A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
Salmo 91 (90 na Vulgata e na Ave-Maria): Qui habitat, a oração de proteção
Qui habitat
O salmo 91 das Bíblias modernas é o salmo 90 da Vulgata e da Bíblia Ave-Maria: o *Qui habitat*, «O que habita à sombra do Altíssimo», a grande oração de proteção que a Igreja canta toda noite de domingo nas Completas. Aqui você encontra o texto completo do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feito sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica o salmo, o versículo dos Anjos da Guarda, a tentação de Jesus no deserto, o uso na liturgia de 1962 e o modo católico de rezá-lo.
Procura o salmo 90 na numeração das Bíblias traduzidas do hebraico? Ele está aqui: Salmo 89.
1 Laus cantici David. Qui habitat in adjutorio Altissimi, in protectione Dei cæli commorabitur.
1 Louvor de cântico de Davi. O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do céu descansará.
2 Dicet Domino : Susceptor meus es tu, et refugium meum ; Deus meus, sperabo in eum.
2 Dirá ao Senhor: Tu és o meu amparador, e o meu refúgio: É o meu Deus, nêle esperarei.
3 Quoniam ipse liberavit me de laqueo venantium, et a verbo aspero.
3 Porque êle me livrou do laço dos caçadores, e da palavra áspera.
4 Scapulis suis obumbrabit tibi, et sub pennis ejus sperabis.
4 Com as suas espáduas te fará sombra: E debaixo das suas asas esperarás.
5 Scuto circumdabit te veritas ejus : non timebis a timore nocturno ;
5 Com escudo te cercará a sua verdade: Não terás temor de espanto noturno.
6 a sagitta volante in die, a negotio perambulante in tenebris, ab incursu, et dæmonio meridiano.
6 De seta que voa de dia, de nenhuma coisa que ande em trevas: De assalto, nem de demônio do meio-dia.
7 Cadent a latere tuo mille, et decem millia a dextris tuis ; ad te autem non appropinquabit.
7 Cairão mil ao teu lado, e dez mil à tua destra: Mas a ti não se chegará.
8 Verumtamen oculis tuis considerabis, et retributionem peccatorum videbis.
8 Certamente com os teus olhos contemplarás: Verás a paga dos pecadores.
9 Quoniam tu es, Domine, spes mea ; Altissimum posuisti refugium tuum.
9 Porque tu és, Senhor, a minha esperança: Puseste por teu refúgio ao Altíssimo:
10 Non accedet ad te malum, et flagellum non appropinquabit tabernaculo tuo.
10 Não se chegará a ti mal: E o flagelo não se aproximará à tua tenda.
11 Quoniam angelis suis mandavit de te, ut custodiant te in omnibus viis tuis.
11 Porquanto mandou aos seus Anjos acêrca de ti: Que te guardem em todos os teus caminhos.
12 In manibus portabunt te, ne forte offendas ad lapidem pedem tuum.
12 Êles te levarão nas suas mãos: Para que não suceda que o teu pé tropece em pedra.
13 Super aspidem et basiliscum ambulabis, et conculcabis leonem et draconem.
13 Sôbre o áspide, e basilisco andarás: E pisarás ao leão e ao dragão.
14 Quoniam in me speravit, liberabo eum ; protegam eum, quoniam cognovit nomen meum.
14 Porquanto em mim esperou, livrá-lo-ei: Protegê-lo-ei, porquanto conheceu o meu Nome.
15 Clamabit ad me, et ego exaudiam eum ; cum ipso sum in tribulatione : eripiam eum, et glorificabo eum.
15 Clamará a mim, e eu o ouvirei, com êle estou na tribulação: Livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei.
16 Longitudine dierum replebo eum, et ostendam illi salutare meum.
16 Saciá-lo-ei com diuturnidade de dias: E mostrar-lhe-ei o meu Salvador.
Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).
Salmo 91 ou salmo 90?
É o mesmo salmo com dois números. As Bíblias traduzidas do hebraico, que são as mais lidas no Brasil, o chamam de salmo 91. A Vulgata latina, a Setenta grega, o Missal, o Breviário e a Bíblia Ave-Maria o contam como salmo 90, porque juntam num só os salmos 9 e 10 do hebraico; daí em diante, até quase o fim do Saltério, o número latino fica um atrás. A tradução do Pe. Figueiredo segue a Vulgata e, com ela, o número 90. Por isso quem procura “salmo 91 católico” e quem procura “salmo 90 Ave-Maria” procuram o mesmo texto: este.
