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O Cântico dos Cânticos: o amor de Cristo e da sua Igreja
O Cântico dos Cânticos, que a tradição atribui ao rei Salomão, é o diálogo de amor do Esposo e da Esposa, que a Igreja lê como o canto do amor de Cristo pela Igreja, pela alma fiel e pela Virgem Maria. Abaixo estão os oito capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica quem escreveu o livro, o resumo, o seu significado, as passagens mais belas e o seu uso na liturgia.
Ler Cântico dos Cânticos: 8 capítulos
O Cântico dos Cânticos é o mais breve dos livros sapienciais e aquele que os santos mais amaram. Não traz leis, nem narrativas, nem ensinamentos diretos: é um diálogo de amor entre um Esposo e uma Esposa, interrompido pelas intervenções de um coro, as «filhas de Jerusalém». A Esposa procura, encontra, perde e torna a encontrar o seu Amado; o Esposo a chama, a louva, a declara única. O título, segundo o superlativo hebraico (como "Santo dos santos" ou "Rei dos reis"), quer dizer o cântico mais belo, o cântico por excelência.
A Igreja nunca viu nele um simples poema profano: como a Sinagoga lia nele o amor de Deus por Israel, ela ouve nele o amor de Cristo pela sua Igreja, por toda alma que Ele chama à união e, antes de todas, pela Virgem Maria. Por isso um livro tão curto, e muitas vezes desconcertante para o leitor moderno, alimentou tantos comentários, de Orígenes a são Bernardo, e tantas antífonas da liturgia mariana.
Quem escreveu o Cântico dos Cânticos?
A Sinagoga e a Igreja receberam o Cântico como obra do rei Salomão, filho de Davi. É o que diz o título latino, Canticum Canticorum Salomonis. Salomão é nomeado no texto: a Esposa se diz bela «como os pavilhões de Salomão» (Ct 1,4), e o capítulo 3 descreve o seu leito e o seu cortejo: «Eis-aqui o leito de Salomão, ao qual rodeiam sessenta valentes dos mais fortes de Israel» (Ct 3,7).
No fim do livro, a Vulgata traduz o nome hebraico de Salomão por «o pacífico»: «O pacífico teve uma vinha naquela que tem povos» (Ct 8,11). O Esposo é um rei, e a Esposa é chamada «sulamita» (6,12), nome que muitos aproximam do próprio nome de Salomão. O livro convém ao rei de quem a Escritura diz: «Propôs também Salomão três mil parábolas: E foram os seus cânticos mil e cinco» (1 Rs 4,32, o III Livro dos Reis de Figueiredo). Para a vida do rei, veja quem foi Salomão.
Os doutores judeus e os Padres, de Orígenes a são Gregório Magno, comentaram o Cântico como obra de Salomão. Desde o século XIX, muitos críticos pensam num poeta mais tardio ou numa coleção de cantos de amor reunida depois do exílio. A tradição da Igreja nomeia Salomão; a Igreja não definiu nada sobre o autor humano, mas sempre recebeu o livro como inspirado.
Quando foi escrito?
Se é de Salomão, o Cântico pertence ao seu reinado, no século X antes de Cristo, a idade de ouro de Israel, a da construção do Templo. Com os Provérbios e o Eclesiastes, forma os três livros de Salomão. Orígenes, no prólogo do seu comentário, vê neles uma escada: os Provérbios ensinam o principiante a viver bem, o Eclesiastes a desprezar as coisas que passam, e o Cântico conduz a alma purificada ao amor de Deus. Os críticos modernos que o datam depois do exílio se apoiam em alguns traços do vocabulário hebraico; são argumentos discutidos, e a Igreja não fixou data alguma.
Do que fala o Cântico dos Cânticos? Resumo
O Cântico é um diálogo. Fala a Esposa, responde o Esposo, e o coro das filhas de Jerusalém pergunta e escuta; Figueiredo indica em cada fala quem toma a palavra («A espôsa», «O espôso», «As filhas de Jerusalém»). As cenas se ligam por um refrão que volta três vezes, «Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, pelas cabras montesas, e veados do campo, que não perturbeis à minha amada o seu descanso» (Ct 2,7; 3,5; 8,4), e por um movimento constante de união, perda e reencontro.
