entre os dois livros, a idade de Ocozias ao subir ao trono, explica-se por um erro de copista: «Tinha Ocozias vinte e dois anos, quando começou a reinar» (2 Rs 8, 26), mas «quarenta e dois anos» no texto paralelo (2 Cr 22, 2). Leão XIII, na encíclica Providentissimus Deus (1893), lembra que tais erros de transcrição não atingem a inspiração do texto original.
O Missal romano de 1962 lê três páginas dele na Quaresma: a cura de Naamã (5, 1-15) na segunda-feira depois do III domingo, com o Evangelho em que Cristo a recorda em Nazaré; o azeite da viúva (4, 1-7) no dia seguinte; a ressurreição do filho da sunamita (4, 25-38) na quinta-feira depois do IV domingo, com a ressurreição do filho da viúva de Naim. No Breviário, o IV Livro é lido nas Matinas a partir do IX domingo depois de Pentecostes, fechando o ciclo de verão dos livros dos Reis, que chega até a queda de Jerusalém.
A antífona do Magnificat das primeiras Vésperas desse domingo é o grito de Eliseu: Dum tolleret Dominus Eliam per turbinem in caelum, Eliseus clamabat: Pater mi, currus Israel et auriga ejus. No X domingo canta-se Fecit Joas rectum coram Domino cunctis diebus, quibus docuit eum Joiada sacerdos, e no XI a oração de Ezequias doente, Obsecro, Domine: memento, quaeso, quomodo ambulaverim coram te in veritate et in corde perfecto. O cântico de Ezequias (Is 38) é cantado nas Laudes de terça-feira no segundo esquema do saltério. O Ofício do dia está no Breviário.
Como ler o IV Livro dos Reis
Tome-o em três movimentos: Eliseu (capítulos 1-8), o caminho para a queda de Samaria (9-17), o último século de Judá (18-25). Releia antes o fim do III Livro para a história de Elias, e leia Isaías 36-39 ao lado dos capítulos 18-20. O breve juízo que fecha cada reinado, “fez o que era reto” ou “fez o mal diante do Senhor”, é a chave que o autor sagrado dá de toda a história.
Perguntas Frequentes
O IV Livro dos Reis é o mesmo que 2 Reis?
Sim. A Vulgata e Figueiredo contam quatro livros dos Reis, dos quais os dois primeiros correspondem a 1 e 2 Samuel. O IV Livro dos Reis é, portanto, o segundo livro dos Reis das Bíblias modernas, e o III corresponde a 1 Reis.
Quem escreveu o livro de 2 Reis?
O livro não nomeia o seu autor. O Talmude o atribui ao profeta Jeremias, opinião tida por provável por muitos exegetas, já que o capítulo 52 de Jeremias retoma os capítulos 24 e 25 do IV Livro dos Reis. O autor se apoia nos anais dos reis e nos escritos dos profetas, que cita com frequência.
Quantos capítulos tem 2 Reis?
O IV Livro dos Reis tem vinte e cinco capítulos e 719 versículos na Vulgata e em Figueiredo. Os capítulos 1-8 contam sobretudo Elias e Eliseu, os capítulos 9-17 os dois reinos até a queda de Samaria, e os capítulos 18-25 Judá de Ezequias até o exílio.
Quem era o marido da viúva de 2 Reis 4?
A Escritura não diz o seu nome: era um dos filhos dos profetas, homem temente a Deus, que morreu endividado (2 Rs 4, 1). Flávio Josefo o identifica com Abdias, o mordomo de Acab que salvou cem profetas de Jezabel, mas essa identificação é uma tradição, não um dado do texto.
Por que Eliseu amaldiçoou os meninos de Betel?
Betel era o centro do culto idolátrico dos bezerros de ouro, e os jovens que insultavam o profeta desprezavam nele o Deus que o enviava. Os comentadores católicos explicam que a maldição não veio da ira, mas do zelo e de uma inspiração divina: foi Deus quem castigou a cidade (2 Rs 2, 23-24).
O que ensina a história de Naamã?
Naamã, general sírio leproso, fica curado ao lavar-se sete vezes no Jordão, depois de vencer o próprio orgulho por conselho dos servos, e confessa que não há outro Deus senão o de Israel. Cristo o cita em Lucas 4, 27, Santo Ambrósio vê nele uma figura do batismo, e a Igreja lê a narrativa na Missa da Quaresma.
Quando Jerusalém foi destruída por Nabucodonosor?
O IV Livro dos Reis conta duas etapas: a primeira deportação sob Joaquim, por volta de 597 antes de Cristo (capítulo 24), e depois a tomada da cidade, o incêndio do Templo e o exílio, no undécimo ano de Sedecias, por volta de 587 (capítulo 25). O exílio durará até o edito de Ciro, contado no começo do livro de Esdras.
Elias morreu?
O IV Livro dos Reis diz que Elias foi arrebatado ao céu num redemoinho, separado de Eliseu por um carro e cavalos de fogo (2, 11). A tradição católica sustenta que ele não conheceu a morte e que deve voltar antes da segunda vinda de Cristo, segundo a profecia de Malaquias e a palavra de Nosso Senhor em Mateus 17, 11.
O IV Livro dos Reis também se lê versículo por versículo, em português e em latim, no aplicativo Bíblia católica do Iter Fidei.
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