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O I Livro dos Reis (1 Samuel)
O I Livro dos Reis da Vulgata é o livro que as Bíblias modernas chamam 1 Samuel: a oração de Ana e o nascimento de Samuel, a escolha e a rejeição de Saul, a unção de Davi, o pastor de Belém que derruba Golias. Aqui você encontra os trinta e um capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica por que o livro tem dois nomes, quem foi o profeta Samuel, quem escreveu o livro, o resumo de cada parte e a leitura que a Igreja faz dele.
Ler I Reis: 31 capítulos
O livro que quase todos conhecem como 1 Samuel chama-se, na Vulgata e na Bíblia do Pe. Figueiredo, I Livro dos Reis. É uma das grandes narrativas da Escritura: uma mulher estéril que reza chorando no santuário de Silo, um menino que responde a Deus no meio da noite, um rei alto e belo que não sabe obedecer, um jovem pastor armado de funda. Os seus trinta e um capítulos vão do nascimento de Samuel à morte de Saul nos montes de Gelboé, e os Padres os leram inteiros como uma preparação de Cristo, Filho de Davi.
Por que 1 Samuel se chama “I Livro dos Reis”?
Entre os hebreus, a história de Samuel, de Saul e de Davi formava um só livro, intitulado Samuel. Os tradutores gregos da Setenta o dividiram em dois e o juntaram à história seguinte, formando quatro “livros dos Reinos”; São Jerônimo conservou esses quatro livros na Vulgata com o nome de Libri Regum, livros dos Reis, e Figueiredo, que traduz a Vulgata, os chama da mesma maneira. Daí uma correspondência que convém ter diante dos olhos:
| Vulgata e Figueiredo | Bíblias modernas |
|---|---|
| I Livro dos Reis | 1 Samuel |
| II Livro dos Reis | 2 Samuel |
| III Livro dos Reis | 1 Reis |
| IV Livro dos Reis | 2 Reis |
O “1 Reis” de uma Bíblia recente é, portanto, o nosso III Livro dos Reis, a história de Salomão: o texto é o mesmo, muda apenas o título. Para facilitar a vida de quem procura, este guia usa as abreviações modernas (1 Sm, 2 Sm, 1 Rs, 2 Rs), com os capítulos e versículos da Vulgata. Sobre a escolha de uma tradução e essas diferenças de nomes, veja qual a melhor Bíblia católica.
Quem foi Samuel na Bíblia?
Samuel é o último dos juízes de Israel e o primeiro dos grandes profetas depois de Moisés. O seu pai, Elcana, era «de Ramataim Sofim do monte de Efraim» (1 Sm 1, 1); a sua mãe, Ana, estéril e humilhada pela outra mulher, Fenena, subiu ao santuário de Silo e fez um voto: se Deus lhe desse um filho, «eu lho oferecerei por todos os dias da sua vida, e não passará navalha pela sua cabeça» (1 Sm 1, 11).
Ana rezava em silêncio, «e só se moviam os seus beiços» (1 Sm 1, 13), a ponto de o sacerdote Heli a julgar embriagada. O menino nasceu, e ela «pôs o nome de Samuel porque o tinha pedido ao Senhor» (1 Sm 1, 20). O texto liga o nome à oração da mãe; para a etimologia propõem-se “nome de Deus” ou “ouvido por Deus”, e a questão continua aberta.
Quem criou Samuel? O sacerdote Heli, em Silo. Desmamado, o menino foi levado «a Silo à casa do Senhor» (1 Sm 1, 24), e ali «ministrava diante do Senhor, vestido de um efod de linho» (1 Sm 2, 18). Chamado por Deus ainda menino, tornou-se o profeta de todo o Israel, «desde Dan até Bersabée» (1 Sm 3, 20), e «julgou a Israel durante tôda a sua vida» (1 Sm 7, 15). Ungiu os dois primeiros reis, Saul e depois Davi, e morreu antes de Saul, chorado por todo o Israel (1 Sm 25, 1).
A Escritura o põe ao lado de Moisés. Deus diz a Jeremias: «Ainda que Moisés, e Samuel se puserem diante de mim» (Jr 15, 1), e São Pedro faz começar por ele a série dos profetas: «todos os profetas desde Samuel, e quantos depois falaram, anunciaram êstes dias» (At 3, 24). A sua grandeza está na oração: «Longe de mim pois êste pecado contra o Senhor, que eu cesse de orar por vós» (1 Sm 12, 23).
Quem escreveu o livro de Samuel?
