A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
Salmo 18 (17 na Vulgata e na Ave-Maria): Diligam te, Domine, o cântico de Davi libertado
O salmo 18 das Bíblias modernas, 17 na Vulgata e na Bíblia Ave-Maria, é o *Diligam te, Domine, fortitudo mea*: a grande ação de graças de Davi salvo de Saul e de todos os seus inimigos, que se abre com uma declaração de amor a Deus. Abaixo está o texto completo na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica o sentido de cada parte, o versículo «quem é Deus fora do Senhor?», a leitura dos Padres, o uso na liturgia de 1962 e a maneira de rezá-lo.
Procura o salmo 17 na numeração das Bíblias traduzidas do hebraico? Ele está aqui: Salmo 16.
1 In finem. Puero Domini David, qui locutus est Domino verba cantici hujus, in die qua eripuit eum Dominus de manu omnium inimicorum ejus, et de manu Saul, et dixit :
1 Para o fim, a Davi, servo do Senhor, que pronunciou para glória do Senhor as palavras dêste cântico, no dia em que o Senhor o livrou da mão de todos os seus inimigos, assim como do poder de Saul, e disse:
2 Diligam te, Domine, fortitudo mea.
2 Eu te amarei, Senhor, que és a minha fortaleza:
3 Dominus firmamentum meum, et refugium meum, et liberator meus. Deus meus adjutor meus, et sperabo in eum ; protector meus, et cornu salutis meæ, et susceptor meus.
3 O Senhor é a minha firmeza, e o meu refúgio, e o meu libertador. Êle é meu Deus, meu favorecedor, e nêle esperarei. Meu protetor, e a fôrça da minha salvação, e meu amparador.
4 Laudans invocabo Dominum, et ab inimicis meis salvus ero.
4 Louvando-o, invocarei ao Senhor: E serei salvo de meus inimigos.
5 Circumdederunt me dolores mortis, et torrentes iniquitatis conturbaverunt me.
5 Cercaram-me dores de morte: E torrentes de iniqüidade me conturbaram.
6 Dolores inferni circumdederunt me ; præoccupaverunt me laquei mortis.
6 Dores de inferno me cercaram: Surpreenderam-me laços de morte.
7 In tribulatione mea invocavi Dominum, et ad Deum meum clamavi : et exaudivit de templo sancto suo vocem meam ; et clamor meus in conspectu ejus introivit in aures ejus.
7 Na minha tribulação invoquei o Senhor, e clamei ao meu Deus. E êle ouviu desde o seu santo templo a minha voz: E o clamor que eu dei na sua presença, entrou nos seus ouvidos.
8 Commota est, et contremuit terra ; fundamenta montium conturbata sunt, et commota sunt : quoniam iratus est eis.
8 Comoveu-se a terra, e tremeu: Os fundamentos dos montes estremeceram, e se abalaram, porque se indignou contra êles.
9 Ascendit fumus in ira ejus, et ignis a facie ejus exarsit ; carbones succensi sunt ab eo.
9 Subiu fumo na ira dêle: E saiu fogo ardendo do seu rosto: Por êle foram incendiados carvões.
10 Inclinavit cælos, et descendit, et caligo sub pedibus ejus.
10 Inclinou os céus, e desceu: E a obscuridade debaixo de seus pés.
11 Et ascendit super cherubim, et volavit ; volavit super pennas ventorum.
11 E subiu sôbre querubins, e voou: Voou sôbre as asas dos ventos.
12 Et posuit tenebras latibulum suum ; in circuitu ejus tabernaculum ejus, tenebrosa aqua in nubibus aëris.
12 E se ocultou nas trevas como em um pavilhão seu, que o cercava: Água tenebrosa nas nuvens do ar.
13 Præ fulgore in conspectu ejus nubes transierunt ; grando et carbones ignis.
13 Pelo resplendor da sua presença se desfizeram as nuvens em chuva de pedra, e carvões de fogo.
14 Et intonuit de cælo Dominus, et Altissimus dedit vocem suam : grando et carbones ignis.
14 E o Senhor trovejou desde o céu, e o Altíssimo fêz ouvir a sua voz: E caíram pedra e carvões de fogo.
15 Et misit sagittas suas, et dissipavit eos ; fulgura multiplicavit, et conturbavit eos.
15 E enviou as suas setas e desbaratou-os: Multiplicou relâmpagos, e os aterrou.
16 Et apparuerunt fontes aquarum, et revelata sunt fundamenta orbis terrarum, ab increpatione tua, Domine, ab inspiratione spiritus iræ tuæ.
