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Evangelho segundo São Lucas
O Evangelho de São Lucas, escrito pelo médico companheiro de São Paulo, é o Evangelho da infância de Jesus, da Virgem Maria e da misericórdia: a Anunciação, o Magnificat, o Natal, o filho pródigo, o bom ladrão. Abaixo estão os seus 24 capítulos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia apresenta o autor, a data, o resumo e a leitura católica do livro.
Ler Evangelho segundo São Lucas: 24 capítulos
São Lucas abre o seu Evangelho como um historiador cuidadoso: «Pareceu-me também a mim, excelentíssimo Teófilo, depois de me haver diligentemente informado de como tôdas elas passaram desde o princípio, dar-te por escrito a série delas, para que conheças a verdade daquelas coisas, em que tens sido instruído» (Lc 1,3-4). Os vinte e quatro capítulos que seguem nos dão quase tudo o que sabemos da infância de Cristo, três dos cânticos que a Igreja canta todos os dias no Breviário, a primeira metade da Ave-Maria, os mistérios gozosos do terço e as parábolas da misericórdia que nenhum outro evangelista conservou. Para uma visão de conjunto dos quatro evangelistas, leia o nosso artigo sobre o que são os Evangelhos.
Quem escreveu o Evangelho de Lucas?
A Igreja sempre recebeu o terceiro Evangelho como obra de São Lucas evangelista, médico e companheiro de São Paulo. Ele não era um dos Doze e não diz ter visto o Senhor com os próprios olhos: recolheu o que lhe transmitiram «os que desde o princípio as viram com seus próprios olhos, e que foram ministros da palavra» (Lc 1,2).
O que a Escritura conta dele vem de São Paulo. Escrevendo aos Colossenses, o Apóstolo manda: «O muito amado Lucas, médico, vos saúda» (Cl 4,14), e o nomeia depois dos companheiros que «são da circuncisão» (Cl 4,11): Lucas, portanto, não era judeu de nascimento, mas um pagão convertido. Na última carta, escrita da prisão de Roma, Paulo anota: «Só Lucas está comigo» (2 Tm 4,11). E os Atos dos Apóstolos, que o mesmo autor dedica ao mesmo Teófilo, passam de repente do «eles» ao «nós» quando Paulo deixa Trôade rumo à Grécia: «procuramos logo partir para Macedônia» (At 16,10). Esse «nós» volta até a viagem a Roma: o autor estava lá.
O testemunho dos Padres
A voz da Igreja antiga é constante. Santo Ireneu, por volta do ano 180, escreve que Lucas, o companheiro de Paulo, pôs num livro o Evangelho que o Apóstolo pregava (Contra as heresias, III, 1, 1). O Fragmento de Muratori, a mais antiga lista conhecida dos livros do Novo Testamento, atribui o terceiro Evangelho a Lucas, o médico, companheiro de Paulo. Tertuliano (Contra Marcião, IV, 5) diz que se costumava atribuir a Paulo o Evangelho de Lucas; Eusébio (História eclesiástica, III, 4) informa que Lucas era natural de Antioquia e médico de profissão; e São Jerônimo (Dos homens ilustres, 7) acrescenta que ele aprendeu o Evangelho não só de Paulo, mas também dos outros Apóstolos.
A Pontifícia Comissão Bíblica, na resposta de 26 de junho de 1912, sob São Pio X, ensinou que a tradição clara da Igreja obriga a ter São Lucas, médico, auxiliar e companheiro de Paulo, como verdadeiro autor do Evangelho que leva o seu nome. Muitos críticos modernos veem nele um cristão desconhecido da geração seguinte; a tradição da Igreja é a que foi exposta acima.
Quem foi Lucas na Bíblia?
Um médico de Antioquia, vindo do paganismo para a fé, que acompanhou Paulo nas viagens e lhe foi fiel até a última prisão. Lucas não foi discípulo de Jesus durante a vida pública: a sua fonte são as testemunhas. A Escritura não conta como ele morreu.
