A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
O livro da Sabedoria
O livro da Sabedoria, escrito em nome de Salomão, ensina que a alma dos justos é imortal, descreve a Sabedoria divina como «o clarão da luz eterna» e relê o Êxodo à sua luz. Abaixo estão os dezenove capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia apresenta o autor, a data, o resumo, os versículos mais conhecidos e o lugar do livro na liturgia.
Ler Sabedoria: 19 capítulos
O livro da Sabedoria é o mais jovem dos livros sapienciais e aquele que anuncia mais claramente o Novo Testamento. Escrito em grego, em nome de Salomão, dirige-se aos que «julgais a terra» e lhes ensina que a justiça é imortal. Responde aos ímpios que dizem que tudo acaba com a morte e mostra que «as almas dos justos estão na mão de Deus» (Sb 3,1). Faz depois o retrato da Sabedoria divina, sopro do poder de Deus e reflexo da sua luz, e relê toda a história sagrada, sobretudo a saída do Egito, como obra dessa Sabedoria.
Muita gente conhece o livro sem saber: é dele a leitura «as almas dos justos estão na mão de Deus», ouvida nas Missas dos mártires e meditada diante da morte de quem amamos. A Igreja tirou dele algumas das páginas mais belas da sua liturgia, do intróito de Pentecostes ao do domingo na oitava do Natal; os Padres leram nele a Paixão do Justo, e o Novo Testamento fala do Filho de Deus com as mesmas palavras que este livro usa para a Sabedoria. Na Bíblia católica ele vem depois do Cântico dos Cânticos e antes do Eclesiástico; as Bíblias protestantes não o trazem.
Quem escreveu o livro da Sabedoria?
O livro fala com a voz de Salomão. Sem dizer o nome, o autor se apresenta como o rei escolhido por Deus para governar o seu povo e lhe construir um templo: «Tu me escolheste para ser rei do teu povo, e para juiz dos teus filhos, e filhas» (Sb 9,7). Retoma a oração que Salomão fez em Gabaon para obter a sabedoria, tal como a conta o III Livro dos Reis (1 Reis), no capítulo 3: «Tu pois darás a teu servo um coração dócil».
Por isso os manuscritos gregos, siríacos e latinos antigos trazem o nome de Salomão, e os primeiros escritores cristãos citam muitas vezes o livro como “Sabedoria de Salomão”. É daí que vem a busca, tão frequente, pelo “livro da sabedoria de Salomão”: é este mesmo livro, ao lado dos Provérbios, do Eclesiastes e do Cântico.
A Igreja, porém, nunca se prendeu a Salomão como escritor, e os Padres falam do assunto com prudência. Santo Agostinho, na Cidade de Deus (XVII, 20), conta que o costume atribuía a Sabedoria e o Eclesiástico a Salomão por certa semelhança de estilo, que os mais doutos não duvidam de que não são dele, mas que a Igreja, sobretudo no Ocidente, os recebeu desde muito tempo com autoridade. São Jerônimo, no prefácio aos livros de Salomão, observa que o livro não existe entre os hebreus, que o próprio estilo cheira à eloquência grega e que alguns antigos o atribuíam ao judeu Fílon. O fragmento de Muratori o diz escrito por amigos de Salomão, em sua honra.
A resposta católica é, portanto, esta. O autor principal é o Espírito Santo, como de todo livro que a Igreja recebeu como sagrado e canônico. O autor humano é um sábio judeu inspirado, muito provavelmente de Alexandria, no Egito, que escreveu na pessoa de Salomão, tomando a sabedoria do rei como modelo; o seu nome é desconhecido. A Igreja definiu a canonicidade do livro, não o seu autor humano.
Quando foi escrito o livro da Sabedoria?
A Sabedoria é um dos últimos livros do Antigo Testamento. Foi escrita em grego, não em hebraico: nunca se conheceu um texto hebraico dela, e São Jerônimo já o notava. A sua cultura é a da comunidade judaica de Alexandria sob os Ptolomeus, e a longa reflexão sobre o Egito e sobre a idolatria convém a um povo que vivia entre pagãos e sofria pela sua fé. Os comentadores católicos a situam em geral entre o século II e o século I antes de Cristo; a data exata é incerta, e a Igreja não fixou nenhuma.
