A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
Salmo 150: Laudate Dominum in sanctis ejus, o último louvor do Saltério
Laudate Dominum in sanctis ejus
O salmo 150, *Laudate Dominum in sanctis ejus*, é o último do Saltério: seis versículos em que volta sem cessar o «Louvai-o», até «Todo o espírito louve o Senhor». Abaixo está o texto completo na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica o salmo, a leitura dos Padres sobre os instrumentos e o seu lugar nas Laudes da liturgia de 1962.
1 Alleluja. Laudate Dominum in sanctis ejus ; laudate eum in firmamento virtutis ejus.
1 Aleluia. Louvai ao Senhor vós que estais no seu santuário: Louvai-o os que estais no firmamento da sua virtude.
2 Laudate eum in virtutibus ejus ; laudate eum secundum multitudinem magnitudinis ejus.
2 Louvai-o nas virtudes dêle: Louvai-o segundo a multidão da sua grandeza.
3 Laudate eum in sono tubæ ; laudate eum in psalterio et cithara.
3 Louvai-o ao som da trombeta: Louvai-o com saltério e cítara.
4 Laudate eum in tympano et choro ; laudate eum in chordis et organo.
4 Louvai-o com adufe e flauta: Louvai-o com cordas, e órgão.
5 Laudate eum in cymbalis benesonantibus ; laudate eum in cymbalis jubilationis.
5 Louvai-o com címbalos sonoros: Louvai-o com címbalos de júbilo:
6 Omnis spiritus laudet Dominum ! Alleluja.
6 Todo o espírito louve o Senhor. Aleluia.
Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).
Salmo 150: o número é o mesmo nas duas Bíblias?
Sim. Entre o salmo 10 e o salmo 147, a numeração da Vulgata (seguida pela liturgia e pela Bíblia Ave-Maria) e a do hebraico (seguida pela maior parte das Bíblias modernas) andam com um número de diferença, porque dividem e unem certos salmos de modo diverso. No fim do livro as duas voltam a coincidir: a Vulgata une os salmos 146 e 147 do hebraico, e a partir do 148 os números são iguais. O salmo 150 é o salmo 150 em todas as Bíblias, o último dos cento e cinquenta. A tabela completa está na página dos Salmos.
O que significa o salmo 150? Explicação
O salmo não pede nada, não narra nada, não ensina nada que não seja o louvor. Depois de cento e quarenta e nove salmos de súplica, de lamento, de história e de ação de graças, o Saltério termina num só verbo, repetido dez vezes: louvai. O salmo responde a quatro perguntas: onde, por quê, com quê e quem deve louvar a Deus.
Onde louvar (v. 1)
«Aleluia. Louvai ao Senhor vós que estais no seu santuário: Louvai-o os que estais no firmamento da sua virtude» (v. 1). O louvor começa no santuário da terra, o Templo, e sobe ao firmamento, o céu. O latim diz in sanctis ejus, “nos seus santos” ou “no seu lugar santo”; os Padres gostaram de ouvir as duas coisas: Deus é louvado no seu templo e nos seus santos, que são o seu verdadeiro templo.
Por que louvar (v. 2)
«Louvai-o nas virtudes dêle: Louvai-o segundo a multidão da sua grandeza» (v. 2). As “virtudes” de Deus são as suas obras de poder, a criação e a salvação; a sua grandeza não tem medida, e o louvor deve ser proporcional, isto é, sem fim.
Com que louvar (v. 3-5)
Vem então a orquestra inteira do Templo: «Louvai-o ao som da trombeta: Louvai-o com saltério e cítara» (v. 3); «Louvai-o com adufe e flauta: Louvai-o com cordas, e órgão» (v. 4); «Louvai-o com címbalos sonoros: Louvai-o com címbalos de júbilo» (v. 5). A trombeta dos sacerdotes, as cordas dos levitas, os tambores e as danças do povo: tudo o que sabe fazer som é chamado.
Quem louva (v. 6)
O salmo termina com uma frase que abraça toda a criação: «Todo o espírito louve o Senhor. Aleluia» (v. 6). O latim diz Omnis spiritus laudet Dominum: tudo o que respira, tudo o que tem vida. O Saltério, que começou com o homem bem-aventurado que medita a lei de Deus no salmo 1, termina com todo ser vivo louvando o Senhor.
Quem escreveu o salmo 150?
O salmo não traz título de autor: abre e fecha com «Aleluia», que quer dizer “louvai o Senhor”. A tradição o recebe, com todo o Saltério, como inspirado pelo Espírito Santo, sem lhe atribuir um autor humano certo. Muitos intérpretes veem nele a doxologia final do livro inteiro, como os salmos 40, 71, 88 e 105 da Vulgata fecham cada um dos livros menores do Saltério com uma bênção. Sobre a autoria dos salmos em geral, veja quem escreveu os Salmos.
A leitura dos Padres
Santo Agostinho termina com este salmo as suas Enarrationes in Psalmos, o comentário a todo o Saltério e uma das suas obras mais vastas. Vê no salmo 150 o termo de toda a vida cristã: quando os combates tiverem acabado, restará só o louvor, e esse louvor não acabará. O aleluia que cantamos agora é o aprendizado daquele do Céu, que São João ouve no Apocalipse: «Aleluia. Porque reinou o Senhor nosso Deus: O Todo-Poderoso» (Apocalipse 19, 6).
