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Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios
A Primeira Epístola aos Coríntios é a carta em que São Paulo responde, ponto por ponto, às divisões e às perguntas de uma Igreja jovem: a sabedoria da cruz, o matrimônio e a virgindade, a Eucaristia, os dons do Espírito, o hino à caridade do capítulo 13 e a ressurreição dos mortos. Abaixo estão os 16 capítulos completos na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia apresenta a carta e as suas páginas mais conhecidas.
Ler I Epístola aos Coríntios: 16 capítulos
Nenhuma carta de São Paulo mostra melhor uma Igreja viva, com os seus fervores e as suas misérias. Os cristãos de Corinto brigam em torno dos seus pregadores, toleram um escândalo grave, processam-se uns aos outros nos tribunais pagãos, perguntam sobre o matrimônio, sobre as carnes oferecidas aos ídolos, sobre os dons espirituais e sobre a ressurreição. O Apóstolo responde a tudo, e cada resposta o leva mais alto: das facções à loucura da cruz, das ceias desordenadas à instituição da Eucaristia, da disputa dos carismas ao hino à caridade, das dúvidas sobre a ressurreição à vitória de Cristo sobre a morte. Desta carta vem talvez a página mais citada de todo o Novo Testamento: «Agora pois permanecem a Fé, a Esperança, a Caridade, estas três virtudes; porém, a maior delas é a Caridade» (1 Cor 13,13).
Quem escreveu 1 Coríntios?
A carta começa assim: «Paulo, chamado Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, e Sóstenes, nosso irmão» (1 Cor 1,1). Sóstenes está associado à saudação; muitas vezes é identificado com o chefe da sinagoga de Corinto citado nos Atos, «Sóstenes, cabeça da Sinagoga» (At 18,17), mas é só uma hipótese. O autor é Paulo, que assina de próprio punho: «Eu, Paulo, escrevi de meu próprio punho a seguinte saudação» (1 Cor 16,21). São Clemente de Roma, escrevendo à mesma Igreja por volta do ano 96, convida os coríntios a retomar a carta do bem-aventurado apóstolo Paulo e as suas censuras contra as facções; Santo Inácio de Antioquia e São Policarpo a citam. A autenticidade nunca foi seriamente contestada.
Quem eram os coríntios?
Corinto, destruída pelos romanos em 146 antes de Cristo, fora refundada por Júlio César como colônia romana no ano 44 antes de Cristo. Capital da província da Acaia, situada no istmo entre dois portos, era rica, cosmopolita e proverbial pela corrupção dos costumes. Ali se celebravam os jogos ístmicos, dos quais Paulo tira a imagem da corrida e do prêmio.
Paulo chegou à cidade na segunda viagem, por volta de 50-51, e ali ficou «um ano, e seis meses, ensinando entre êles a palavra de Deus» (At 18,11), hospedado por Áquila e Priscila. Uma inscrição encontrada em Delfos, que nomeia o procônsul Galião, irmão do filósofo Sêneca, permite datar essa estada com rara precisão. A Igreja que o Apóstolo fundou contava alguns judeus e muitos pagãos convertidos, sobretudo gente simples: «as coisas fracas do mundo escolheu Deus para confundir as fortes» (1 Cor 1,27). Depois dele veio Apolo, um judeu de Alexandria, «homem eloqüente, mui versado nas Escrituras» (At 18,24).
Quando foi escrita a Primeira Epístola aos Coríntios?
Paulo escreve de Éfeso, durante a terceira viagem, por volta de 55-57: «ficarei em Éfeso até à festa de Pentecostes» (1 Cor 16,8). Ele já tinha mandado uma carta, hoje perdida: «Por carta vos escrevi: Que não tivesseis comunicação com os fornicários» (1 Cor 5,9).
Por que São Paulo escreveu aos Coríntios?
Duas notícias o levam a escrever de novo. De um lado, a gente de Cloé lhe contou as divisões da comunidade: «se me tem significado pelos que são de Cloé, que há contendas entre vós» (1 Cor 1,11). De outro, os coríntios lhe mandaram uma carta com perguntas, levada provavelmente por Estéfanas, Fortunato e Acaico, que estão com ele em Éfeso (1 Cor 16,17). Por isso vários capítulos começam com uma fórmula de resposta: «Pelo que pertence porém às coisas, sôbre que me escrevestes» (1 Cor 7,1), e depois sobre as carnes sacrificadas aos ídolos (8,1), os dons espirituais (12,1) e as coletas (16,1).