Um antigo prólogo latino do seu Evangelho diz que morreu na Beócia, na Grécia, com oitenta e quatro anos; São Jerônimo relata que os seus ossos foram levados a Constantinopla no tempo do imperador Constâncio (Dos homens ilustres, 7); outras tradições fazem dele um mártir, mas isso é incerto. Uma piedosa tradição o considera também o primeiro pintor da Virgem, e por isso é padroeiro dos médicos e dos pintores. A sua festa é no dia 18 de outubro; a vida do santo está no nosso artigo sobre São Lucas evangelista.
Quando foi escrito o Evangelho de Lucas?
A ordem recebida na Igreja é Mateus, Marcos, Lucas e João, e a Comissão Bíblica ensinou em 1912 que Lucas escreveu em terceiro lugar. Dois pontos firmes fixam a data. O Evangelho é anterior aos Atos, que o chamam de primeiro livro: «No meu primeiro discurso falei na verdade, ó Teófilo, de tôdas as coisas que Jesus começou a fazer, e a ensinar» (At 1,1).
E os Atos terminam com Paulo preso durante dois anos em Roma, por volta de 61-63, sem uma palavra sobre o seu processo nem sobre a sua morte. A Comissão concluiu que o Evangelho foi escrito antes do fim dessa primeira prisão romana e que não pode ser datado depois da destruição de Jerusalém, no ano 70. Pelo cálculo tradicional, São Lucas escreveu por volta do ano 60, ou pouco antes, menos de trinta anos depois da Ressurreição.
O lugar é menos certo. São Jerônimo, no prefácio ao comentário de São Mateus, diz que Lucas escreveu nas regiões da Acaia e da Beócia, na Grécia; outros pensam nos dois anos de prisão de Paulo em Cesareia. Escreveu em grego, no estilo mais culto dos quatro Evangelhos.
Para quem foi escrito o Evangelho de Lucas? Quem foi Teófilo?
Lucas se dirige ao «excelentíssimo Teófilo», título que se dava às pessoas de condição elevada, e o supõe já instruído na fé. Quem ele era exatamente, não se sabe. O nome grego quer dizer “amigo de Deus”, e Santo Ambrósio vê nele um convite a todo leitor: se você ama a Deus, o Evangelho também foi escrito para você. Para além de Teófilo, Lucas escreve para os convertidos vindos do paganismo, os gregos e os romanos do Império. Por isso explica os costumes judaicos, data a pregação do Batista pelo reinado do imperador, «no ano décimo quinto do império de Tibério César» (Lc 3,1), e faz subir a genealogia de Cristo até «Adão, que foi criado por Deus» (Lc 3,38): Cristo é o Salvador de todo o gênero humano, e não só de Israel.
Do que fala o Evangelho de Lucas? Resumo
Lucas conta a vida de Cristo «por escrito», em ordem, desde o anúncio do Precursor no Templo até a Ascensão; o seu Evangelho começa e termina no Templo de Jerusalém. A longa seção central acompanha o caminho de Cristo rumo à cidade onde vai sofrer: «mostrou êle um semblante intrépido e resoluto para ir para Jerusalém» (Lc 9,51).
O prólogo e a infância de Jesus (capítulos 1-2)
Depois do prólogo, o capítulo 1 põe lado a lado duas anunciações. O anjo Gabriel anuncia ao sacerdote Zacarias, «da turma de Abias», o nascimento de São João Batista; depois, em Nazaré, à Virgem Maria, a concepção do Filho de Deus. Maria visita a sua parenta Isabel e canta o Magnificat; João nasce, e Zacarias canta o Benedictus. O capítulo 2 é o relato do Natal: o edito de César Augusto, o nascimento em Belém, os anjos e os pastores, a circuncisão, a apresentação no Templo com o cântico de Simeão e a profetisa Ana, e por fim Jesus reencontrado entre os doutores: «não sabíeis que importa ocupar-me nas coisas que são do serviço de meu Pai?» (Lc 2,49).