A confusão inversa também acontece:
- salmo 91 (hebraico) = salmo 90 (Vulgata e Ave-Maria): Qui habitat, a oração de proteção, nesta página;
- salmo 90 (hebraico) = salmo 89 (Vulgata e Ave-Maria): a oração de Moisés, Domine, refugium, sobre a brevidade da vida, que vem logo antes.
Num livro de orações católico antigo ou num manual de devoção, o «salmo 90» é quase sempre o Qui habitat. Os números dos versículos, por sua vez, coincidem nas duas contagens: o título curto da Vulgata está dentro do versículo 1, e o versículo 11 de uma Bíblia moderna é o versículo 11 de Figueiredo. A tabela completa das duas numerações está na página dos Salmos.
O que significa o salmo 91? Explicação
O salmo 91 é um canto de confiança: quase não pede nada, afirma. As vozes se alternam. Um mestre fala do justo, o justo responde, o mestre se dirige a ele e o trata por «tu», e no fim é o próprio Deus que toma a palavra. O título latino, Laus cantici David, que Figueiredo traduz «Louvor de cântico de Davi», não existe no hebraico.
O refúgio do Altíssimo (v. 1-2). Tudo está no primeiro versículo: «O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do céu descansará». O verbo latino é habitat: não se trata de uma visita de passagem, mas de morar, de fazer de Deus a própria casa. A proteção é prometida a quem permanece, não a quem apenas passa. O justo responde com um ato de fé: «Tu és o meu amparador, e o meu refúgio: É o meu Deus, nêle esperarei» (v. 2).
Os perigos do dia e da noite (v. 3-8). Vêm então as imagens do perigo e, contra cada uma, uma imagem de abrigo. Deus livra «do laço dos caçadores, e da palavra áspera» (v. 3); cobre o seu fiel como a ave cobre os filhotes: «Com as suas espáduas te fará sombra: E debaixo das suas asas esperarás» (v. 4). A fidelidade de Deus se torna armadura: «Com escudo te cercará a sua verdade: Não terás temor de espanto noturno» (v. 5). O salmista percorre todas as horas, a noite e o dia, as trevas e o meio-dia, até o versículo mais impressionante: «Cairão mil ao teu lado, e dez mil à tua destra: Mas a ti não se chegará» (v. 7).
No versículo 3, o hebraico fala da peste (déber), ao passo que a Setenta e a Vulgata leram «palavra» (dabar): em hebraico as duas palavras se escrevem com as mesmas consoantes. Daí o latim a verbo aspero, «da palavra áspera». A leitura latina estende assim a proteção à calúnia e à palavra que fere.
A guarda dos Anjos (v. 9-13). O justo renova o seu ato de fé: «Porque tu és, Senhor, a minha esperança» (v. 9). A promessa se alarga: «Não se chegará a ti mal: E o flagelo não se aproximará à tua tenda» (v. 10). Seguem os versículos dos Anjos e a vitória sobre as feras: «Sôbre o áspide, e basilisco andarás: E pisarás ao leão e ao dragão» (v. 13).
Deus fala (v. 14-16). O oráculo final confirma tudo e dá a razão: «Porquanto em mim esperou, livrá-lo-ei: Protegê-lo-ei, porquanto conheceu o meu Nome» (v. 14). Deus não promete a ausência da prova, mas a sua presença dentro da prova: «com êle estou na tribulação» (v. 15). A última palavra é a mais alta: «Saciá-lo-ei com diuturnidade de dias: E mostrar-lhe-ei o meu Salvador» (v. 16). O latim diz salutare meum, a minha salvação; Figueiredo traduz sem hesitar «o meu Salvador», porque a tradição cristã sempre leu ali Jesus, cujo nome quer dizer «Deus salva».
Salmo 91, 11: os Anjos da Guarda
O versículo mais citado do salmo é o décimo primeiro: «Porquanto mandou aos seus Anjos acêrca de ti: Que te guardem em todos os teus caminhos» (v. 11). O seguinte o completa: «Êles te levarão nas suas mãos: Para que não suceda que o teu pé tropece em pedra» (v. 12).
Junto com a palavra de Jesus sobre os pequeninos, cujos anjos «nos Céus incessantemente estão vendo a face de meu Pai que está nos Céus» (Mateus 18, 10), estes dois versículos são um dos fundamentos bíblicos da fé no Anjo da Guarda: Deus confia cada um dos seus a um espírito celeste que o acompanha em todos os caminhos da vida. Não por acaso o Missal de 1962 os canta no Gradual da festa dos Santos Anjos da Guarda, em 2 de outubro: Angelis suis Deus mandavit de te. É a mesma confiança que as crianças aprendem com a oração do Anjo da Guarda.
