A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
Romanos 8: a vida no Espírito, «tôdas as coisas lhes contribuem para seu bem»
Romanos 8 é um dos cumes de toda a Escritura: nenhuma condenação para os que estão em Cristo, o Espírito que nos faz filhos e clama «Abba Pai», a criação que geme, o célebre versículo 28 e o hino final, «Se Deus é por nós, quem será contra nós?». Aqui está o capítulo inteiro, os seus 39 versículos, na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica o capítulo e o seu uso na liturgia de 1962.
1 Nihil ergo nunc damnationis est iis qui sunt in Christo Jesu : qui non secundum carnem ambulant.
1 Agora pois nenhuma condenação têm os que estão em Jesus Cristo: Os quais não andam segundo a carne.
2 Lex enim spiritus vitæ in Christo Jesu liberavit me a lege peccati et mortis.
2 Porque a Lei do espírito da vida em Jesus Cristo me livrou da lei do pecado, e da morte.
3 Nam quod impossibile erat legi, in quo infirmabatur per carnem : Deus Filium suum mittens in similitudinem carnis peccati et de peccato, damnavit peccatum in carne,
3 Porquanto o que era impossível à lei, em razão de que se achava debilitada pela carne: Enviando Deus a seu Filho em semelhança de carne de pecado, ainda do pecado condenou ao pecado na carne,
4 ut justificatio legis impleretur in nobis, qui non secundum carnem ambulamus, sed secundum spiritum.
4 para que a justificação da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o espírito.
5 Qui enim secundum carnem sunt, quæ carnis sunt, sapiunt : qui vero secundum spiritum sunt, quæ sunt spiritus, sentiunt.
5 Porque os que são segundo a carne, gostam das coisas que são da carne, mas os que são segundo o espírito, percebem as coisas que são do espírito.
6 Nam prudentia carnis, mors est : prudentia autem spiritus, vita et pax :
6 Ora, a prudência da carne é morte, mas a prudência do espírito é vida e paz.
7 quoniam sapientia carnis inimica est Deo : legi enim Dei non est subjecta, nec enim potest.
7 Porque a sabedoria da carne é inimiga de Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem tão pouco o pode ser.
8 Qui autem in carne sunt, Deo placere non possunt.
8 Os que vivem pois segundo a carne, não podem agradar a Deus.
9 Vos autem in carne non estis, sed in spiritu : si tamen Spiritus Dei habitat in vobis. Si quis autem Spiritum Christi non habet, hic non est ejus.
9 Vós porém não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se é que o espírito de Deus habita em vós. Mas se algum não tem o espírito de Cristo, êste tal não é dêle.
10 Si autem Christus in vobis est, corpus quidem mortuum est propter peccatum, spiritus vero vivit propter justificationem.
10 Porém se Cristo está em vós: O corpo verdadeiramente está morto pelo pecado, mas o espírito vive pela justificação.
11 Quod si Spiritus ejus, qui suscitavit Jesum a mortuis, habitat in vobis : qui suscitavit Jesum Christum a mortuis, vivificabit et mortalia corpora vestra, propter inhabitantem Spiritum ejus in vobis.
11 Porque se o Espírito daquele que ressuscitou dos mortos a Jesus, habita em vós: Aquêle que ressuscitou dos mortos a Jesus Cristo, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito, que habita em vós.
12 Ergo fratres, debitores sumus non carni, ut secundum carnem vivamus.
12 Portanto, irmãos, somos devedores não à carne, para que vivamos segundo a carne.
13 Si enim secundum carnem vixeritis, moriemini : si autem spiritu facta carnis mortificaveritis, vivetis.
13 Porque se vós viverdes segundo a carne, morrereis: Mas se vós pelo espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.
14 Quicumque enim Spiritu Dei aguntur, ii sunt filii Dei.
14 Certamente todos os que são levados pelo Espírito de Deus, êstes tais são filhos de Deus.
15 Non enim accepistis spiritum servitutis iterum in timore, sed accepistis spiritum adoptionis filiorum, in quo clamamus : Abba (Pater).