Do que fala 1 Coríntios? Resumo
As divisões e a sabedoria da cruz (capítulos 1-4)
«cada um de vós diz: Eu na verdade sou de Paulo: E eu de Apolo: Pois eu de Cefas: E eu de Cristo» (1 Cor 1,12). A essas facções Paulo responde com uma pergunta, «Está dividido Cristo?», e com a cruz: «a palavra da cruz é na verdade uma estultícia para os que se perdem: Mas para os que se salvam, que somos nós, é ela a virtude de Deus» (1 Cor 1,18); «nós pregamos a Cristo crucificado: Que é um escândalo de fato para os judeus, e uma estultícia para os gentios» (1 Cor 1,23).
Entre eles não quis saber de nada «senão a Jesus Cristo, e êste crucificado» (1 Cor 2,2). A verdadeira sabedoria é revelada pelo Espírito, e aqui está 1 Coríntios 2,9: «o ôlho não viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais veio ao coração do homem, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam» (1 Cor 2,9), palavra que retoma Isaías 64.
Os pregadores são apenas servos: «Eu plantei, Apolo regou: Mas Deus é o que deu crescimento» (1 Cor 3,6). O único fundamento é Cristo: «ninguém pode pôr outro fundamento senão o que foi pôsto, que é Jesus Cristo» (1 Cor 3,11). A obra de cada um será provada pelo fogo no dia do Senhor, e os Apóstolos devem ser tidos «como uns ministros de Cristo: E como uns dispenseiros dos mistérios de Deus» (1 Cor 4,1). Paulo, que os gerou para a fé, fala como pai: «eu sou o que vos gerei em Jesus Cristo pelo Evangelho» (1 Cor 4,15).
Os escândalos: o incesto, os processos, a impureza (capítulos 5-6)
Um cristão vive com a mulher do pai; Paulo manda excluí-lo da comunidade, «a fim de que a sua alma seja salva no dia de nosso Senhor Jesus Cristo» (1 Cor 5,5), e lembra a nova Páscoa: «Cristo, que é nossa Páscoa, foi imolado» (1 Cor 5,7). Censura os processos levados aos juízes pagãos e recorda a dignidade do corpo batizado. É aqui que estão versículos muito procurados: «Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém» (1 Cor 6,12); e 1 Coríntios 6,18: «Fugi da fornicação.
Todo o outro pecado, qualquer que o homem cometer, é fora do corpo: Mas o que comete fornicação, peca contra o seu próprio corpo» (1 Cor 6,18). A razão vem logo: «os vossos membros são templo do Espírito Santo, que habita em vós» (1 Cor 6,19); «vós fostes comprados por um grande preço: Glorificai pois, e trazei a Deus no vosso corpo» (1 Cor 6,20).
1 Coríntios 7: o matrimônio e a virgindade
O capítulo 7 é o grande texto do Novo Testamento sobre os estados de vida. O matrimônio é bom e indissolúvel: «àqueles que estão unidos em matrimônio, mando, não eu, senão o Senhor, que a mulher se não separe do marido» (1 Cor 7,10). A virgindade consagrada é melhor, porque deixa o coração indiviso: «O que está sem mulher, está cuidadoso das coisas que são do Senhor, de como há de agradar a Deus» (1 Cor 7,32).
Daí a conclusão: «o que casa a sua filha donzela, faz bem: E o que a não casa, faz melhor» (1 Cor 7,38). O Concílio de Trento definiu que o estado de virgindade ou de celibato não é inferior ao matrimônio, mas lhe é preferível (sessão XXIV, 1563, cânon 10). O mesmo capítulo contém o chamado privilégio paulino (versículos 12-15) e permite às viúvas casar de novo, «Contanto que seja no Senhor» (7,39), lembrando que «a figura dêste mundo passa» (7,31).
As carnes sacrificadas aos ídolos e a liberdade cristã (capítulos 8-10)
Pode-se comer a carne sacrificada aos ídolos e depois vendida no mercado? Em si o ídolo não é nada; mas «A ciência envaidece, mas a caridade edifica» (1 Cor 8,1), e não se deve escandalizar o irmão fraco. No capítulo 9, Paulo dá o próprio exemplo: renunciou aos seus direitos de apóstolo, «Fiz-me tudo para todos, por salvar a todos» (1 Cor 9,22), e disciplina o corpo como um atleta: «castigo o meu corpo, e o reduzo à servidão: Para que não suceda que havendo pregado aos outros, venha eu mesmo a ser reprovado» (1 Cor 9,27).