O desejo da Esposa (1,1-2,7)
O poema começa no coração do desejo, com o beijo pedido ao Esposo (Osculetur me osculo oris sui), e logo a Esposa suplica: «Leva-me contigo: Nós correremos após de ti ao cheiro dos teus bálsamos» (Ct 1,3). Diz de si: «Eu sou trigueira, mas formosa, ó filhas de Jerusalém, assim como as tendas de Cedar, como os pavilhões de Salomão» (Ct 1,4), e pergunta ao pastor: «Amado da minha alma, aponta-me onde é que tu apascentas o teu gado, onde te encostas pelo meio-dia» (Ct 1,6).
No capítulo 2 descansa à sua sombra, «E o seu fruto é doce à minha garganta», e acrescenta: «Êle me fêz entrar na adega, onde mete o seu vinho, ordenou em mim a caridade» (Ct 2,4). Os Padres amaram essa última palavra, ordinavit in me caritatem: o amor verdadeiro é um amor ordenado, que põe Deus em primeiro lugar e cada coisa no seu lugar.
A primavera e a busca noturna (2,8-3,5)
O Esposo vem: «Aquela é a voz do meu amado, ei-lo aí vem saltando sôbre os montes, atravessando os outeiros» (Ct 2,8). Para atrás da parede, olha pelas janelas e chama: «Levanta-te, apressa-te, amiga minha: pomba minha, formosa minha, e vem» (Ct 2,10), porque o inverno passou e «Apareceram as flores na nossa terra» (Ct 2,12). No capítulo 3, a Esposa o procura de noite: «Eu busquei de noite no meu leito aquêle a quem ama a minha alma: Busquei-o: E não o achei» (Ct 3,1). Percorre a cidade, interroga os guardas e por fim: «achei eu aquêle a quem ama a minha alma: E agarrar-me-ei a êle: Nem o largarei» (Ct 3,4).
As núpcias do rei (3,6-5,1)
«Quem é esta, que sobe pelo deserto, como uma varinha de fumo composta de aromas de mirra, e de incenso?» (Ct 3,6). Avança o cortejo de Salomão, e as filhas de Sião saem para ver o rei coroado «no dia do seu casamento, e no dia do júbilo do seu coração» (Ct 3,11). No capítulo 4, o Esposo louva a Esposa da cabeça aos pés, declara-a sem mancha, «Tôda tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula» (Ct 4,7), e a chama «Jardim fechado és, irmã minha espôsa, jardim fechado, fonte selada» (Ct 4,12). Ela o convida ao seu jardim, e no primeiro versículo do capítulo 5 ele entra: «Eu vim para o meu jardim, irmã minha espôsa».
A prova da ausência (5,2-6,11)
«Eu durmo, e o meu coração vela» (Ct 5,2). O Esposo bate; a Esposa demora a abrir e, quando abre, ele já se foi: «Busquei-o, mas não o achei: Chamei-o, e êle me não respondeu» (Ct 5,6). Ferida pelos guardas da cidade, descreve contudo às filhas de Jerusalém aquele que ama: «O meu amado é cândido, e rubicundo, escolhido entre milhares» (Ct 5,10), «e todo êle é para se desejar» (Ct 5,16). No capítulo 6 o reencontra no seu jardim, entre as açucenas, e ele a proclama única: «Uma só é a minha pomba, a minha perfeita» (Ct 6,8).
A sulamita e o amor forte como a morte (6,12-8,14)
O coro clama: «Volta, volta, ó sulamita: Volta, volta, para que nós te miremos» (Ct 6,12), e o capítulo 7 canta de novo a sua beleza, até o dom da Esposa: «Eu sou para o meu amado, e êle para mim é que se volta» (Ct 7,10), «Eu tenho guardado para ti amado meu, os novos e os velhos» (Ct 7,13). No capítulo 8, a Esposa sobe do deserto «firmada sôbre o seu amado» (Ct 8,5), e o canto chega ao ponto mais alto: o amor é forte como a morte (8,6-7, comentado abaixo). Termina com a última palavra da Esposa: «Foge, amado meu, e faze-te semelhante a uma cabra montesa, e aos veadinhos sôbre os montes dos aromas» (Ct 8,14).