O livro não nomeia o seu autor, mas a tradição é clara. O Talmude babilônico (tratado Baba Bathra, 14b-15a) ensina que Samuel escreveu o livro que leva o seu nome e que os profetas Gad e Natã o completaram, já que nele se conta a morte de Samuel. O fundamento é um versículo dos Paralipômenos: «as primeiras e últimas ações do rei Davi estão escritas no Livro de Samuel o Vidente, e no livro do profeta Natan, e no volume de Gad o Vidente» (1 Cr 29, 29).
A opinião comum dos antigos comentadores católicos tira daí uma divisão simples: Samuel teria escrito a primeira parte, até o relato da sua morte no capítulo 25, e Gad e Natã teriam escrito o resto e todo o II Livro dos Reis. Gad acompanhava Davi na vida errante (1 Sm 22, 5); Natã foi o profeta da sua corte. Muitos exegetas católicos anteriores ao Concílio falam com mais prudência de um escritor inspirado, que permaneceu anônimo, e que teria ordenado os escritos desses três profetas numa obra única. A Pontifícia Comissão Bíblica não decidiu nada sobre o autor; a sua resposta de 23 de junho de 1905 pede apenas que os livros históricos sejam recebidos como história verdadeira, salvo provas sólidas em contrário. As teorias modernas de fontes e redações sucessivas continuam sendo hipóteses.
Quando foi escrito o livro de 1 Samuel?
Os fatos pertencem ao fim da época dos Juízes e ao começo da monarquia, por volta do século XI antes de Cristo. A substância vem de testemunhas dos acontecimentos, mas a forma final é um pouco posterior. Da cidade de Siceleg lê-se que «veio Siceleg aos reis de Judá, até ao dia de hoje» (1 Sm 27, 6): a observação supõe que já existiam “reis de Judá” distintos dos de Israel, e portanto que o reino já se dividira depois de Salomão. Por isso costuma-se situar a redação concluída depois desse cisma e antes do cativeiro da Babilônia, sem poder ser mais preciso.
Do que fala o livro de 1 Samuel? Resumo
Todo o livro segue um desígnio: Deus dá um rei a Israel, mas nas suas condições, e prepara a casa de Davi, da qual sairá o Rei eterno. Saul é eleito, posto à prova, achado infiel e rejeitado; Davi é guardado no meio de todos os perigos até que o trono lhe seja dado.
Samuel, Heli e a arca (capítulos 1-7)
O capítulo 1 se abre no santuário de Silo, com a oração de Ana e o nascimento de Samuel. O capítulo 2 traz o cântico de Ana, depois os crimes de Ofni e Fineias, filhos de Heli, «uns filhos de Belial, que não conheciam ao Senhor» (1 Sm 2, 12), e a profecia de um homem de Deus contra a sua casa. No capítulo 3, «Antes que se apagasse a lâmpada de Deus», o Senhor chama três vezes o menino adormecido no templo, e Samuel, instruído por Heli, responde: «Fala, Senhor, porque o teu servo ouve».
No capítulo 4, Israel leva a arca à batalha como um amuleto; os filisteus a tomam, os filhos de Heli são mortos e o velho sacerdote, ao ouvir a notícia, cai da cadeira e morre. Nos capítulos 5 e 6, a arca derruba o ídolo de Dagon em Azoto, fere as cidades filisteias e volta a Israel num carro novo puxado por duas vacas. No capítulo 7, Samuel reúne o povo arrependido em Masfat, o Senhor troveja contra os filisteus, e Samuel ergue a «Pedra do Socorro».
Israel pede um rei: Saul (capítulos 8-15)
No capítulo 8, os anciãos pedem um rei, «como o têm tôdas as nações», e o Senhor diz a Samuel: «não é a ti que êles rejeitam, mas a mim» (1 Sm 8, 7). Nos capítulos 9 e 10, Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim, sai à procura das jumentas do pai e encontra uma coroa: Samuel o unge em segredo, depois a sorte o designa diante do povo, que grita: «Viva o rei» (1 Sm 10, 24). A vitória de Jabes de Galaad o confirma (capítulo 11), e Samuel se despede do povo (capítulo 12).
Vem depois a queda. Saul oferece o holocausto sem esperar Samuel (capítulo 13); seu filho Jônatas, só com o escudeiro, põe os filisteus em fuga em Macmas (capítulo 14); por fim Saul poupa Agag, rei de Amalec, e o melhor do despojo, contra a ordem recebida, e Samuel pronuncia a sua rejeição definitiva (capítulo 15).