16 E apareceram os mananciais das águas, e ficaram descobertos os fundamentos da terra: Às tuas ameaças, ó Senhor, ao sôpro impetuoso da tua ira.
17 Misit de summo, et accepit me ; et assumpsit me de aquis multis.
17 Enviou desde o alto, e me tomou: E me tirou das muitas águas.
18 Eripuit me de inimicis meis fortissimis, et ab his qui oderunt me. Quoniam confortati sunt super me ;
18 Êle me livrou de meus fortíssimos inimigos, e dos que me aborreciam: Porque se tinham feito mais poderosos do que eu.
19 prævenerunt me in die afflictionis meæ : et factus est Dominus protector meus.
19 Êles me atacaram no dia da minha aflição: E o Senhor se declarou meu protetor.
20 Et eduxit me in latitudinem ; salvum me fecit, quoniam voluit me,
20 Êle me tirou ao largo: Êle me salvou, por efeito de me querer bem.
21 et retribuet mihi Dominus secundum justitiam meam, et secundum puritatem manuum mearum retribuet mihi :
21 E o Senhor me retribuirá segundo a minha justiça, e êle me retribuirá segundo a pureza das minhas mãos.
22 quia custodivi vias Domini, nec impie gessi a Deo meo ;
22 Porque guardei os caminhos do Senhor, e não procedi impiamente contra o meu Deus.
23 quoniam omnia judicia ejus in conspectu meo, et justitias ejus non repuli a me.
23 Porque todos os seus juízos estão diante de mim: E porque não repeli de diante de mim as suas justiças.
24 Et ero immaculatus cum eo ; et observabo me ab iniquitate mea.
24 E serei sem mácula diante dêle: E me guardarei da minha iniqüidade.
25 Et retribuet mihi Dominus secundum justitiam meam, et secundum puritatem manuum mearum in conspectu oculorum ejus.
25 E o Senhor me retribuirá segundo a minha justiça: E segundo a pureza das minhas mãos que é presente aos seus olhos.
26 Cum sancto sanctus eris, et cum viro innocente innocens eris,
26 Tu serás santo com o santo, e serás inocente com varão inocente:
27 et cum electo electus eris, et cum perverso perverteris.
27 E com escolhido escolhido serás: E serás perverso com o perverso.
28 Quoniam tu populum humilem salvum facies, et oculos superborum humiliabis.
28 Porque tu salvarás ao povo humilde: E humilharás os olhos dos soberbos.
29 Quoniam tu illuminas lucernam meam, Domine ; Deus meus, illumina tenebras meas.
29 Pois que tu, Senhor, alumias a minha candeia: Esclarece, meu Deus, as minhas trevas.
30 Quoniam in te eripiar a tentatione ; et in Deo meo transgrediar murum.
30 Porque por ti sairei livre da tentação, e com o meu Deus traspassarei a muralha.
31 Deus meus, impolluta via ejus ; eloquia Domini igne examinata : protector est omnium sperantium in se.
31 Meu Deus, sem mácula é o caminho do Senhor: As suas palavras são examinadas no fogo: êle é o protetor de todos os que nêle esperam.
32 Quoniam quis deus præter Dominum ? aut quis deus præter Deum nostrum ?
32 Porque quem é Deus fora do Senhor? Ou que Deus há fora do nosso Deus?
33 Deus qui præcinxit me virtute, et posuit immaculatam viam meam ;
33 Êle é o Deus que me revestiu de fôrça: E fêz que o meu caminho fôsse imaculado.