João Batista e o começo da vida pública (capítulos 3-4)
No capítulo 3, João prega a penitência e batiza Cristo, e Lucas dá a genealogia de José até Adão. No capítulo 4, Cristo vence as três tentações e, na sinagoga de Nazaré, lê o profeta Isaías: «O Espírito do Senhor repousou sôbre mim, pelo que êle me consagrou com a sua unção, e enviou-me a pregar o Evangelho aos pobres» (Lc 4,18); depois declara: «Hoje se cumpriu esta Escritura nos vossos ouvidos» (Lc 4,21).
O ministério na Galileia (capítulos 5-9)
No capítulo 5, a pesca milagrosa faz Pedro cair de joelhos: «Retira-te de mim, Senhor, que sou um homem pecador» (Lc 5,8); Cristo cura um leproso e um paralítico e chama Levi. No capítulo 6, escolhe os Doze e pronuncia o sermão da planície, com quatro bem-aventuranças e quatro «ais». O capítulo 7 traz o filho da viúva de Naim e a pecadora que unge os pés do Senhor: «perdoados lhe são seus muitos pecados, porque amou muito» (Lc 7,47). O capítulo 8 dá a parábola do semeador, a tempestade acalmada e a filha de Jairo. No capítulo 9, os Doze são enviados em missão, cinco mil homens são saciados, Pedro confessa «O Cristo de Deus» (Lc 9,20) e Cristo se transfigura.
A viagem para Jerusalém (Lucas 9,51 a 19,27)
No capítulo 10, Cristo envia os setenta e dois discípulos, conta a parábola do bom samaritano e, na casa de Marta, elogia Maria sentada a seus pés: «só uma coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada» (Lc 10,42). O capítulo 11 traz o Pai-Nosso, o capítulo 12 o rico insensato e o «pequenino rebanho», o capítulo 13 a figueira estéril e o lamento sobre Jerusalém. O capítulo 14 apresenta a grande ceia e o preço de ser discípulo.
O capítulo 15 reúne as três parábolas da misericórdia: a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho pródigo. O capítulo 16 dá o administrador infiel e o rico e Lázaro, o capítulo 17 os dez leprosos, o capítulo 18 o juiz iníquo, o fariseu e o publicano e o cego de Jericó. No capítulo 19, Zaqueu desce do sicômoro: «o Filho do homem veio buscar e salvar o que tinha perecido» (Lc 19,10).
Jerusalém: os últimos dias (Lucas 19,28 a 21,38)
Cristo entra na cidade, «chorou Jesus sôbre ela» (Lc 19,41), e expulsa os vendilhões do Templo; responde aos adversários no capítulo 20 e anuncia, no capítulo 21, a ruína de Jerusalém e a sua vinda: «verão o Filho do homem, que virá sôbre uma nuvem com grande poder, e majestade» (Lc 21,27).
A Paixão, a Ressurreição e a Ascensão (capítulos 22-24)
O capítulo 22 traz a última ceia e a instituição da Eucaristia, a oração de Cristo por Pedro, a agonia no monte das Oliveiras com o anjo e o suor de sangue, a prisão e as negações de Pedro, para quem o Senhor se volta: «E voltando-se o Senhor pôs os olhos em Pedro» (Lc 22,61). O capítulo 23 relata os processos diante de Pilatos e de Herodes, a crucifixão, o bom ladrão e a sepultura. O capítulo 24 conta o sepulcro vazio, os discípulos de Emaús, a aparição aos Onze e a Ascensão perto de Betânia. Os discípulos «voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E estavam continuamente no Templo louvando e bendizendo a Deus» (Lc 24,52-53).
Qual a diferença entre o Evangelho de Mateus e o de Lucas?