São Bernardo, que pregou uma Quaresma inteira sobre este salmo, em dezessete sermões, tira do versículo 11 três deveres para com o próprio Anjo: reverência pela sua presença, devoção pela sua benevolência, confiança pela sua guarda.
O salmo citado pelo demônio na tentação de Jesus
Este salmo tem um lugar único no Evangelho: é o trecho da Escritura que se ouve na boca do demônio. Depois dos quarenta dias de jejum no deserto, o tentador leva Jesus ao pináculo do Templo e lhe diz: «Se és filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Porque escrito está: Que mandou aos seus anjos que cuidem de ti, e êles te tomarão nas palmas, para que não suceda tropeçares em pedra com o teu pé». O Senhor responde com outra palavra da Escritura: «Também está escrito: Não tentarás ao Senhor teu Deus» (Mateus 4, 6-7). São Lucas conta a mesma cena no capítulo 4 do seu Evangelho.
Os comentadores observaram que o tentador corta a citação: deixa de lado «em todos os teus caminhos». A promessa vale para os caminhos por onde Deus conduz, não para o salto com que se põe Deus à prova. E o demônio para antes do versículo 13, que anuncia a sua derrota: o áspide e o dragão pisados aos pés.
Cristo, ao contrário, cumpre o salmo e comunica aos seus a mesma vitória: «Eis aí vos dei eu poder de pisardes as serpentes, e os escorpiões, e tôda a fôrça do inimigo» (Lucas 10, 19). Por isso os Padres leram o salmo como uma arma no combate espiritual, e não como um amuleto.
O «demônio do meio-dia»
O latim do versículo 6, ab incursu, et dæmonio meridiano, torna-se em Figueiredo «De assalto, nem de demônio do meio-dia»; as Bíblias traduzidas do hebraico falam de uma praga que devasta ao meio-dia. No mesmo versículo, o negotio perambulante in tenebris da Vulgata, literalmente “a coisa que anda nas trevas”, é vertido «de nenhuma coisa que ande em trevas».
A leitura da Vulgata alimentou toda a tradição espiritual. Cassiano, no livro X das Instituições, reconhece no demônio do meio-dia a acídia, aquele tédio da oração e da cela que assalta o monge nas horas centrais do dia. Santo Agostinho, nas Enarrationes in Psalmos, vê nesses perigos as diversas formas da tentação e da perseguição: as que agem às escondidas, pelo engano, e as que atacam em pleno dia, de cara descoberta.
Os Padres e a leitura cristã
Para os Padres, o justo do salmo é antes de tudo Cristo: é Ele que habita plenamente sob a proteção do Altíssimo, Ele que o demônio quis tomar pela palavra, Ele que o Pai ouviu e glorificou na Ressurreição. Santo Agostinho, que comentou o salmo diante do seu povo, o liga à tentação do Senhor: Cristo foi tentado para nos ensinar a vencer, e o cristão reza o salmo como membro do seu Corpo.
Então o salmo promete que nenhuma desgraça tocará quem crê? Os mártires o rezaram, e morreram. A promessa diz respeito, antes de tudo, ao que não passa: «Livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei» (v. 15) cumpriu-se na manhã da Páscoa, depois da Cruz. A proteção temporal, Deus a concede segundo a sua Providência; a da alma não falta a quem a pede.
O salmo 91 na liturgia de 1962
Completas de domingo. No saltério do Breviário Romano de 1962, o salmo 90 se canta nas Completas de domingo, a última Hora do dia, entre o salmo 4, Cum invocarem, que termina com «Em paz dormirei nêle mesmo, e repousarei» (salmo 4, 9), e o salmo 134 do hebraico (133 na Vulgata), Ecce nunc benedicite. Durante séculos esses salmos formaram as Completas de todas as noites: o Breviário Romano anterior à reforma de São Pio X (1911) os repetia diariamente, junto com os primeiros versículos do salmo 30, In te, Domine, speravi. Você pode rezar esta Hora no breviário do dia e conhecer a sua história no artigo sobre as Completas.
O primeiro domingo da Quaresma. No Missal de 1962, a Missa deste domingo é tecida quase inteira com este salmo: o Intróito Invocabit me retoma os versículos 15 e 16, com o versículo 1 como verso do salmo; o Gradual Angelis suis canta os versículos 11 e 12; o Trato Qui habitat, um dos mais longos do ano, percorre os versículos 1 a 7 e 11 a 16; o Ofertório e a Comunhão repetem os versículos 4 e 5, Scapulis suis obumbrabit tibi. O Evangelho do dia é o da tentação (Mt 4, 1-11): ao demônio que cita o salmo, a Igreja responde cantando-o quase todo. É a entrada na Quaresma como num combate.