O capítulo 10 relê o Êxodo como figura: os hebreus beberam da rocha, «E esta pedra era Cristo» (1 Cor 10,4). Vem então o versículo mais consolador sobre a tentação, 1 Coríntios 10,13: «Deus é fiel, o qual não permitirá que vós sejais tentados mais do que podem as vossas fôrças; antes fará que tireis ainda vantagem da mesma tentação, para o poderdes suportar» (1 Cor 10,13). Depois Paulo opõe a mesa dos demônios à mesa do Senhor: «Porventura o cálice da bênção, que nós benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? e o pão, que partimos, não é a participação do corpo do Senhor?» (1 Cor 10,16). E conclui: «Fazei tudo para glória de Deus» (1 Cor 10,31).
1 Coríntios 11: o véu e a Ceia do Senhor
Depois de algumas normas sobre o véu das mulheres na oração, «deve a mulher trazer o poder sôbre a sua cabeça por causa dos Anjos» (1 Cor 11,10), de onde vem o antigo costume do véu na igreja, Paulo repreende os coríntios, cujas refeições comuns acabam em desordem, e lhes lembra o que recebeu: «o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão» (1 Cor 11,23), «e dando graças, o partiu, e disse: Recebei, e comei: Êste é o meu corpo, que será entregue por amor de vós: Fazei isto em memória de mim» (1 Cor 11,24). É o relato escrito mais antigo da instituição da Eucaristia, anterior à redação dos Evangelhos; compare com Mateus 26.
A conclusão supõe a presença real: «todo aquêle que comer êste pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo, e do sangue do Senhor» (1 Cor 11,27); «Examine-se pois a si mesmo o homem: E assim coma dêste pão, e beba dêste cálice» (1 Cor 11,28). O Concílio de Trento (sessão XIII, capítulo 7) tira desse versículo a obrigação de se confessar antes de comungar quem tem consciência de um pecado mortal. A doutrina está no nosso artigo sobre a Eucaristia.
1 Coríntios 12-14: os dons do Espírito
«Há pois repartição de graças, mas um mesmo é o espírito» (1 Cor 12,4). O capítulo 12 enumera os carismas (sabedoria, ciência, fé, curas, milagres, profecia, discernimento dos espíritos, línguas) e os ordena à unidade do corpo: «assim como o corpo é um, e tem muitos membros […] Assim também Cristo» (1 Cor 12,12); «Vós outros pois sois corpo de Cristo, e membros uns dos outros» (1 Cor 12,27). E depois: «aspirai pois aos que são melhores. Mas eu ainda vou a mostrar-vos outro caminho mais excelente» (1 Cor 12,31). É o capítulo 13. O capítulo 14 prefere a profecia, que edifica a assembleia, ao falar em línguas, e conclui: «faça-se tudo com decência, e com ordem» (1 Cor 14,40).
1 Coríntios 15: a ressurreição dos mortos
Alguns coríntios negavam a ressurreição dos corpos. Paulo recorda primeiro o coração da fé recebida: «Que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. E que foi sepultado, e que ressurgiu ao terceiro dia segundo as mesmas Escrituras» (1 Cor 15,3-4), e enumera as testemunhas: Cefas, os Doze, mais de quinhentos irmãos de uma vez, Tiago, todos os Apóstolos, e ele por último, «como dum abôrto» (15,8).
«se Cristo não ressuscitou, é logo vã a nossa pregação, é também vã a vossa fé» (1 Cor 15,14). Mas Cristo ressuscitou, «as primícias dos que dormem» (15,20); «assim como em Adão morrem todos, assim também todos serão vivificados em Cristo» (1 Cor 15,22). No meio do argumento, Paulo cita um provérbio grego que muitos procuram, 1 Coríntios 15,33: «As ruins conversações corrompem os bons costumes» (1 Cor 15,33).
Como ressuscitarão os mortos? Com a imagem da semente que morre para germinar, Paulo descreve o corpo glorioso: «Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em vileza, ressuscitará em glória» (1 Cor 15,42-43). O capítulo termina com um desafio à morte, retomado de Oseias 13: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1 Cor 15,55); com uma ação de graças, «graças a Deus, que nos deu a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo» (1 Cor 15,57); e com a exortação de 15,58: «estai firmes, e constantes: Crescendo sempre na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor» (1 Cor 15,58).
A coleta e as saudações (capítulo 16)
Paulo organiza a coleta para os pobres de Jerusalém, a ser posta de parte «Ao primeiro dia da semana» (1 Cor 16,2), isto é, no domingo; anuncia a sua visita, recomenda Timóteo e resume tudo numa linha: «Tôdas as vossas obras sejam feitas em caridade» (1 Cor 16,14). Termina com a invocação aramaica Maran-Ata, o Senhor vem (1 Cor 16,22).