São dois dos três Evangelhos chamados sinóticos e contam, em grande parte, os mesmos fatos, mas para leitores diferentes. Mateus escreve para os judeus: narra a infância do lado de José, começa a genealogia em Abraão, reúne o ensino em cinco grandes discursos e dá oito bem-aventuranças. Lucas escreve para os pagãos convertidos: narra a infância do lado de Maria, faz a genealogia subir até Adão, distribui o ensino ao longo da viagem para Jerusalém e dá quatro bem-aventuranças seguidas de quatro «ais». Mateus tem os Magos, Lucas os pastores. O Pai-Nosso de Mateus tem sete pedidos, o de Lucas cinco (Lc 11,2-4). São duas testemunhas que se completam, não que se contradizem.
Temas e leitura católica do Evangelho de Lucas
Cristo, Salvador de todos. O Cristo de São Lucas é «o Salvador, que é o Cristo Senhor» (Lc 2,11), «lume para ser revelado aos gentios» (Lc 2,32). Ele vai ao encontro dos pobres, dos doentes e dos pecadores, e as grandes parábolas do capítulo 15 terminam na alegria do céu: «haverá maior júbilo no Céu, sôbre um pecador que fizer penitência, que sôbre noventa e nove justos, que não hão mister de penitência» (Lc 15,7). Esse capítulo é a melhor preparação para uma boa confissão; o nosso guia como se confessar ajuda a dar o passo.
Nossa Senhora. Nenhum evangelista fala tanto da Santíssima Virgem. De São Lucas a Igreja recebeu a saudação do anjo, «Deus te salve, cheia de graça: O Senhor é contigo: Benta és tu entre as mulheres» (Lc 1,28), e a de Isabel, «bento é o fruto do teu ventre» (Lc 1,42), que formam juntas a primeira parte da Ave-Maria. O Bem-aventurado Pio IX, ao definir a Imaculada Conceição na bula Ineffabilis Deus (1854), apoiou-se nesse gratia plena.
A resposta de Maria, «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38), é rezada no Ângelus, e a sua profecia, «me chamarão bem-aventurada tôdas as gerações» (Lc 1,48), é o coração do Magnificat. Os cinco mistérios gozosos do terço, da Anunciação ao reencontro de Jesus no Templo, vêm todos dos dois primeiros capítulos de Lucas. O próprio Magnificat faz eco ao cântico de Ana no I Livro dos Reis (1 Samuel), capítulo 2.
O Espírito Santo e a oração. O Espírito Santo cobre Maria com a sua sombra, enche Isabel e Zacarias e repousa sobre Simeão. São Lucas mostra Cristo em oração no batismo, antes de escolher os Doze, na Transfiguração e na agonia, e conta a parábola feita «para mostrar que importa orar sempre, e não cessar de o fazer» (Lc 18,1).
A Eucaristia e o sacerdócio. Só Lucas, entre os evangelistas, registra a ordem de Cristo: «Êste é o meu corpo, que se dá por vós: Fazei isto em memória de mim» (Lc 22,19). O Concílio de Trento (sessão XXII, capítulo 1 e cânon 2) ensina que, com essas palavras, Cristo constituiu sacerdotes os Apóstolos e lhes mandou, a eles e aos seus sucessores, oferecer o seu Corpo e o seu Sangue. Em Emaús, o Ressuscitado é reconhecido «ao partir do pão» (Lc 24,35), e os Padres viram nesse gesto a Eucaristia, dada logo depois de explicadas as Escrituras.
O primado de Pedro. «eu roguei por ti, para que a tua fé não falte: E tu enfim, depois de convertido, conforta a teus irmãos» (Lc 22,32). O Concílio Vaticano I (Pastor aeternus, 1870, capítulo 4) funda nessa promessa a indefectibilidade da fé da Sé de Pedro.
Os novíssimos. O rico e Lázaro (16,19-31) ensinam o juízo particular, o seio de Abraão, o inferno e o abismo que os separa: «entre nós e vós está firmado um grande abismo» (Lc 16,26). A promessa ao bom ladrão, «hoje serás comigo no paraíso» (Lc 23,43), mostra que o juízo vem logo depois da morte.