Davi na corte de Saul (capítulos 16-20)
No capítulo 16, Samuel vai a Belém, à casa de Isai (Jessé). O Senhor afasta os filhos mais velhos e escolhe o mais novo, que apascenta as ovelhas; Samuel o unge no meio dos irmãos, «E daquele dia em diante se comunicou sempre o espírito do Senhor a Davi» (1 Sm 16, 13). O espírito do Senhor se retira de Saul, e a harpa de Davi acalma o rei atormentado.
No capítulo 17, Davi enfrenta Golias de Get com uma funda e uma pedra. No capítulo 18, a alma de Jônatas se une à sua, enquanto o canto das mulheres, «Saul matou mil, e Davi dez mil» (1 Sm 18, 7), acende o ciúme do rei. Micol, e depois Jônatas, o salvam da lança de Saul (capítulos 19 e 20); é aí que Saul, furioso, insulta o próprio filho (1 Sm 20, 30).
Davi fugitivo e a morte de Saul (capítulos 21-31)
A partir do capítulo 21, Davi é um fugitivo. O sacerdote Aquimelec lhe dá os pães da proposição, e Davi se finge de louco diante de Aquis, rei de Get. Saul manda massacrar os sacerdotes de Nobe pela mão de Doeg, o idumeu (capítulo 22), e Davi vagueia pelo deserto de Zif (capítulo 23). Duas vezes tem Saul em seu poder, na caverna junto aos currais de ovelhas (capítulo 24) e no acampamento adormecido (capítulo 26), e duas vezes se recusa a estender a mão contra «o ungido do Senhor» (1 Sm 26, 9). Entre os dois episódios morre Samuel, e a sábia Abigail, «uma mulher prudentíssima e formosíssima», impede Davi de derramar sangue (capítulo 25).
Davi se refugia depois entre os filisteus e recebe Siceleg (capítulo 27). Saul, a quem Deus já não responde, consulta a pitonisa de Endor (capítulo 28); Davi é afastado do exército filisteu (capítulo 29) e retoma dos amalecitas tudo o que tinham levado de Siceleg (capítulo 30). Saul e Jônatas caem no monte Gelboé (capítulo 31). A narrativa continua sem interrupção no II Livro dos Reis, capítulo 1, com o lamento de Davi.
Temas e leitura católica
O cântico de Ana e o Magnificat
Antes mesmo que Israel tenha um rei, Ana canta o Messias: o Senhor «dará o império ao seu rei, e sublimará a glória do seu Cristo» (1 Sm 2, 10). É a primeira vez que a Escritura dá ao rei o título de Cristo, isto é, Ungido. As inversões do seu cântico, «O Senhor é o que empobrece e enriquece: êle abate e eleva» (1 Sm 2, 7), voltam quase palavra por palavra no cântico da Virgem: «Depôs do Trono os poderosos, e elevou os humildes» (Lc 1, 52). Santo Agostinho, no livro XVII da Cidade de Deus, ouve no canto de Ana a voz da Igreja. Compare os dois textos com a nossa página sobre o Magnificat.
Um sacerdócio novo e um rei novo
Santo Agostinho, no mesmo livro da Cidade de Deus, vê neste livro uma dupla substituição: o sacerdócio de Heli dá lugar a Samuel, o reino de Saul a Davi, e um e outro anunciam o dia em que o sacerdócio e o reino serão renovados por um só, sacerdote e rei ao mesmo tempo, Jesus Cristo. A promessa feita contra a casa de Heli é explícita: «eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que obrará segundo o meu coração e a minha alma» (1 Sm 2, 35). Cumpriu-se primeiro no sacerdócio de Sadoc, e plenamente em Cristo, Sacerdote eterno, cujo sacrifício se renova no altar.
A arca de Deus
Os capítulos 4-6 ensinam que a arca não é um talismã que se leva à guerra sem conversão, e que os ídolos caem diante dela. Para vencer, Samuel pede apenas isto: «preparai os vossos corações para o Senhor, e servi a êle só» (1 Sm 7, 3). A Igreja saúda a Virgem Maria como Foederis arca, Arca da aliança, na ladainha de Nossa Senhora, porque trouxe em si o Verbo feito carne. O comentário aos livros dos Reis que o Breviário atribui a São Gregório Magno vê Nossa Senhora já no primeiro versículo: o “monte de Efraim” de onde vem Elcana designa Maria, monte que ultrapassa a altura de toda criatura eleita.