Qual o significado do Cântico dos Cânticos? A leitura católica
O Esposo e a Esposa em toda a Escritura
O Cântico não está isolado. Pela boca dos profetas, Deus se diz o esposo de Israel. Em Oseias promete: «Então me desposarei eu contigo para sempre» (Os 2,19); em Isaías: «E folgará o espôso com a espôsa, e o teu Deus folgará contigo» (Is 62,5). São João Batista chama Cristo o Esposo: «O que tem a espôsa, é o espôso» (Jo 3,29). São Paulo, falando do matrimônio, escreve: «Êste sacramento é grande, mas eu digo em Cristo, e na Igreja» (Ef 5,32), e a Escritura se fecha com o anúncio: «são chegadas as bodas do Cordeiro» (Ap 19,7). Como o salmo 45 (44 na Vulgata e na Ave-Maria), canto nupcial do Rei, o Cântico é o canto dessas núpcias.
A leitura dos Padres
Os doutores judeus já liam o Cântico como o amor de Deus por Israel; rabi Akiba, por volta do ano 100 depois de Cristo, o chamava o Santo dos santos entre os Escritos. Orígenes lhe dedicou um comentário e homilias, e são Jerônimo, ao traduzir duas delas, escreveu que Orígenes, se nos outros livros tinha vencido a todos, no Cântico vencera a si mesmo. Seguiram-se são Gregório de Nissa, santo Ambrósio, são Gregório Magno, são Beda, o Venerável. Teodoro de Mopsuéstia, que via nele apenas um canto de amor humano, foi desautorizado pela tradição, e os seus escritos foram condenados pelo II Concílio de Constantinopla (553).
São Bernardo de Claraval dedicou ao Cântico oitenta e seis sermões e morreu, em 1153, sem ter passado do começo do capítulo 3: é um dos cumes da literatura mística latina. Depois dele escreveram Guilherme de Saint-Thierry e, muito mais tarde, os místicos espanhóis.
Três aplicações: a Igreja, a alma, a Virgem
A tradição lê a Esposa de três modos, que não se excluem.
- A Igreja, una e santa, sempre procurada pelo seu Senhor. Aplica-se à unidade da Igreja o «Uma só é a minha pomba», e ao dever dos pastores contra as falsas doutrinas o «Apanhai-nos as rapôsas pequeninas, que destroem as vinhas» (Ct 2,15).
- A alma fiel, chamada à união com Deus através da prova e da ausência. É a leitura dos místicos: são Bernardo, santa Teresa de Ávila nos seus Conceitos do amor de Deus, e são João da Cruz, cujo Cântico espiritual segue passo a passo o poema de Salomão. São Francisco de Sales o cita a cada página do Tratado do amor de Deus.
- A Virgem Maria, enfim, a mais perfeita das almas e a figura da Igreja. A liturgia lhe aplica «Tôda tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula» (Ct 4,7), no Tota pulchra es, Maria da festa da Imaculada Conceição. São Jerônimo, no tratado contra Joviniano, lê no «jardim fechado» e na «fonte selada» Maria mãe e virgem. Dois títulos da Ladainha de Nossa Senhora, Turris Davidica e Turris eburnea, vêm dos louvores da Esposa: «O teu pescoço é como a tôrre de Davi» (Ct 4,4) e «O teu pescoço é como uma tôrre de marfim» (Ct 7,4).
Um livro para almas maduras
Orígenes conta que os judeus não deixavam os jovens ler este livro, e são Jerônimo, na carta a Leta sobre a educação da filha, queria que a menina o lesse por último, depois do resto da Escritura, para que não visse nele apenas as palavras da carne sem perceber as núpcias espirituais que elas cantam. Deus escolheu o mais nobre dos amores humanos para falar do seu. O Cântico honra assim o amor dos esposos, que são Paulo faz imagem de Cristo e da Igreja, e ao mesmo tempo o eleva para o amor que não passa.
Versículos mais conhecidos do Cântico dos Cânticos
- Ct 1,4: «Eu sou trigueira, mas formosa, ó filhas de Jerusalém». A Igreja, humilde por fora e bela por dentro; as Bíblias modernas traduzem "Eu sou morena, mas formosa".