O texto latino da Vulgata não é tradução de São Jerônimo: ele não reviu este livro, e a Igreja conservou a antiga versão latina, anterior a ele, que Figueiredo traduz aqui. Por isso alguns versículos têm número diferente nas Bíblias modernas, feitas sobre o grego. No capítulo 6 a Vulgata tem um versículo a mais no começo: o elogio «Esclarecida é a sabedoria, e tal que nunca se murcha» é aqui o 6,13, e em outras Bíblias o 6,12. No capítulo 11 a numeração também se desloca de um: o célebre «tôdas as coisas dispuseste com medida, e conta, e pêso» é aqui o 11,21, e em outras Bíblias o 11,20.
Do que fala o livro da Sabedoria? Resumo
Costuma-se dividir o livro em três partes: os capítulos 1-6 exortam os governantes a amar a justiça e a sabedoria; os capítulos 7-9 ensinam que a sabedoria vem só de Deus e se obtém pela oração; os capítulos 10-19 mostram a sua obra na história do povo de Deus.
A sabedoria, a justiça e a imortalidade (capítulos 1-6)
O livro se abre com um apelo: «Amai a justiça, vós os que julgais a terra. Senti bem do Senhor, e buscai-o com simplicidade de coração» (Sb 1,1). A morte não é obra de Deus: «Porque Deus não fêz a morte, nem se alegra na perdição dos vivos» (Sb 1,13). No capítulo 2 falam os ímpios: a vida é curta, depois dela não há nada, gozemos os bens presentes, «Coroemo-nos de rosas, antes que se murchem» (2,8), e esmaguemos o justo que nos lança em rosto os nossos pecados: «Condenemo-lo a uma morte mais infame» (Sb 2,20).
Os capítulos 3-5 respondem. As almas dos justos estão na mão de Deus; o justo que morre cedo «estará em descanso» (Sb 4,7); no juízo os ímpios verão os justos «contados entre os filhos de Deus» (Sb 5,5) e confessarão o seu erro: «De que nos aproveitou a soberba?» (5,8). «Mas os justos viverão para sempre, e a sua recompensa está no Senhor» (Sb 5,16). O capítulo 6 se volta para os reis: «amai a sabedoria, para reinardes eternamente» (Sb 6,22).
A natureza da Sabedoria e a oração de Salomão (capítulos 7-9)
Falando como Salomão, o autor conta que nasceu mortal como todo homem (Sb 7,1), que rezou, «Invoquei o Senhor, e veio a mim o espírito da sabedoria» (Sb 7,7), e que a preferiu aos reinos e aos tronos. Segue o grande retrato da Sabedoria, com a sua longa ladainha de atributos, «santo, único, multíplice, sutil» (7,22): «é um vapor da virtude de Deus, e uma como sincera emanação da claridade do Onipotente Deus» (Sb 7,25). No capítulo 8 ele a deseja por esposa, «A esta eu amei, e requestei desde a minha mocidade» (8,2), porque ela ensina as virtudes e dá a imortalidade. O capítulo 9 é a oração de Salomão para obtê-la: «Deus de meus pais, e Senhor de misericórdia, que fizeste tudo pela tua palavra» (Sb 9,1).
A Sabedoria na história sagrada e o Êxodo (capítulos 10-19)
A última parte relê a história da salvação como obra da Sabedoria. O capítulo 10 a segue desde Adão, a quem ela guardou «e o tirou do seu pecado» (Sb 10,2), até Noé, Abraão, Ló, Jacó e José, e até a passagem do mar Vermelho; os nomes não são ditos, mas os relatos do Gênesis e do Êxodo se reconhecem sem esforço. Os capítulos 11 e 12 mostram a misericórdia de Deus até nos castigos do Egito e de Canaã: «Tu tens compaixão de todos, porque tudo podes, e dissimulas os pecados dos homens para que façam penitência» (Sb 11,24).
Os capítulos 13 a 15 são uma longa acusação contra a idolatria: os homens deviam ter reconhecido o Criador pelas suas obras, e «o primeiro ensaio da formatura dos ídolos foi o princípio da fornicação: E o seu último descobrimento foi a corrupção da vida» (Sb 14,12). Os últimos capítulos, do 16 ao 19, comparam as pragas do Egito com os benefícios dados a Israel: a serpente de bronze, pela qual não foi uma erva que curou, «mas sim a tua palavra, Senhor, que sara tôdas as coisas» (Sb 16,12), o maná, a coluna de fogo, a noite da Páscoa (capítulo 18).
Sabedoria 3,1-9: «as almas dos justos estão na mão de Deus»
É a página mais amada do livro e a mais procurada (“leitura do livro da Sabedoria 3,1-9”). Eis o texto de Figueiredo (Sb 3,1-9): «Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam: E o seu trânsito foi reputado por aflição: E a jornada que fazem separando-se de nós, extermínio: Mas êles estão em paz» (3,1-3). E adiante: «Êle os provou como ouro na fornalha, e os recebeu como uma hóstia de holocausto» (3,6); «Os justos resplandecerão, e como faíscas por um canavial discorrerão» (3,7); «Porque o dom e a paz é para os seus escolhidos» (3,9).