Versículos mais conhecidos do Evangelho de Lucas
- Lucas 1,35 e 1,37, a Anunciação: «O Espírito Santo descerá sôbre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá da sua sombra. E por isso mesmo o Santo, que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus» (Lc 1,35); e logo depois: «Porque a Deus nada é impossível» (Lc 1,37).
- Lucas 1,46-47 e 1,68, o Magnificat e o Benedictus: «A minha alma glorifica o Senhor. E o meu espírito se alegrou por extremo em Deus, meu Salvador» (Lc 1,46-47); «Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e fêz a redenção do seu povo» (Lc 1,68).
- Lucas 2,7 e 2,14, o Natal: «E deu à luz a seu filho primogênito, e o enfaixou e o reclinou em uma mangedoura: Porque não havia lugar para êles na estalagem» (Lc 2,7), e o canto dos anjos: «Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na terra aos homens de boa vontade» (Lc 2,14).
- Lucas 2,29-35, Simeão: «Agora é, Senhor, que tu despedes ao teu servo em paz, segundo a tua palavra» (Lc 2,29). A Maria ele anuncia: «será esta uma espada que traspassará a tua mesma alma» (Lc 2,35), a primeira das sete dores de Nossa Senhora.
- Lucas 6,36: «Sêde pois misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso» (Lc 6,36).
- Lucas 15, o filho pródigo: «Levantar-me-ei, e irei buscar a meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o Céu, e diante de ti» (Lc 15,18), e a palavra do pai: «êste meu filho era morto, e reviveu: Tinha-se perdido, e achou-se» (Lc 15,24).
- Lucas 23,34-46, as palavras da cruz: três das sete últimas palavras de Cristo só se encontram em Lucas: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34); a resposta ao bom ladrão, que pedira «Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino» (Lc 23,42); e «Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito» (Lc 23,46).
- Lucas 24, Emaús: «Fica em nossa companhia, porque é já tarde, e está o dia na sua declinação» (Lc 24,29); «Não é verdade que nós sentíamos abrasar-se-nos o coração, quando êle nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?» (Lc 24,32).
O Evangelho de Lucas no cânon e na liturgia
Lucas é o terceiro dos quatro Evangelhos em todas as Bíblias cristãs, e, com a sua continuação, os Atos dos Apóstolos, forma mais de um quarto do Novo Testamento. O Concílio de Trento (sessão IV, 1546) o enumera entre os quatro Evangelhos. Com São Mateus e São Marcos, forma os três Evangelhos sinóticos; o Evangelho segundo São João os completa. A Comissão Bíblica (1912) declarou inspirados e canônicos os relatos da infância e a passagem do anjo e do suor de sangue (Lc 22,43-44), que alguns manuscritos omitem.
No Breviário romano, os três cânticos de São Lucas são cantados todos os dias: o Benedictus nas Laudes, o Magnificat nas Vésperas e o Nunc dimittis nas Completas. Você pode rezá-los no Breviário do Iter Fidei.
O Missal de 1962 lê São Lucas nas duas primeiras Missas do Natal (2,1-14 e 2,15-20), na Circuncisão e no Santíssimo Nome de Jesus (2,21), no domingo dentro da oitava do Natal (2,33-40), na Sagrada Família (2,42-52), na Purificação, a 2 de fevereiro (2,22-32), na Anunciação (1,26-38), na Imaculada Conceição (1,26-28), na Visitação (1,39-47), na Assunção (1,41-50) e no Nascimento de São João Batista (1,57-68). No Tempo: o I domingo do Advento (21,25-33) e o IV (3,1-6), as Têmporas do Advento (o Missus est na quarta-feira), a Sexagésima (o semeador, 8,4-15), a Quinquagésima (18,31-43) e o III domingo da Quaresma (11,14-28); o filho pródigo no sábado da II semana da Quaresma; a segunda e a terça-feira da Páscoa (24,13-35 e 24,36-47).