34 qui perfecit pedes meos tamquam cervorum, et super excelsa statuens me ;
34 Que fêz os meus pés como de cervos, e me estabeleceu sôbre lugares altos.
35 qui docet manus meas ad prælium. Et posuisti, ut arcum æreum, brachia mea,
35 Que adestra as minhas mãos para a peleja: E formaste os meus braços, como arco de bronze.
36 et dedisti mihi protectionem salutis tuæ : et dextera tua suscepit me, et disciplina tua correxit me in finem, et disciplina tua ipsa me docebit.
36 Que me deste a tua proteção para me salvar: E a tua direita me susteve: A tua disciplina me corrigiu até o fim: E essa tua mesma disciplina ela me ensinará.
37 Dilatasti gressus meos subtus me, et non sunt infirmata vestigia mea.
37 Alargaste os meus passos debaixo de mim: E não se enfraqueceram os meus pés:
38 Persequar inimicos meos, et comprehendam illos ; et non convertar donec deficiant.
38 Perseguirei os meus inimigos, e apanhá-los-ei: E não me volverei até que êles acabem.
39 Confringam illos, nec poterunt stare ; cadent subtus pedes meos.
39 Eu lhes quebrarei as fôrças, e êles não poderão ter-se em pé: E cairão debaixo de meus pés.
40 Et præcinxisti me virtute ad bellum, et supplantasti insurgentes in me subtus me.
40 Porque tu me guarneceste de fôrça para a guerra: E abateste debaixo de mim aos que se levantaram contra mim:
41 Et inimicos meos dedisti mihi dorsum, et odientes me disperdidisti.
41 E fizeste que os meus inimigos me dessem costas, e aniquilaste aos que me aborreciam.
42 Clamaverunt, nec erat qui salvos faceret ; ad Dominum, nec exaudivit eos.
42 Gritaram, e não havia quem os salvasse, ao Senhor: E não os ouviu.
43 Et comminuam eos ut pulverem ante faciem venti ; ut lutum platearum delebo eos.
43 E os desfarei, como o pó que o vento espalha: Fá-los-ei desaparecer como a lama das ruas.
44 Eripies me de contradictionibus populi ; constitues me in caput gentium.
44 Livrar-me-ás das contradições do povo: Estabelecer-me-ás em cabeça das gentes.
45 Populus quem non cognovi servivit mihi ; in auditu auris obedivit mihi.
45 Um povo, que não conheci, me serviu: Ao ouvir a minha voz me foi obediente.
46 Filii alieni mentiti sunt mihi, filii alieni inveterati sunt, et claudicaverunt a semitis suis.
46 Os filhos estranhos me mentiram, os filhos estranhos se envelheceram, e claudicaram dos seus caminhos.
47 Vivit Dominus, et benedictus Deus meus, et exaltetur Deus salutis meæ.
47 Vive o Senhor, e seja bendito o meu Deus, e seja exaltado o Deus da minha salvação.
48 Deus qui das vindictas mihi, et subdis populos sub me ; liberator meus de inimicis meis iracundis.
48 Deus que me dás vinganças, e sujeitas os povos debaixo de mim, meu libertador dos meus inimigos enfurecidos.
49 Et ab insurgentibus in me exaltabis me ; a viro iniquo eripies me.
49 E tu me elevarás por cima daqueles, que se levantam contra mim: Tu me livrarás do homem iníquo.
50 Propterea confitebor tibi in nationibus, Domine, et nomini tuo psalmum dicam ;
50 Por isso eu, Senhor, te louvarei entre as nações: E cantarei um salmo ao teu nome.
51 magnificans salutes regis ejus, et faciens misericordiam christo suo David, et semini ejus usque in sæculum.
51 O qual engrandece com magnificência a salvação do seu rei, e que faz misericórdia a Davi seu Cristo, e a fará à sua posteridade por todos os séculos.
Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).
Salmo 18 ou salmo 17?