O trecho responde aos ímpios do capítulo 2, para quem a morte é o fim de tudo. A morte do justo é só aparência aos olhos de quem não tem fé: a sua alma vive, guardada por Deus, e a provação o purificou como o ouro no crisol. Não é um consolo vago: é um dos testemunhos mais claros do Antigo Testamento sobre a imortalidade da alma, o juízo e a recompensa eterna. «Aquêles que confiam nêle, terão inteligência da verdade» (3,9).
Nos funerais celebrados segundo o rito atual, Sabedoria 3,1-9 é uma das primeiras leituras mais escolhidas, junto com Sabedoria 4,7-15, sobre o justo que morre cedo. No Missal de 1962 as epístolas das Missas de defuntos são outras: no dia de Finados, I Coríntios 15, II Macabeus 12 e Apocalipse 14. Mas o texto está muito presente na liturgia antiga: é a epístola (3,1-8) de uma das Missas comuns de vários mártires, o seu começo, Justorum animae in manu Dei sunt, é o ofertório da festa de Todos os Santos, em 1º de novembro, e o mesmo capítulo dá também o ofertório e a comunhão (Sb 3,4-6) de Missas comuns de vários mártires; no Breviário, Sabedoria 3,1-3 é o capítulo das Laudes e das Vésperas do comum de vários mártires.
Temas e leitura católica
A alma imortal e o pecado original
A Sabedoria ensina, tão claramente quanto nenhum outro livro do Antigo Testamento, que o homem foi criado para a incorruptibilidade: «Porquanto Deus criou o homem inexterminável, e o fêz à imagem da sua semelhança. Mas por inveja do diabo entrou no mundo a morte» (Sb 2,23-24). Este versículo é um dos textos clássicos da doutrina do pecado original e da obra do demônio: a morte não estava no desígnio de Deus, entrou com o pecado. Sobre o que vem depois da morte, veja o que acontece após a morte.
A Paixão do Justo
Santo Agostinho escreve na Cidade de Deus (XVII, 20) que neste livro a Paixão de Cristo é profetizada muito abertamente, e cita todo o trecho do capítulo 2 (versículos 12-21). O justo «se chama a si Filho de Deus» (Sb 2,13), e os seus inimigos dizem: «Porque se é verdadeiro Filho de Deus, êle o amparará, e o livrará das mãos dos contrários» (Sb 2,18). Ao pé da Cruz, os príncipes dos sacerdotes repetem isso quase palavra por palavra: «Confiou em Deus; livre-o lá agora, se é seu amigo, porque êle disse: Eu, pois, sou Filho de Deus» (Mt 27,43).
A Sabedoria e o Verbo
O que este livro diz da Sabedoria, o Novo Testamento o diz do Filho. A Sabedoria «é o clarão da luz eterna, e o espelho sem mácula da majestade de Deus, e a imagem da sua bondade» (Sb 7,26); o Filho é «o resplendor da glória e a figura da sua substância» (Hb 1,3). A Sabedoria estava com Deus «quando fazias a redondeza da terra» (9,9), e Salomão pede a Deus que envie «desde o mais alto dos Céus» o seu santo espírito (9,17). A tradição cristã sempre leu a Sabedoria divina como cumprida em Cristo, «virtude de Deus, e sabedoria de Deus» (1 Cor 1,24).
O maná e a Eucaristia
O livro chama o maná «o mantimento dos anjos», um pão vindo do céu, «que tinha em si tôda a delícia, e a suavidade de todo o sabor» (Sb 16,20). Nosso Senhor retomou o maná como figura do verdadeiro Pão: «meu Pai é o que vos dá o verdadeiro pão do Céu» (Jo 6,32). O versículo do Ofício de Corpus Christi, Panem de caelo praestitisti eis, ecoa este trecho, e o Missal de 1962 o canta na comunhão do XIII domingo depois de Pentecostes: Panem de caelo dedisti nobis, Domine. Veja também a Eucaristia.
Conhecer Deus pelas criaturas
«Porque pela grandeza da formosura e da criatura se poderá visìvelmente chegar ao conhecimento do criador delas» (Sb 13,5). São Paulo faz o mesmo raciocínio contra os idólatras: «as suas perfeições invisíveis, tornadas compreensíveis depois da criação do mundo, consideradas pelas obras que foram feitas» (Rm 1,20). É o fundamento bíblico do ensinamento da Igreja sobre o conhecimento natural de Deus pela razão.