Muitos domingos depois de Pentecostes são de Lucas: a grande ceia (II), a ovelha perdida (III), a pesca milagrosa (IV), o administrador infiel (VIII), o pranto sobre Jerusalém (IX), o fariseu e o publicano (X), o bom samaritano (XII), os dez leprosos (XIII), o filho da viúva de Naim (XV) e o hidrópico curado em dia de sábado (XVI). A Paixão segundo São Lucas é cantada na Quarta-feira Santa. A festa de São Lucas, a 18 de outubro, lê o envio dos setenta e dois (10,1-9). O Evangelho de cada dia, segundo o calendário tradicional, está na página do Evangelho do dia.
Como ler o Evangelho de Lucas
Com um capítulo por dia, bastam três semanas e meia. Leia devagar os dois primeiros capítulos, com o terço na mão, e guarde-os para o Advento e o Natal; leia o capítulo 15 antes de se confessar e os capítulos 22 e 23 na Semana Santa; depois siga para os Atos, porque Lucas concebeu os dois livros como uma única obra. Para comentário, a Exposição do Evangelho segundo Lucas de Santo Ambrósio e a Catena aurea de Santo Tomás de Aquino, que reúne os Padres versículo por versículo, são guias seguros. Toda a Bíblia pode ser lida também no aplicativo Bíblia católica, com o latim ao lado.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu o Evangelho de Lucas?
São Lucas evangelista, médico de origem pagã, natural de Antioquia e companheiro de São Paulo, que escreveu também os Atos dos Apóstolos. Dão testemunho disso Santo Ireneu, o Fragmento de Muratori, Tertuliano, Eusébio e São Jerônimo, e a Pontifícia Comissão Bíblica o recordou em 1912.
Quando foi escrito o Evangelho de Lucas?
Antes dos Atos dos Apóstolos, que terminam com a primeira prisão de São Paulo em Roma, por volta de 61-63. A Comissão Bíblica (1912) ensinou que foi escrito antes do fim dessa prisão e não depois da destruição de Jerusalém, no ano 70. Pelo cálculo tradicional, data de cerca do ano 60, ou pouco antes.
Quantos capítulos tem o Evangelho de Lucas?
Vinte e quatro capítulos e 1 151 versículos na Vulgata e em Figueiredo; o mais longo é o primeiro, com 80 versículos. A infância de Cristo ocupa os capítulos 1 e 2; a Paixão e a Ressurreição, os capítulos 22 a 24. Todos os capítulos estão na grade desta página.
Qual o propósito do Evangelho de Lucas?
Lucas o diz no prólogo: escreve a Teófilo «para que conheças a verdade daquelas coisas, em que tens sido instruído» (Lc 1,4). O livro mostra que Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, é o Salvador de todos os homens, que veio «buscar e salvar o que tinha perecido» (Lc 19,10). São Lucas insiste na misericórdia de Deus com os pecadores e os pobres, na oração, no Espírito Santo e na alegria da salvação.
Quais parábolas só aparecem no Evangelho de Lucas?
Só São Lucas conta os dois devedores, o bom samaritano, o amigo importuno, o rico insensato, a figueira estéril, a dracma perdida, o filho pródigo, o administrador infiel, o rico e Lázaro, os servos inúteis, o juiz iníquo e o fariseu e o publicano. Quase todas estão na grande seção da viagem para Jerusalém, nos capítulos 10 a 18.
Lucas era discípulo de Jesus?
Não foi um dos Doze e não conheceu o Senhor durante a vida pública. Foi discípulo dos Apóstolos, sobretudo de São Paulo, e recolheu o testemunho dos que viram tudo «desde o princípio» (Lc 1,2).
Qual é o símbolo de São Lucas?
O boi, um dos quatro seres viventes de Ezequiel e do Apocalipse. São Jerônimo o atribui a Lucas porque o seu Evangelho começa com o sacerdote Zacarias oferecendo o incenso no Templo, e o boi é o animal do sacrifício.
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