- Ct 1,14: «Vê como tu és formosa, amiga minha, vê como tu és bela, os teus olhos são como os das pombas», louvor que volta em Ct 4,1.
- Ct 2,1-2: «Eu sou a flor do campo, e a açucena dos vales. Bem como é a açucena entre os espinhos; assim é a minha amiga entre as filhas».
- Ct 2,16 e 6,2: «O meu amado é para mim, e eu para êle»; «Eu sou para o meu amado, e o meu amado é para mim». A reciprocidade perfeita do amor.
- Ct 4,7, o versículo mais procurado do livro: «Tôda tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula».
- Ct 4,9: «Tu feriste o meu coração, irmã minha espôsa».
- Ct 5,10: «O meu amado é cândido, e rubicundo, escolhido entre milhares», o retrato do Esposo que continua até o versículo 16.
- Ct 6,9: «Quem é esta, que vai caminhando como a aurora quando se levanta, formosa como a lua, escolhida como o sol, terrível como um exército bem ordenado pôsto em campo?». A tradição o canta de Nossa Senhora.
- Ct 8,6-7: «Põe-me a mim como um sêlo sôbre o teu coração, como sêlo sôbre o teu braço: Porque o amor é valente como a morte»; «As muitas águas não puderam extinguir a caridade, nem os rios terão fôrça para a afogar».
Cântico dos Cânticos 8,6-7: o que significa?
É o ponto mais alto do livro. O selo, no Oriente, levava-se ao pescoço ou no braço e representava a própria pessoa: a Esposa pede para ficar gravada no coração e na obra do Esposo. O amor é «valente como a morte» porque ninguém lhe escapa, como ninguém escapa da morte; e as «muitas águas» não o apagam. Os Padres o referiram ao amor de Cristo, que o levou até a Cruz, e ao amor da alma que nenhuma provação consegue deter. Repare na palavra de Figueiredo: «caridade», como o latim caritas, onde as Bíblias modernas dizem simplesmente "amor". O tradutor lembra assim que aqui não se fala de um sentimento passageiro, mas do amor que vem de Deus.
Uma nota sobre a numeração
A Vulgata, que Figueiredo segue, numera os versículos de modo diferente das Bíblias modernas em dois lugares. No capítulo 1, as Bíblias feitas sobre o hebraico contam o título como versículo 1: o seu 1,5 ("Eu sou morena, mas formosa") é aqui 1,4. No fim do capítulo 5 e no capítulo 6, a Vulgata também está um versículo atrás: o seu 5,17 é o 6,1 delas, «Quem é esta, que vai caminhando como a aurora» (6,9) é o 6,10 delas, e «Volta, volta, ó sulamita» (6,12) é o 6,13 das Bíblias protestantes em português. Os versículos mais procurados, 4,7, 5,10 e 8,6-7, têm o mesmo número aqui e nelas.
O Cântico no cânon e na liturgia
Um livro protocanônico
O Cântico é um livro protocanônico, recebido no cânon hebraico, nos Setenta e por todas as Igrejas cristãs; algumas Bíblias protestantes o chamam "Cantares de Salomão". Na Vulgata está entre os livros sapienciais, depois do Eclesiastes e antes da Sabedoria. São Jerônimo o traduziu do hebraico junto com os Provérbios e o Eclesiastes. O Concílio de Trento, na sessão IV (8 de abril de 1546), o conta entre os livros sagrados e canônicos.
No Missal de 1962
- Visitação de Nossa Senhora (2 de julho). A epístola é o chamado da primavera, Cântico 2,8-14, e as lições do primeiro noturno das Matinas são tiradas do capítulo 2 do Cântico.
- Santa Maria Madalena (22 de julho). A epístola une a busca noturna (3,2-5) e o amor «valente como a morte» (8,6-7), porque Madalena procurou o Senhor junto ao sepulcro.
- Aparição de Nossa Senhora em Lourdes (11 de fevereiro). O gradual retoma «Apareceram as flores na nossa terra» (2,12) e o chamado do Esposo, Surge, amica mea, speciosa mea, et veni, «Levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem» (2,10.13-14).
- Imaculada Conceição (8 de dezembro). O versículo do aleluia é Tota pulchra es, Maria: et macula originalis non est in te, construído sobre Cântico 4,7.