15 Na verdade vós não recebestes o espírito de escravidão, para estardes outra vez com temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, segundo o qual clamamos, dizendo: Abba Pai.
16 Ipse enim Spiritus testimonium reddit spiritui nostro quod sumus filii Dei.
16 Porque o mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
17 Si autem filii, et hæredes : hæredes, quidem Dei, cohæredes autem Christi : si tamen compatimur ut et conglorificemur.
17 E se somos filhos, também somos herdeiros: Herdeiros verdadeiramente de Deus, e co-herdeiros de Cristo: Se é que todavia nós padecemos com êle, para que sejamos também com êle glorificados.
18 Existimo enim quod non sunt condignæ passiones hujus temporis ad futuram gloriam, quæ revelabitur in nobis.
18 Porque eu tenho para mim que as penalidades da presente vida, não têm proporção alguma com a glória vindoura que se manifestará em nós.
19 Nam exspectatio creaturæ revelationem filiorum Dei exspectat.
19 Pelo que a expectação da criatura é esperar ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus.
20 Vanitati enim creatura subjecta est non volens, sed propter eum, qui subjecit eam in spe :
20 Porque a criatura está sujeita à vaidade, não por seu querer, mas pela daquele que a sujeitou com a esperança:
21 quia et ipsa creatura liberabitur a servitute corruptionis in libertatem gloriæ filiorum Dei.
21 Porque também a mesma criatura será livre da sujeição à corrupção, para participar da liberdade da glória dos filhos de Deus.
22 Scimus enim quod omnis creatura ingemiscit, et parturit usque adhuc.
22 Porque sabemos que tôdas as criaturas gemem, e estão com dores de parto até agora.
23 Non solum autem illa, sed et nos ipsi primitias spiritus habentes : et ipsi intra nos gemimus adoptionem filiorum Dei exspectantes, redemptionem corporis nostri.
23 E não só elas, mas também nós mesmos, que temos as primícias do espírito: Também nós gememos dentro de nós mesmos, esperando a adoção de filhos de Deus, a redenção do nosso corpo.
24 Spe enim salvi facti sumus. Spes autem, quæ videtur, non est spes : nam quod videt quis, quid sperat ?
24 Porque na esperança é que temos sido feitos salvos. Ora, a esperança que se vê, não é esperança: Porque o que qualquer vê, como o espera?
25 Si autem quod non videmus, speramus : per patientiam exspectamus.
25 E se o que não vemos, esperamos: Por paciência o esperamos.
26 Similiter autem et Spiritus adjuvat infirmitatem nostram : nam quid oremus, sicut oportet, nescimus : sed ipse Spiritus postulat pro nobis gemitibus inenarrabilibus.
26 E assim mesmo o Espírito ajuda também a nossa fraqueza: Porque não sabemos o que havemos de pedir, como convém: Mas o mesmo Espírito ora por nós com gemidos inexplicáveis.
27 Qui autem scrutatur corda, scit quid desideret Spiritus : quia secundum Deum postulat pro sanctis.
27 E aquêle que esquadrinha os corações, sabe o que deseja o espírito: Porque êle só pede segundo Deus pelos Santos.
28 Scimus autem quoniam diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum, iis qui secundum propositum vocati sunt sancti.
28 Ora nós sabemos que aos que amam a Deus, tôdas as coisas lhes contribuem para seu bem, àqueles que segundo o seu decreto são chamados Santos.
29 Nam quos præscivit, et prædestinavit conformes fieri imaginis Filii sui, ut sit ipse primogenitus in multis fratribus.
29 Porque os que êle conheceu na sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu filho, para que êle seja, o primogênito entre muitos irmãos.
30 Quos autem prædestinavit, hos et vocavit : et quos vocavit, hos et justificavit : quos autem justificavit, illos et glorificavit.