É o mesmo salmo com dois números. As Bíblias traduzidas do hebraico chamam-no salmo 18; a Vulgata, a versão grega dos Setenta, a liturgia da Igreja e as Bíblias católicas de numeração antiga, como a de Figueiredo e a Bíblia Ave-Maria, chamam-no salmo 17, porque juntam num só os salmos 9 e 10 do hebraico. Em latim ele começa com Diligam te, Domine, fortitudo mea. A tabela completa está na página dos Salmos.
Daí dois enganos comuns:
- na Bíblia Ave-Maria e nos livros litúrgicos, o salmo 18 é o Caeli enarrant: «Os céus publicam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos» (salmo 19 hebraico, 18 na Vulgata);
- o salmo 17 das Bíblias modernas é o Exaudi, Domine, justitiam meam, a súplica que vem antes deste: «Ouve, Senhor, a minha justiça: Atende ao meu humilde rogo» (salmo 17 hebraico, 16 na Vulgata).
Quanto aos versículos, Figueiredo conta o longo título como versículo 1. Nas Bíblias que não numeram o título, tudo fica um número atrás: o "Eu te amo, ó Senhor" do versículo 1 delas é aqui o versículo 2, e o versículo 31 delas é o nosso versículo 32.
O que significa o salmo 18? Explicação
O título diz a ocasião: Davi, «servo do Senhor», dirigiu-lhe este cântico «no dia em que o Senhor o livrou da mão de todos os seus inimigos, assim como do poder de Saul» (v. 1). A Escritura conservou-o duas vezes, quase palavra por palavra: aqui e no fim da história de Davi, no II Livro dos Reis (2 Samuel), capítulo 22, onde se lê: «E Davi falou ao Senhor as palavras dêste cântico, no dia em que o Senhor o livrou da mão de todos os seus inimigos, e da mão de Saul». É o canto que resume toda uma vida salva. A figura de Davi está apresentada em quem foi o rei Davi.
Uma declaração de amor (v. 2-4). Nenhum outro salmo começa assim: «Eu te amarei, Senhor, que és a minha fortaleza» (v. 2). O latim Diligam é um futuro: o amor é um propósito, mais que um sentimento. Seguem-se, um sobre o outro, como títulos acumulados, os nomes que Davi dá a Deus: «O Senhor é a minha firmeza, e o meu refúgio, e o meu libertador. Êle é meu Deus, meu favorecedor, e nêle esperarei. Meu protetor, e a fôrça da minha salvação, e meu amparador» (v. 3). Onde o hebraico diz "minha rocha", a Vulgata diz firmamentum meum, a minha firmeza; e a "força da minha salvação" traduz o latim cornu salutis meae, "chifre da minha salvação", porque na Bíblia o chifre é símbolo de força.
A angústia (v. 5-7). Davi lembra de onde vem: «Cercaram-me dores de morte: E torrentes de iniqüidade me conturbaram» (v. 5); «Dores de inferno me cercaram: Surpreenderam-me laços de morte» (v. 6). Então gritou, e Deus «ouviu desde o seu santo templo a minha voz» (v. 7).
Deus desce (v. 8-20). Vem a maior teofania do Saltério. A terra treme, sobe a fumaça, acende-se o fogo. «Inclinou os céus, e desceu: E a obscuridade debaixo de seus pés» (v. 10); «E subiu sôbre querubins, e voou: Voou sôbre as asas dos ventos» (v. 11). Deus troveja, lança as suas setas e os seus relâmpagos. Todo esse estrondo tem um único fim: «Enviou desde o alto, e me tomou: E me tirou das muitas águas» (v. 17). A razão está no versículo 20: «Êle me tirou ao largo: Êle me salvou, por efeito de me querer bem» (v. 20). O salmo, que começava com o amor de Davi por Deus, descobre o amor de Deus por Davi, que vinha antes.