As virtudes cardeais
A Sabedoria é o lugar da Escritura em que as quatro virtudes cardeais aparecem nomeadas juntas: a sabedoria «ensina a temperança, e a prudência, e a justiça, e a fortaleza, que é o mais útil que há na vida para os homens» (Sb 8,7); veja as virtudes. E a sabedoria é um dom que se pede: «Encaminhei-me ao Senhor, e fiz-lhe a minha súplica» (8,21).
Versículos mais conhecidos do livro da Sabedoria
- Sb 1,7: «o espírito do Senhor encheu a redondeza da terra», em latim Spiritus Domini replevit orbem terrarum, o intróito de Pentecostes.
- Sb 2,1-9: o discurso dos ímpios, «Curto é, e com tédio se passa o tempo da nossa vida», até o «Coroemo-nos de rosas».
- Sb 4,8-9: «a velhice venerável não é a diuturna, nem a computada pelo número dos anos […] e a idade da velhice é a vida imaculada».
- Sb 6,13-15 (6,12-14 nas Bíblias modernas): a Sabedoria se deixa achar por quem a busca, «Aquêle que vigia desde manhã para a possuir, não terá trabalho: Porque êle a achará sentada à sua porta» (6,15).
- Sb 7,7-8: a sabedoria preferida aos tronos, «e julguei que as riquezas nada valiam em sua comparação».
- Sb 8,1: «A sabedoria pois toca desde uma extremidade até à outra com fortaleza, e dispõe tôdas as coisas com suavidade». É uma das fontes da grande antífona O Sapientia, cantada no Magnificat em 17 de dezembro; veja o Advento.
- Sb 9,13-18: «que homem poderá saber o conselho de Deus?», e «o corpo, que se corrompe, faz pesada a alma» (9,15). É a leitura que muitos procuram como “Sabedoria 9,13-18”.
- Sb 11,21 (11,20 nas Bíblias modernas): «tôdas as coisas dispuseste com medida, e conta, e pêso», versículo que Santo Agostinho meditou muitas vezes.
- Sb 11,23-26: o mundo diante de Deus é «como uma gôta de orvalho da madrugada», e «tu amas tôdas as coisas que existem, e não aborreces nada de quanto fizeste» (11,25).
- Sb 18,14-15: «quando tudo repousava num profundo silêncio, e a noite estava no meio do seu curso, a tua palavra tôda-poderosa baixando lá do Céu desde os teus reais assentos». Dito da noite pascal no Egito, a Igreja o aplica à noite de Natal.
O livro da Sabedoria no cânon e na liturgia
Por que a Sabedoria está na Bíblia católica?
A Sabedoria faz parte dos livros sapienciais do Antigo Testamento católico, com Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes, o Cântico e o Eclesiástico. É um dos sete livros deuterocanônicos, com Tobias, Judite, o Eclesiástico, Baruc e os dois livros dos Macabeus: nunca esteve no cânon hebraico, mas pertencia à Setenta, a Bíblia grega dos Apóstolos e da Igreja primitiva. Os concílios de Hipona (393) e de Cartago (397) a contam entre os “cinco livros de Salomão”, isto é, Provérbios, Eclesiastes, Cântico, Sabedoria e Eclesiástico. O Concílio de Florença (1442) retomou esse cânon, e o Concílio de Trento, na sessão IV (8 de abril de 1546), nomeou a Sabedoria entre os livros sagrados e canônicos. A Bíblia católica tem 73 livros; veja quantos livros tem a Bíblia católica.
As Bíblias protestantes não a trazem, porque os Reformadores tomaram por regra o cânon hebraico mais curto. Lutero a colocou entre os «apócrifos», entre os dois Testamentos, na sua Bíblia de 1534; a Confissão de Westminster (1646) negou a esses livros qualquer autoridade, e a maioria das edições protestantes acabou por omiti-los. Santo Agostinho já respondera, no tratado Sobre a predestinação dos santos, que a Igreja ouvia este livro com a veneração devida à autoridade divina.
No Breviário e no Missal de 1962
- O Ofício do tempo. No Breviário romano, a Sabedoria é lida nas Matinas da terceira semana de agosto, depois dos Provérbios e do Eclesiastes e antes do Eclesiástico.
- Pentecostes. O intróito Spiritus Domini replevit orbem terrarum é tirado de Sabedoria 1,7; ver Pentecostes.