Davi, figura de Cristo
Nascido em Belém, pastor, ungido em segredo, perseguido sem culpa, misericordioso para com o inimigo: os Padres reconheceram em Davi a imagem de Cristo. O próprio Nosso Senhor cita o episódio dos pães da proposição: «Não tendes lido o que fêz Davi, quando êle teve fome, e os que com êle estavam» (Mt 12, 3). Comentando o salmo 143, intitulado na Vulgata «Salmo de Davi. Contra Golias» (Sl 143, 1), Santo Agostinho vê no gigante derrubado o demônio vencido por Cristo. Sobre o salmo 33, cujo título lembra Davi que se fingiu de louco diante do rei de Get, Agostinho, que lia na antiga versão latina “era levado nas suas próprias mãos”, vê ali a Ceia, em que Cristo se levou a si mesmo nas mãos.
A obediência mais que as vítimas
Saul não é rejeitado por uma fraqueza, mas por ter posto a própria vontade no lugar da de Deus, pretendendo honrá-lo com o despojo. A resposta de Samuel continua sendo uma das palavras mais fortes do Antigo Testamento sobre o culto: «A obediência pois é melhor do que as vítimas: e mais vale obedecer do que oferecer a gordura dos carneiros» (1 Sm 15, 22). E acrescenta: «o resistir é como o pecado de adivinhação» (1 Sm 15, 23). Os autores espirituais viram aí o princípio de toda vida religiosa.
Samuel em Endor: como se explica 1 Samuel 28?
A cena do capítulo 28 ocupou muito os Padres. Santo Agostinho deixa em aberto se falou o próprio profeta ou um espírito que tomou a sua aparência. Mas o Eclesiástico, ao louvar Samuel, diz que depois de morto «apareceu ao rei, e lhe predisse o fim da sua vida» (Eclo 46, 23), e muitos intérpretes, entre eles Santo Tomás de Aquino, concluíram daí que Deus permitiu realmente à alma do profeta anunciar a Saul o seu fim. Em todo caso a cena não desculpa nenhuma adivinhação: os Paralipômenos contam entre as causas da morte de Saul que ele «consultara uma pitonisa» (1 Cr 10, 13), e o próprio Saul tinha antes «lançado fora da terra os mágicos, e adivinhos» (1 Sm 28, 3).
Versículos mais conhecidos de 1 Samuel
- 1 Samuel 1, 27: «Eu lhe pedi que me desse êste menino, e o Senhor me concedeu a petição, que eu lhe fiz». É o agradecimento de Ana, o versículo mais procurado do livro.
- 1 Samuel 2, 1-2: «O meu coração exultou ao Senhor […] Não há santo, como é o Senhor». E contra a casa de Heli: «eu glorificarei a quem me glorificar» (2, 30).
- 1 Samuel 3, 10: «Fala, Senhor, porque o teu servo ouve». É o texto clássico de toda vocação.
- 1 Samuel 7, 12: Samuel ergue uma pedra e chama aquele lugar «a Pedra do Socorro. E disse: Até aqui nos socorreu o Senhor». Outras traduções conservam o nome hebraico, Ebenézer, e dizem “até aqui nos ajudou o Senhor”.
- 1 Samuel 13, 14: «O Senhor buscou para si um homem segundo o seu coração». São Paulo aplica a palavra a Davi no discurso de Antioquia (At 13, 22).
- 1 Samuel 15, 22: «A obediência pois é melhor do que as vítimas».
- 1 Samuel 16, 7: «o homem vê o que está patente, mas o Senhor olha para o coração». As Bíblias modernas dizem “o homem vê a aparência”; o sentido é o mesmo.
- 1 Samuel 17, 45: «Tu vens a mim com espada, e lança, e escudo: eu porém venho a ti em nome do Senhor dos exércitos», e pouco depois: «o Senhor salva não pela espada, nem pela lança» (17, 47).
- 1 Samuel 18, 1: «a alma de Jônatas se conglutinou com a de Davi, e Jônatas o amou como a si mesmo». É o modelo bíblico da amizade santa.
- 1 Samuel 30, 6: quando os seus próprios homens querem apedrejá-lo, «Davi se confortou no Senhor seu Deus».
O I Livro dos Reis no cânon e na liturgia
O I Livro dos Reis é um livro protocanônico: judeus, católicos, ortodoxos e protestantes o recebem da mesma forma, e só o nome muda. O Concílio de Trento, na sessão IV (8 de abril de 1546), conta “quatro livros dos Reis” entre os livros sagrados e canônicos e declara autêntica a Vulgata. Na Bíblia católica ele vem depois de Juízes e de Rute, que termina justamente com a genealogia de Davi.