30 E aos que predestinou, a êstes também chamou: E aos que chamou, a êstes também justificou: E aos que justificou também os glorificou.
31 Quid ergo dicemus ad hæc ? si Deus pro nobis, quis contra nos ?
31 Pois que diremos à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
32 Qui etiam proprio Filio suo non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit illum : quomodo non etiam cum illo omnia nobis donavit ?
32 O que ainda a seu próprio Filho não perdoou, mas por nós todos o entregou: Como não nos deu também com êle tôdas as coisas?
33 Quis accusabit adversus electos Dei ? Deus qui justificat,
33 Quem formará acusação contra os escolhidos de Deus? sendo Deus o que os justifica.
34 quis est qui condemnet ? Christus Jesus, qui mortuus est, immo qui et resurrexit, qui est ad dexteram Dei, qui etiam interpellat pro nobis.
34 Quem é que os condenará? Jesus Cristo, que morreu, ou para melhor dizer que também ressuscitou, que está à mão direita de Deus, que também intercede por nós.
35 Quis ergo nos separabit a caritate Christi ? tribulatio ? an angustia ? an fames ? an nuditas ? an periculum ? an persecutio ? an gladius ?
35 Quem nos separará pois do amor de Cristo? será a tribulação? ou a angústia? ou a fome? ou a desnudez? ou o perigo? ou a perseguição? ou a espada?
36 (Sicut scriptum est : Quia propter te mortificamur tota die : æstimati sumus sicut oves occisionis.)
36 (Assim como está escrito: Porque por amor de ti somos entregues à morte cada dia: Somos reputados como ovelhas para o matadouro.)
37 Sed in his omnibus superamus propter eum qui dilexit nos.
37 Mas em tôdas estas coisas saímos vencedores por aquêle que nos amou.
38 Certus sum enim quia neque mors, neque vita, neque angeli, neque principatus, neque virtutes, neque instantia, neque futura, neque fortitudo,
38 Porque eu estou certo que nem a morte, nem a vida, nem os Anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a violência,
39 neque altitudo, neque profundum, neque creatura alia poterit nos separare a caritate Dei, quæ est in Christo Jesu Domino nostro.
39 nem a altura, nem a profundidade, nem outra criatura alguma nos poderá apartar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo Senhor nosso.
Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).
O contexto: depois do combate de Romanos 7
São Paulo escreveu a Carta aos Romanos em Corinto, por volta de 57-58. Nos capítulos 5 a 7 explicou como o pecado entrou no mundo por Adão e a graça por Cristo, como o batismo nos faz morrer ao pecado, e como a Lei, santa em si mesma, não dá a força de cumpri-la. O capítulo 7 termina num grito: quem me livrará deste corpo de morte? O capítulo 8 é a resposta. A palavra que domina já não é «lei» nem «pecado», mas Espírito, que volta umas vinte vezes. Para a carta inteira, veja a página da Carta aos Romanos.
O que diz Romanos 8? O capítulo passo a passo
Nenhuma condenação (v. 1-11). «Agora pois nenhuma condenação têm os que estão em Jesus Cristo: Os quais não andam segundo a carne» (v. 1). O que a Lei não podia fazer, Deus o fez enviando o seu Filho «em semelhança de carne de pecado» (v. 3): verdadeiro homem, mas sem pecado. Paulo opõe então duas maneiras de viver.
«Carne», aqui, não é o corpo, mas o homem fechado em si mesmo e entregue às suas paixões; «espírito» é o homem movido pelo Espírito de Deus. «Ora, a prudência da carne é morte, mas a prudência do espírito é vida e paz» (v. 6). E a promessa abrange o próprio corpo: aquele que ressuscitou Jesus «também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito, que habita em vós» (v. 11). É um dos fundamentos bíblicos da fé na ressurreição da carne.