- O tempo do Natal. O intróito Dum medium silentium do domingo na oitava do Natal é Sabedoria 18,14-15.
- Quarta-feira de Cinzas. O intróito Misereris omnium, Domine retoma Sabedoria 11,24-25 e 27; ver a Quarta-feira de Cinzas.
- Quinta-feira da oitava da Páscoa. O intróito Victricem manum tuam vem de Sabedoria 10,20-21.
- XIII domingo depois de Pentecostes. A comunhão Panem de caelo dedisti nobis é Sabedoria 16,20.
- Transfiguração (6 de agosto). O versículo do Aleluia, Candor est lucis aeternae, é Sabedoria 7,26.
- Todos os Santos (1º de novembro). O ofertório Justorum animae in manu Dei sunt é Sabedoria 3,1-3.
- Os santos. As Missas dos mártires tiram muitas epístolas dos capítulos 3, 5 e 10; a festa dos apóstolos São Filipe e São Tiago (11 de maio) lê Sabedoria 5,1-5, «Então se levantarão os justos com grande afouteza contra aquêles que os atribularam» (Sb 5,1), e a de Santo Tomás de Aquino (7 de março) lê Sabedoria 7,7-14.
Como ler o livro da Sabedoria
Leia-o em três vezes, seguindo as suas três partes: os capítulos 1-6 sobre a sorte dos justos e dos ímpios, os capítulos 7-9 sobre a própria Sabedoria, os capítulos 10-19 sobre o Êxodo. Tenha o Êxodo aberto para a última parte, cujas alusões supõem que se conheça o relato. Leia o capítulo 2 na Semana Santa, ao lado da Paixão segundo São Mateus; o capítulo 3 em Finados ou quando morre alguém querido; o capítulo 9 como oração antes do estudo ou de uma decisão difícil. Onde o latim da coluna ao lado é o da liturgia (Justorum animae, Dum medium silentium), compare: você reconhecerá os cantos da Missa. Todos os livros estão reunidos na Bíblia do Iter Fidei, e o texto se lê também no aplicativo Bíblia católica.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu o livro da Sabedoria?
O livro é escrito em nome do rei Salomão, e os manuscritos antigos trazem o seu nome. Mas os Padres, a começar por Santo Agostinho e São Jerônimo, reconheceram que ele foi composto em grego, muito depois de Salomão, por um sábio judeu, muito provavelmente de Alexandria, cujo nome não se conhece. O seu autor principal é o Espírito Santo, e a Igreja definiu que o livro é inspirado.
Quando foi escrito o livro da Sabedoria?
Provavelmente entre os séculos II e I antes de Cristo, em Alexandria do Egito: é um dos últimos livros do Antigo Testamento. A data exata é incerta, e a Igreja não a fixou. Foi escrito diretamente em grego.
Onde fica o livro da Sabedoria na Bíblia?
No Antigo Testamento, entre os livros sapienciais: depois do Cântico dos Cânticos e antes do Eclesiástico. Só as Bíblias católicas (e ortodoxas) o trazem; nas protestantes ele falta.
Do que fala o livro da Sabedoria?
Ensina que a justiça é imortal e que as almas dos justos estão na mão de Deus (capítulos 1-6), faz o retrato da Sabedoria divina e traz a oração de Salomão para obtê-la (7-9), e relê a história sagrada, sobretudo o Êxodo, como obra da Sabedoria (10-19). Contém também uma longa crítica da idolatria.
Por que o livro da Sabedoria não está na Bíblia protestante?
Porque não pertence ao cânon hebraico: foi escrito em grego e transmitido pela Setenta. Os Reformadores o relegaram aos «apócrifos», e a maioria das Bíblias protestantes acabou por omiti-lo. A Igreja católica o recebe como Escritura inspirada, segundo os concílios de Hipona e Cartago, de Florença e de Trento.
Qual é a relação entre o livro da Sabedoria e Jesus Cristo?
O Novo Testamento aplica a Cristo o que o livro diz da Sabedoria divina: Ele é «o resplendor da glória» do Pai (Hb 1,3), como a Sabedoria é «o clarão da luz eterna» (Sb 7,26), e São Paulo o chama «sabedoria de Deus» (1 Cor 1,24). Os Padres viram ainda no Justo perseguido do capítulo 2 uma profecia da Paixão.
Quantos capítulos tem o livro da Sabedoria?
Dezenove, na Vulgata como nas Bíblias modernas. A numeração de alguns versículos difere de um nos capítulos 6 e 11, porque a Vulgata segue a antiga versão latina.
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