No Breviário romano de 1962, os livros dos Reis são lidos nas Matinas a partir da segunda-feira depois da Santíssima Trindade, com o título Incipit liber primus Regum, até o mês de agosto, quando entram os livros sapienciais. O primeiro responsório, Praeparate corda vestra Domino, et servite illi soli, vem das palavras de Samuel no capítulo 7, e outros responsórios desse tempo cantam Davi arrancado da boca do leão (Dominus, qui eripuit me de ore leonis) e o canto das mulheres (Percussit Saul mille, et David decem millia).
As antífonas do Magnificat das primeiras Vésperas dos domingos seguem a história: no II domingo depois de Pentecostes, Puer Samuel ministrabat ante Deum coram Heli; no III, Cognoverunt omnes a Dan usque Bersabee, quod fidelis Samuel propheta esset Domini; no IV, Praevaluit David in Philisthaeum in funda et lapide in nomine Domini.
O cântico de Ana, Exsultavit cor meum in Domino (2, 1-10), é cantado nas Laudes de quarta-feira no segundo esquema do saltério, o dos dias de penitência, com a antífona Exsultavit cor meum in Domino, qui humiliat et sublevat. E nos sábados de agosto, o Ofício de Nossa Senhora no sábado lê a passagem de São Gregório sobre o “monte de Efraim”. Vários salmos (numerados aqui segundo a Vulgata) têm um título que os liga à fuga de Davi diante de Saul: o salmo 33, o salmo 51 (Doeg, o idumeu), o salmo 53 (os zifeus), o salmo 56, o salmo 58 e o salmo 141. Rezam-se com proveito junto aos capítulos 21-26, e no Ofício do dia.
Como ler o I Livro dos Reis
Leia-o como uma narrativa, uma parte de cada vez: Samuel (capítulos 1-7), Saul (8-15), Davi na corte (16-20), Davi fugitivo (21-31). Observe três homens: Samuel que reza, Saul que não obedece, Davi que espera a hora de Deus sem forçá-la. Reze o cântico de Ana junto com o Magnificat, e os salmos da fuga junto aos capítulos do exílio. Depois passe logo ao II Livro dos Reis: os dois livros eram um só.
Perguntas Frequentes
Por que a Bíblia católica chama 1 Samuel de “I Livro dos Reis”?
Porque segue a Vulgata. A Setenta tinha reunido os livros de Samuel e dos Reis em quatro “livros dos Reinos”, e São Jerônimo os chamou os quatro livros dos Reis. O I Livro dos Reis de Figueiredo é, portanto, 1 Samuel; o II é 2 Samuel; o III e o IV são 1 e 2 Reis.
Quem foi Samuel na Bíblia?
Samuel, filho de Elcana e de Ana, foi consagrado a Deus desde o nascimento e criado pelo sacerdote Heli no santuário de Silo. Foi o último dos juízes de Israel e o primeiro dos grandes profetas depois de Moisés; ungiu Saul e depois Davi, e foi sepultado em Ramata.
Quem escreveu 1 e 2 Samuel?
O livro não nomeia o seu autor. Segundo o Talmude e os antigos comentadores, Samuel escreveu a primeira parte, até a sua morte no capítulo 25, e os profetas Gad e Natã o completaram (1 Paralipômenos 29, 29). Muitos admitem uma redação final de um autor inspirado que permaneceu anônimo.
Quem foi o primeiro rei de Israel?
Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim. Samuel o ungiu em segredo (capítulo 10), e depois a sorte o designou diante do povo. Rejeitado por Deus pela sua desobediência, reinou até morrer no monte Gelboé, e o reino passou a Davi.
Quantos capítulos tem 1 Samuel?
Trinta e um, com 811 versículos na Vulgata e em Figueiredo. Os capítulos 1-7 contam Samuel e a arca, os capítulos 8-15 o reinado de Saul, e os capítulos 16-31 a história de Davi até a morte de Saul.
O que diz 1 Samuel 7, 12?
Depois da vitória sobre os filisteus, Samuel ergueu uma pedra entre Masfat e Sen e a chamou «a Pedra do Socorro», dizendo: «Até aqui nos socorreu o Senhor». É um memorial de gratidão: tudo o que o povo recebeu até ali veio de Deus. As traduções do hebraico conservam o nome Ebenézer.
Onde está a história de Davi e Golias?
No capítulo 17 do I Livro dos Reis, isto é, 1 Samuel 17. Davi recusa a armadura de Saul, escolhe na torrente cinco pedras e derruba o gigante com um golpe de funda: «E assim venceu Davi ao filisteu com a funda e com a pedra» (1 Sm 17, 50).
O I Livro dos Reis também se lê versículo por versículo, em português e em latim, no aplicativo Bíblia católica do Iter Fidei.
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