- Santa Teresinha do Menino Jesus (3 de outubro) tem por intróito Veni de Libano, sponsa mea (4,8-9), e santa Margarida Maria Alacoque (17 de outubro) tem por intróito Sub umbra illius, quem desideraveram, sedi (2,3), com o gradual Aquae multae non potuerunt exstinguere caritatem (8,7).
No Breviário
Nas Vésperas do Comum de Nossa Senhora, que servem a muitas das suas festas, as antífonas dos salmos vêm do Cântico: Dum esset Rex in accubitu suo (1,11), Laeva ejus sub capite meo (2,6), Nigra sum, sed formosa (1,4), Jam hiems transiit (2,11), e a última, Speciosa facta es et suavis in deliciis tuis, retoma a sua linguagem. Rezam-se nas festas de Nossa Senhora que não têm antífonas próprias, no Breviário; sobre essa hora do Ofício, veja também as Vésperas.
Como ler o Cântico dos Cânticos
Leia-o primeiro de uma só vez: oito capítulos curtos, uns vinte minutos. Repare em quem fala em cada versículo, a Esposa, o Esposo ou as filhas de Jerusalém, porque o sentido depende disso; Figueiredo o indica no próprio texto. Depois releia-o um capítulo por dia, perguntando-se como cada versículo fala de Cristo e da sua Igreja, de Nossa Senhora e da sua alma. É um livro para a oração mais do que para o estudo, e a melhor introdução continuam sendo os sermões de são Bernardo e o Cântico espiritual de são João da Cruz. Os outros livros de Salomão, os Provérbios e o Eclesiastes, preparam essa leitura, como queria Orígenes. O texto também está no aplicativo Bíblia católica.
Perguntas Frequentes
O que é o Cântico dos Cânticos?
É um livro poético do Antigo Testamento, um dos sapienciais, com oito capítulos. Tem a forma de um diálogo de amor entre um Esposo, que é rei, e uma Esposa, a sulamita, com o coro das filhas de Jerusalém. O título quer dizer "o cântico por excelência".
Qual o significado do Cântico dos Cânticos?
Sob a imagem do amor humano, canta o amor de Deus pelo seu povo. A Sinagoga lia nele o amor de Deus por Israel; a Igreja lê nele o amor de Cristo pela Igreja, pela alma fiel e pela Virgem Maria. Toda a Escritura, dos profetas ao Apocalipse, fala de Deus como Esposo do seu povo.
Quem escreveu o Cântico dos Cânticos?
A tradição judaica e cristã o atribui ao rei Salomão, nomeado no título e no texto. Muitos exegetas modernos pensam num poeta mais tardio ou numa coleção de cantos. A Igreja não definiu nada sobre o autor humano, mas sempre recebeu o livro como inspirado.
O que diz Cântico dos Cânticos 4,7?
«Tôda tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula». É o louvor do Esposo à Esposa sem mancha. A Igreja o aplica à Virgem Maria, concebida sem pecado original, e o canta na Missa da Imaculada Conceição: Tota pulchra es, Maria.
O que significa «Eu sou trigueira, mas formosa»?
É a palavra da Esposa em Ct 1,4: o sol a queimou enquanto guardava as vinhas, mas ela continua bela aos olhos do Esposo. Os Padres viram nisso a Igreja, pobre e desprezada por fora, bela por dentro pela graça, ou a alma pecadora que o amor de Cristo torna formosa. A Igreja fez desse versículo uma antífona das Vésperas de Nossa Senhora.
O que é o "cântico dos degraus"?
Não é o Cântico dos Cânticos. "Cântico dos degraus", ou "cântico gradual", é o título de quinze salmos, do 120 ao 134 nas Bíblias modernas (119 a 133 na Vulgata e na Ave-Maria), que os peregrinos cantavam ao subir a Jerusalém. Estão no livro dos Salmos.
Quantos capítulos tem o Cântico dos Cânticos?
Oito, com 116 versículos nesta tradução. A numeração da Vulgata, que Figueiredo segue, difere em um versículo da das Bíblias modernas no capítulo 1 e entre o fim do capítulo 5 e o capítulo 6.
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