Os Santos Anjos da Guarda. Em 2 de outubro, como já se disse, o Gradual da Missa retoma os versículos 11 e 12.
A dedicação de uma igreja. No Comum da Dedicação, o salmo abre o terceiro noturno das Matinas, com a antífona Qui habitat in adjutorio Altissimi: a casa de Deus é o lugar onde se habita sob a sua proteção.
Para que serve o salmo 91?
A pergunta é muito feita, e a resposta católica é simples: o salmo 91 serve para rezar, como a Igreja o reza. Ela o põe nos lábios dos seus filhos no fim do dia, para entregar a Deus e aos Anjos a noite que começa; ela o canta no início da Quaresma, para entrar no combate contra o mal; ela o usa na festa dos Anjos da Guarda, para agradecer a guarda que Deus nos dá.
O que o salmo não é: uma fórmula que funciona sozinha, um «salmo forte» que se repete certo número de vezes, ou um objeto que protege por estar aberto sobre a mesa ou guardado na carteira. Atribuir às palavras, aos números ou aos gestos uma eficácia independente da fé e da vontade de Deus é o que a Igreja chama de superstição (Catecismo da Igreja Católica, n. 2111; o Catecismo Romano trata do mesmo pecado no primeiro mandamento). A força do salmo vem d'Aquele a quem ele se dirige, e o versículo 14 dá a condição: «Porquanto em mim esperou».
Como rezar o salmo 91
- À noite, com a Igreja. Rezado antes de dormir, depois do exame de consciência, confia a Deus a própria noite e a dos seus. É o lugar que lhe dão as Completas; veja também as orações da noite.
- Pelas pessoas queridas. Por um filho, um doente, quem está viajando, confiando-os ao seu Anjo da Guarda.
- No tempo do perigo ou da epidemia, sem descuidar da prudência: não se tenta a Deus, como Jesus respondeu ao tentador.
- Na tentação, que segundo os Padres é o seu sentido mais profundo: o áspide e o dragão são antes de tudo os inimigos da alma. Pode-se juntar à oração de São Miguel Arcanjo.
Termina-se, como no Ofício, com o Gloria Patri. Outros salmos rezados com a mesma intenção estão reunidos em salmos de proteção.
Perguntas Frequentes
Por que o salmo 91 também é chamado de salmo 90?
Porque existem duas numerações dos salmos. A Vulgata e a Setenta, seguidas pela liturgia, por Figueiredo e pela Bíblia Ave-Maria, o contam como salmo 90; o hebraico e as Bíblias modernas, como salmo 91. É o mesmo Qui habitat. O salmo 90 das Bíblias modernas é a oração de Moisés, salmo 89 da Vulgata.
Quem escreveu o salmo 91?
O texto hebraico não traz título; a Vulgata o intitula Laus cantici David, «Louvor de cântico de Davi», atribuição que a leitura tradicional recebe. Uma tradição judaica o liga a Moisés, autor do salmo anterior. O autor principal, como de toda a Escritura, é o Espírito Santo.
O salmo 91 é uma oração de proteção forte?
É a oração de proteção que a Igreja escolheu para a noite, e isso lhe dá uma autoridade que nenhuma devoção particular possui. A sua força vem da confiança que exprime, não das palavras em si nem do número de vezes em que é rezado. Rezado com fé, protege antes de tudo a alma e entrega o resto à Providência.
Quando se reza o salmo 91?
O costume da Igreja é a noite: o Breviário de 1962 o canta nas Completas de domingo, e antes de 1911 ele era dito todas as noites. Convém também no perigo, na doença, antes de uma viagem e no tempo da tentação.
O que significa o versículo 11 do salmo 91?
Ensina que Deus confia cada fiel aos seus Anjos, que o guardam em todos os seus caminhos: é um dos textos da devoção ao Anjo da Guarda. É também o versículo que o demônio citou a Jesus no pináculo do Templo, deixando de fora justamente «em todos os teus caminhos».
O que é o «demônio do meio-dia»?
É a tradução de Figueiredo para o latim dæmonio meridiano do versículo 6. A tradição monástica, desde Cassiano, viu nele a acídia, o tédio espiritual que ataca nas horas mais pesadas do dia. As Bíblias feitas sobre o hebraico leem ali uma praga que devasta ao meio-dia.
O salmo 91 aparece no Evangelho?
Sim. Os versículos 11 e 12 são citados pelo demônio na tentação de Jesus, em São Mateus e em São Lucas, e Jesus responde com o Deuteronômio: «Não tentarás ao Senhor teu Deus» (Mateus 4, 7). O versículo 13, sobre o áspide e o dragão, ecoa no poder que o Senhor dá aos discípulos de pisar serpentes e escorpiões.
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