1 Coríntios 13: o hino à caridade
Este capítulo de treze versículos é uma das páginas mais altas da literatura cristã. A palavra da Vulgata é caritas, que Figueiredo traduz caridade: não um sentimento, mas o amor sobrenatural a Deus por si mesmo e ao próximo por amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo. As Bíblias modernas costumam traduzir “amor”, e muitos procuram o trecho com as palavras “o amor é paciente” ou “o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”; em Figueiredo: «A caridade é paciente, é benigna» e «Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre» (1 Cor 13,4-7). O texto avança em três tempos.
Sem a caridade nada vale (versículos 1-3): «Se eu falar as línguas dos homens, e dos Anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine» (1 Cor 13,1); nem a profecia, nem a fé que transporta montes, nem a esmola de todos os bens, nem o martírio: «se todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita» (1 Cor 13,3).
O retrato da caridade (versículos 4-7): «A caridade é paciente, é benigna, a caridade não é invejosa, não obra temerária, nem precipitadamente, não se ensoberbece. Não é ambiciosa, não busca os seus próprios interêsses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre» (1 Cor 13,4-7). Esse retrato é antes de tudo o de Cristo: pode-se pôr o seu nome no lugar da palavra «caridade», e cada traço continua verdadeiro.
A caridade não passa (versículos 8-13): «A caridade nunca jamais há de acabar» (1 Cor 13,8). As profecias, as línguas e a ciência são para o tempo do caminho; a caridade permanece na pátria. «Nós agora vemos a Deus como por um espelho em enigmas, mas então face a face» (1 Cor 13,12): a teologia católica lê aí a visão beatífica, que o papa Bento XII definiu em 1336 na constituição Benedictus Deus. A fé se tornará visão, a esperança, posse; só a caridade continuará a mesma, e por isso é a maior.
Santo Tomás de Aquino ensina que a caridade é a forma de todas as virtudes, porque as ordena todas a Deus (Suma teológica, II-II, q. 23, a. 8); veja o nosso artigo sobre as virtudes. E Santa Teresinha do Menino Jesus conta que, lendo os capítulos 12 e 13 desta carta, encontrou a sua vocação: ser o amor no coração da Igreja. No Missal de 1962, este capítulo é a epístola do domingo da Quinquagésima, às portas da Quaresma, como para lembrar que o jejum e a esmola nada valem sem a caridade; no Breviário, é lido nas Matinas da sexta-feira da semana depois do I domingo depois da Epifania. O capítulo tem o seu guia próprio, versículo por versículo.
Temas e leitura católica
A Igreja, corpo de Cristo. «nós todos somos um pão e um corpo, nós todos, que participamos dum mesmo pão» (1 Cor 10,17): a Eucaristia faz a unidade da Igreja. A mesma imagem volta na Epístola aos Romanos.
O purgatório. «Se a obra de alguém se queimar, padecerá êle detrimento, mas o tal será salvo: Se bem desta maneira como por intervenção do fogo» (1 Cor 3,15). Santo Agostinho e São Gregório Magno viram nesse versículo o fogo que purifica as almas depois da morte, e a tradição latina sempre o aproximou da doutrina do purgatório.
O sacerdócio e a graça. Os Apóstolos são «dispenseiros dos mistérios de Deus», e Paulo, o perseguidor feito apóstolo, sabe quanto deve à graça: «pela graça de Deus, sou o que sou, e a sua graça não tem sido vã em mim» (1 Cor 15,10). Ele não nega a cooperação do homem: «tenho trabalhado mais copiosamente que todos êles: Não eu contudo, mas a graça de Deus comigo».
A ressurreição da carne. O capítulo 15 é a fonte principal do artigo do Credo sobre a ressurreição dos corpos. No versículo 51 a Vulgata lê «Todos certamente ressuscitaremos, mas nem todos seremos mudados» (1 Cor 15,51), ao passo que o texto grego corrente diz antes que nem todos morrerão, mas todos serão transformados; São Jerônimo conhecia as duas lições, e o sentido da fé é o mesmo.
Versículos mais conhecidos de 1 Coríntios
- «Não sabeis vós que sois templo de Deus, e que o espírito de Deus mora em vós?» (1 Cor 3,16).
- «que tens tu que não recebesses?» (1 Cor 4,7).
- «ai de mim se eu não evangelizar» (1 Cor 9,16).
- «os que correm no Estádio, correm sim todos, mas um só é que leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis» (1 Cor 9,24).