Filhos de Deus (v. 12-17). «Porque se vós viverdes segundo a carne, morrereis: Mas se vós pelo espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis» (v. 13). O latim diz mortificaveritis: é a palavra de onde vem a mortificação cristã. Seguem os versículos da filiação: «todos os que são levados pelo Espírito de Deus, êstes tais são filhos de Deus» (v. 14); «recebestes o espírito de adoção de filhos, segundo o qual clamamos, dizendo: Abba Pai» (v. 15). Abba é a palavra aramaica com que uma criança chamava o pai, a mesma que Jesus usou no Getsêmani. «E se somos filhos, também somos herdeiros» (v. 17), com uma condição: «Se é que todavia nós padecemos com êle, para que sejamos também com êle glorificados».
A criação que geme (v. 18-25). O versículo 18 é muito procurado: «as penalidades da presente vida, não têm proporção alguma com a glória vindoura que se manifestará em nós» (v. 18). Paulo alarga o olhar a toda a criação, submetida à «vaidade» por causa do pecado do homem, mas «com a esperança» (v. 20): «tôdas as criaturas gemem, e estão com dores de parto até agora» (v. 22). As dores são de parto, não de agonia: anunciam um nascimento, a libertação «da sujeição à corrupção» (v. 21). Nós também gememos, «esperando a adoção de filhos de Deus, a redenção do nosso corpo» (v. 23). «Porque na esperança é que temos sido feitos salvos» (v. 24).
O Espírito reza em nós (v. 26-27). «Porque não sabemos o que havemos de pedir, como convém: Mas o mesmo Espírito ora por nós com gemidos inexplicáveis» (v. 26). É um dos versículos mais consoladores sobre a oração: quando não conseguimos rezar, o Espírito Santo reza em nós, e Deus, que «esquadrinha os corações» (v. 27), entende essa oração sem palavras. Veja também os dons do Espírito Santo.
O plano de Deus (v. 28-30). O versículo 28 e a predestinação, comentados abaixo.
O hino ao amor de Deus (v. 31-39). A conclusão, comentada mais abaixo.
Romanos 8,28: «tôdas as coisas lhes contribuem para seu bem»
«Ora nós sabemos que aos que amam a Deus, tôdas as coisas lhes contribuem para seu bem, àqueles que segundo o seu decreto são chamados Santos» (v. 28). Em latim, diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum. É um dos versículos mais procurados da Bíblia no Brasil, e com razão: diz que nada, na vida de quem ama a Deus, está fora do alcance da sua Providência.
O que significa? Não que tudo o que acontece seja bom em si mesmo: a doença, a injustiça, a morte de um filho não são bens. Mas Deus é capaz de fazer servir tudo, até o mal sofrido, ao bem último dos seus, que é a santidade e a salvação. O «bem» do versículo é o do versículo seguinte: ser «conformes à imagem de seu filho» (v. 29). O caminho pode passar pela cruz, como passou o de Cristo.
Para quem? «Aos que amam a Deus». A promessa não é uma lei automática, é a fidelidade de Deus para com os que lhe são fiéis. Por isso o versículo é ao mesmo tempo um consolo e um convite: quem quer que tudo concorra para o seu bem deve amar a Deus.
A predestinação (v. 29-30). «Porque os que êle conheceu na sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu filho» (v. 29); «E aos que predestinou, a êstes também chamou: E aos que chamou, a êstes também justificou: E aos que justificou também os glorificou» (v. 30). A Igreja crê na predestinação: a salvação vem inteiramente da iniciativa gratuita de Deus.
Mas o Concílio de Trento, na sessão VI (1547), ensina contra os reformadores que ninguém, sem uma revelação especial, pode saber com certeza absoluta que está entre os predestinados, e que a perseverança final é um dom que se pede; também condena a ideia de que Deus predestina alguém ao mal. Paulo não escreve para dar uma lista de eleitos, mas para dar confiança: Deus leva até o fim a obra que começou.
Romanos 8,31: «Se Deus é por nós, quem será contra nós?»