A justiça do servo (v. 21-31). Davi diz depois: «E o Senhor me retribuirá segundo a minha justiça» (v. 21). Não pretende ser sem pecado; o Miserere dirá bem o contrário. Afirma que a sua causa era justa diante de Saul, que o perseguia sem motivo. Deus responde a cada um segundo o que ele é: «Tu serás santo com o santo, e serás inocente com varão inocente» (v. 26). No meio, uma oração para todas as noites: «Pois que tu, Senhor, alumias a minha candeia: Esclarece, meu Deus, as minhas trevas» (v. 29).
O rei vitorioso (v. 32-51). A última parte é um canto de vitória. Deus revestiu Davi de força, deu agilidade aos seus pés e é ele «que adestra as minhas mãos para a peleja» (v. 35). O salmo fecha com o louvor: «Por isso eu, Senhor, te louvarei entre as nações: E cantarei um salmo ao teu nome» (v. 50), e com a promessa feita a Davi, Deus «que faz misericórdia a Davi seu Cristo, e a fará à sua posteridade por todos os séculos» (v. 51). A palavra «Cristo» quer dizer aqui o ungido, o rei consagrado.
Salmo 18, versículo 32: «Quem é Deus fora do Senhor?»
O versículo 32 é o eixo do salmo: «Porque quem é Deus fora do Senhor? Ou que Deus há fora do nosso Deus?» (v. 32). As Bíblias traduzidas do hebraico dão à segunda pergunta a imagem da rocha: "quem é rochedo senão o nosso Deus?". A Vulgata diz duas vezes "Deus", mas o sentido é o mesmo: todas as libertações contadas no salmo vêm de um só Deus, e não há outro apoio. É uma profissão de fé no Deus único, a que Israel repetia diante dos ídolos das nações.
O Missal de 1962 uniu este versículo ao versículo 28 no Ofertório do VIII domingo depois de Pentecostes: Populum humilem salvum facies, Domine, et oculos superborum humiliabis: quoniam quis Deus praeter te, Domine? O Deus único é aquele que salva os humildes e abate os soberbos.
O Cristo no salmo 18
São Paulo cita o versículo 50 na Carta aos Romanos para mostrar que o louvor de Deus devia estender-se aos pagãos: «Por isso eu te confessarei, Senhor, entre os gentios, e entoarei cânticos de louvor ao teu nome» (Romanos 15,9). O fim do salmo ultrapassa, pois, Davi: aquele que louva a Deus entre as nações e a quem obedece «Um povo, que não conheci» (v. 45) é Cristo, filho de Davi, rei da Igreja reunida dos gentios.
Santo Agostinho, nas Enarrationes in Psalmos, lê o salmo inteiro assim: é Cristo e a Igreja, cabeça e corpo, que dizem Diligam te, Domine. As dores de morte e de inferno que cercam quem reza anunciam a Paixão e a descida de Cristo à mansão dos mortos; a mão estendida do alto, que o tira das muitas águas, é a Ressurreição; a descendência de Davi «por todos os séculos» é o reino que não terá fim.
Os Padres leram também as imagens guerreiras da última parte como imagens do combate espiritual: a força que cinge os rins, os pés ágeis, as mãos adestradas para a luta são as armas do cristão contra a tentação e contra o inimigo das almas.
O salmo 18 na liturgia de 1962
Nas Matinas de segunda-feira. No Breviário Romano de 1962, que segue o saltério semanal de São Pio X (1911), o salmo 17 forma sozinho o segundo noturno das Matinas de segunda-feira, dividido em três partes, com três antífonas tiradas do texto: Diligam te, Domine, virtus mea (v. 2), Retribuet mihi Dominus secundum justitiam meam (v. 21) e Vivit Dominus et benedictus Deus salutis meae (v. 47). No primeiro noturno, precede-o o salmo 16 da Vulgata, que é como a sua súplica preparatória. Pode-se rezá-lo no breviário.
No Missal. Poucos salmos deram tantos cantos à Missa:
- Septuagésima. O Intróito Circumdederunt me gemitus mortis, dolores inferni circumdederunt me (v. 5-7), com o versículo Diligam te, Domine, abre o tempo que prepara a Quaresma.
- II domingo depois de Pentecostes. O Intróito Factus est Dominus protector meus, et eduxit me in latitudinem (v. 19-20).