- «Aquêle pois que crê estar em pé, veja não caia» (1 Cor 10,12).
- «Sêde meus imitadores, bem como eu também o sou de Cristo» (1 Cor 11,1).
- «se algum mal padece um membro, todos os membros padecem com êle» (1 Cor 12,26).
- «Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos» (1 Cor 16,13).
1 Coríntios no cânon e na liturgia
A carta tem dezesseis capítulos em todas as Bíblias e nunca foi contestada: os concílios de Hipona (393), de Cartago (397), de Florença e de Trento (sessão IV, 1546) a contam entre as catorze epístolas de São Paulo. Na Vulgata e em Figueiredo tem 437 versículos; o capítulo 15, sobre a ressurreição, é o mais longo, com 58. A continuação da correspondência está na Segunda Epístola aos Coríntios.
O Missal de 1962 lhe pede a epístola do IV domingo do Advento (4,1-5), da Septuagésima (9,24-10,5), da Quinquagésima (capítulo 13), do domingo da Páscoa (5,7-8), da Quinta-feira Santa (11,20-32) e de Corpus Christi (11,23-29), e também do IX, X, XI e XVIII domingo depois de Pentecostes (10,6-13; 12,2-11; 15,1-10; 1,4-8). Entre as festas dos santos, dá a epístola de São Tiago apóstolo, a 25 de julho (4,9-15), de São Bartolomeu, a 24 de agosto (12,27-31), e de uma Missa do Comum das Virgens (7,25-34). A 2 de novembro, a primeira Missa de Finados lê a vitória sobre a morte de 15,51-57.
No Breviário, a carta é lida nas Matinas na semana depois do I domingo depois da Epifania, logo depois da Epístola aos Romanos. O capítulo 11 dá também as lições do terceiro noturno das Matinas da Quinta-feira Santa, o ofício de Trevas, e as do primeiro noturno de Corpus Christi. O calendário litúrgico do Iter Fidei indica os domingos e as festas.
Como ler 1 Coríntios
Leia-a como uma correspondência: identifique em cada capítulo a pergunta feita, depois a resposta do Apóstolo, que parte sempre de Cristo. Leia o capítulo 11 antes de comungar, o capítulo 13 devagar, versículo por versículo, como exame de consciência, e o capítulo 15 no mês dos mortos. Deixe aberto o capítulo 18 dos Atos dos Apóstolos para situar a fundação da Igreja de Corinto. Para comentário, as quarenta e quatro homilias de São João Crisóstomo e o comentário de Santo Tomás de Aquino. A carta inteira também está no aplicativo Bíblia católica, com o latim ao lado.
Perguntas Frequentes
Quem escreveu 1 Coríntios?
São Paulo, que se nomeia no primeiro versículo com Sóstenes e assina a carta de próprio punho (1 Cor 16,21). São Clemente de Roma já a cita por volta do ano 96, escrevendo à mesma Igreja de Corinto.
Quando foi escrita a Primeira Epístola aos Coríntios?
Por volta de 55-57, em Éfeso, durante a terceira viagem missionária de São Paulo, antes de Pentecostes (1 Cor 16,8). Paulo tinha fundado a Igreja de Corinto alguns anos antes, na segunda viagem.
O que diz 1 Coríntios 13?
É o hino à caridade: sem o amor a Deus e ao próximo, os dons mais brilhantes, a fé que transporta montes e até o martírio não servem para nada. A caridade é paciente, benigna, humilde, e nunca acabará. Das três virtudes teologais é a maior, porque permanece na visão de Deus.
O que diz 1 Coríntios 10,13 sobre a tentação?
Que «Deus é fiel, o qual não permitirá que vós sejais tentados mais do que podem as vossas fôrças», e que com a tentação dará também o meio de vencê-la. Nenhuma tentação é, portanto, irresistível para quem reza e corresponde à graça.
O que significa 1 Coríntios 6,18?
«Fugi da fornicação»: Paulo manda fugir, não discutir, porque o pecado contra a castidade atinge o próprio corpo, que pelo batismo é templo do Espírito Santo e foi comprado pelo sangue de Cristo (6,19-20).
Quantas cartas São Paulo escreveu aos Coríntios?
A Bíblia contém duas, a primeira e a segunda. A primeira lembra, porém, um escrito anterior, hoje perdido (1 Cor 5,9), e a segunda fala de uma carta escrita «com muitas lágrimas» (2 Cor 2,4), que muitos julgam ser ainda outra. Só as duas conservadas fazem parte da Sagrada Escritura.
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