«Pois que diremos à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?» (v. 31). A prova é o dom do Filho: «O que ainda a seu próprio Filho não perdoou, mas por nós todos o entregou: Como não nos deu também com êle tôdas as coisas?» (v. 32). Quem deu o maior não negará o menor. Ninguém pode acusar os escolhidos, porque é Deus quem justifica; ninguém pode condená-los, porque Cristo, que morreu e ressuscitou, está «à mão direita de Deus, que também intercede por nós» (v. 34).
Romanos 8,35-39: nada nos separará do amor de Cristo
«Quem nos separará pois do amor de Cristo? será a tribulação? ou a angústia? ou a fome? ou a desnudez? ou o perigo? ou a perseguição? ou a espada?» (v. 35). A lista não é teórica: Paulo conheceu todas essas coisas. Ele cita o salmo 43 (44 nas Bíblias traduzidas do hebraico): «por amor de ti somos entregues à morte cada dia» (v. 36; cf. Sl 43,22). E responde: «Mas em tôdas estas coisas saímos vencedores por aquêle que nos amou» (v. 37).
O final é um dos textos mais fortes de todo o Novo Testamento: «Porque eu estou certo que nem a morte, nem a vida, nem os Anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a violência, nem a altura, nem a profundidade, nem outra criatura alguma nos poderá apartar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo Senhor nosso» (v. 38-39). Nenhuma força criada, visível ou invisível, pode separar de Deus aquele que permanece nele. Só o pecado, que é obra da nossa própria liberdade, separa; e mesmo esse se apaga pela penitência.
Esses versículos foram a força dos mártires. Por isso a Igreja os lê na festa de Santo Inácio de Antioquia, que foi lançado às feras em Roma.
Romanos 8 na liturgia de 1962
- Missa. A epístola do IV domingo depois de Pentecostes é Romanos 8,18-23, a criação que espera a revelação dos filhos de Deus; a do VIII domingo depois de Pentecostes é Romanos 8,12-17, o espírito de adoção. A festa de Santo Inácio de Antioquia, a 1º de fevereiro, tem por epístola Romanos 8,35-39.
- Breviário. No Comum de vários mártires, as três lições do primeiro noturno das Matinas são tiradas deste capítulo (8,12-19; 8,28-34; 8,35-39): a Igreja reza com as palavras de Paulo nas festas dos que não se deixaram separar do amor de Cristo. No Breviário do Iter Fidei você pode rezar o ofício do dia.
Perguntas Frequentes
O que significa Romanos 8,28?
Que Deus faz concorrer todas as coisas, até as provações, para o bem último dos que o amam, que é a sua santificação e salvação. Não quer dizer que tudo seja bom em si, mas que nada escapa à Providência de Deus para quem permanece no seu amor.
O que significa Romanos 8,18?
Que os sofrimentos desta vida não têm proporção com a glória que Deus prepara para os seus. Paulo não diminui a dor, mas a põe diante da eternidade.
O que significa «Abba Pai» (Romanos 8,15)?
Abba é a palavra aramaica com que um filho chamava o pai. O Espírito Santo, recebido no batismo, faz de nós filhos adotivos de Deus e nos dá a confiança de chamá-lo assim, como Jesus o chamava.
Romanos 8 ensina que estamos predestinados?
Ensina que a salvação vem da iniciativa gratuita de Deus, que conhece, chama, justifica e glorifica. A Igreja, no Concílio de Trento, acrescenta que ninguém pode ter certeza absoluta da própria predestinação sem revelação especial, que a perseverança é um dom a pedir e que Deus não predestina ninguém ao mal.
O que significa «Se Deus é por nós, quem será contra nós?»
Que, tendo Deus entregue o seu próprio Filho por nós, nenhum adversário pode vencer aquele que está com Deus. É um ato de confiança, não uma garantia de que não haverá provações.
Quando se lê Romanos 8 na Missa tradicional?
No IV domingo depois de Pentecostes (8,18-23), no VIII domingo depois de Pentecostes (8,12-17) e na festa de Santo Inácio de Antioquia, a 1º de fevereiro (8,35-39).
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