- Rogações. Na segunda-feira das Rogações, o Intróito é Exaudivit de templo sancto suo vocem meam, alleluja (v. 7).
- Terça-feira da Páscoa e segunda-feira de Pentecostes. O Ofertório Intonuit de caelo Dominus, et Altissimus dedit vocem suam: et apparuerunt fontes aquarum, alleluja (v. 14 e 16).
- Tempo da Paixão. O versículo 48, Liberator meus de gentibus iracundis, está no Gradual do domingo da Paixão e no Intróito da quarta-feira seguinte.
- IV domingo depois de Pentecostes. A Comunhão Dominus firmamentum meum, et refugium meum, et liberator meus (v. 3), que o sábado da quarta semana da Quaresma também canta no Ofertório.
- VIII domingo depois de Pentecostes. O Ofertório Populum humilem, já citado.
Como rezar o salmo 18
Depois de uma libertação. É antes de tudo o salmo da ação de graças. Depois de uma cura, de um perigo evitado, de uma prova superada, põe nos lábios a gratidão que nem sempre se sabe dizer. Prolonga a oração de agradecimento da tradição.
O primeiro versículo sozinho. Diligam te, Domine, fortitudo mea, «Eu te amarei, Senhor», pode ser repetido como jaculatória, ao acordar ou durante o dia: é um ato de amor a Deus numa só frase.
À noite. O versículo 29, «alumias a minha candeia», presta-se à oração antes do descanso.
No combate espiritual. Contra uma tentação persistente, reza-se a última parte do salmo, pedindo a Deus a força que deu a Davi, junto com o salmo 91 (90 na Vulgata), Qui habitat.
Termina-se com o Gloria Patri, como no Ofício. E a quem pergunta "para que serve o salmo 18": não serve como fórmula que funcione sozinha, e nenhum número de repetições o torna "forte"; atribuir-lhe tal poder seria superstição, que o primeiro mandamento proíbe (Catecismo, n. 2111). Serve para o que a Igreja faz com ele: amar a Deus, agradecer-lhe e confiar nele no meio da luta.
Perguntas Frequentes
Por que o salmo 18 se chama também salmo 17?
Porque a Vulgata e os Setenta, seguidos pela liturgia católica e pela Bíblia Ave-Maria, juntam num só os salmos 9 e 10 do hebraico. Daí em diante a numeração deles tem um número a menos. O salmo 18 hebraico é, pois, o salmo 17 da Vulgata, o Diligam te, Domine.
O que diz o salmo 18, versículo 2?
Em Figueiredo: «Eu te amarei, Senhor, que és a minha fortaleza». Como o versículo 1 é o título, é a primeira palavra da oração propriamente dita. Nas Bíblias que não numeram o título, é o versículo 1.
O que diz o salmo 18, versículo 32?
«Porque quem é Deus fora do Senhor? Ou que Deus há fora do nosso Deus?» As Bíblias traduzidas do hebraico o numeram 31 e falam da "rocha". É uma profissão de fé no Deus único, único apoio do homem.
Quem escreveu o salmo 18?
O título o atribui a Davi, «servo do Senhor», e o situa no dia em que Deus o livrou de Saul e de todos os seus inimigos. O mesmo cântico está na boca de Davi no II Livro dos Reis (2 Samuel), capítulo 22. A tradição o recebe como inspirado pelo Espírito Santo.
Qual é o significado do salmo 18?
É a ação de graças de um homem que Deus salvou da morte. Canta o amor do fiel por Deus, a intervenção de Deus que desce do céu para libertá-lo e depois a vitória do rei. Os Padres leem nele a Paixão, a Ressurreição e o reino universal de Cristo.
O salmo 18 é o mesmo que o "Os céus publicam a glória de Deus"?
Não. O Caeli enarrant é o salmo 18 da Vulgata e da Bíblia Ave-Maria, mas o salmo 19 das Bíblias modernas. O salmo 18 das Bíblias modernas é o Diligam te, Domine desta página.
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