Os instrumentos receberam dos Padres uma leitura espiritual. Santo Agostinho vê neles os próprios santos e a variedade das suas virtudes: cada um dá um som próprio, como a trombeta e a cítara, mas todos se afinam num único louvor, como os címbalos, que só soam batendo um no outro. O verdadeiro instrumento de Deus é o homem inteiro, alma e corpo, afinado pela caridade. São Paulo não diz outra coisa quando pede aos cristãos que se ensinem e se admoestem «uns aos outros com Salmos, Hinos, e Cânticos espirituais, cantando com a graça do fundo dos vossos corações louvores a Deus» (Colossenses 3, 16).
O aleluia na liturgia
Na liturgia de 1962, o aleluia tem os seus tempos. Cala-se da Septuagésima até a Vigília Pascal, quando o celebrante o entoa três vezes, subindo o tom a cada vez; no tempo pascal, ao contrário, multiplica-se nas antífonas, nos responsórios e nos próprios da Missa. Santo Agostinho, num sermão do tempo pascal, chama-o o canto da pátria: aqui o cantamos como viajantes, para nos sustentar no caminho; lá o cantaremos em segurança. O salmo 150 é como a forma plena desse aleluia.
O salmo 150 na liturgia de 1962
Laudes de sábado. No Breviário Romano de 1962, que segue o saltério semanal de São Pio X (1911), o salmo 150 é o último salmo das Laudes de sábado, nos dois esquemas: nas Laudes I, com a antífona Omnis spiritus laudet Dominum, e nas Laudes II dos tempos de penitência, com Laudate Dominum secundum multitudinem magnitudinis ejus. A semana do Breviário termina assim como termina o Saltério, no louvor puro. Você pode rezar as Laudes no breviário.
Antes de 1911. No Breviário anterior à reforma de São Pio X, os três últimos salmos, 148, 149 e 150, eram cantados juntos todos os dias no fim das Laudes, sob uma só antífona. É deles, com os seus repetidos Laudate, que a Hora da aurora tirou o nome: Laudes, os louvores.
Ofício dos Defuntos. Nas Laudes dos mortos, o salmo 150 é o último, sob a antífona Omnis spiritus laudet Dominum. Até diante da morte, a Igreja termina no louvor: o fiel defunto é confiado àquele que todo ser vivo deve louvar.
Sábado Santo. No Ofício de Trevas, as Laudes do Sábado Santo terminam com este salmo, sob a antífona O vos omnes, qui transitis per viam, attendite et videte, si est dolor sicut dolor meus. O louvor final do Saltério é cantado junto ao sepulcro de Cristo, à espera da Ressurreição.
Como rezar o salmo 150
Quem procura “salmo 150 para que serve” encontra a resposta no próprio texto: ele serve para louvar a Deus, e só para isso. Não é uma fórmula de pedido nem um amuleto; atribuir a um salmo um efeito automático seria superstição, que o Catecismo (n. 2111) e o Catecismo Romano condenam ao explicar o primeiro mandamento.
- De manhã. É a sua hora litúrgica. Rezado ao acordar, ao lado das orações da manhã, põe o dia inteiro sob o louvor de Deus.
- Depois de uma graça recebida. Quando a oração foi atendida, o salmo 150 é a resposta mais simples: não pedir mais nada, louvar. Combina com o Te Deum, o hino de ação de graças da Igreja.
- No fim da oração dos salmos. Quem reza o Saltério inteiro, em dias ou semanas, termina por ele, como o próprio livro.
- Cantado. O salmo pede música. Pode ser cantado em gregoriano, em família ou em coro; o versículo 6 serve de refrão.
Conclui-se, como no Ofício, com o Gloria Patri.
Perguntas Frequentes
O salmo 150 tem o mesmo número na Bíblia católica e nas outras?
Sim. Do salmo 148 ao 150, a numeração da Vulgata, da Bíblia Ave-Maria e das Bíblias de numeração hebraica coincide. O salmo 150 é o último em todas.
Quem escreveu o salmo 150?
O título traz apenas «Aleluia», sem nome de autor. A Igreja o recebe como Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo; o seu autor humano é desconhecido.
O que significa “Todo o espírito louve o Senhor”?
É o último versículo do Saltério: «Todo o espírito louve o Senhor. Aleluia». O latim omnis spiritus quer dizer tudo o que respira, todo ser vivo. O livro dos Salmos termina chamando toda a criação a louvar a Deus.
Por que o salmo 150 fala de tantos instrumentos?
Ao pé da letra, convoca toda a música do Templo de Jerusalém: trombeta, saltério, cítara, adufe, flauta, cordas, órgão e címbalos. No sentido espiritual, Santo Agostinho vê neles os santos e as suas virtudes, que dão cada um um som próprio numa única harmonia.
Quando a Igreja reza o salmo 150?
No Breviário Romano de 1962, nas Laudes de sábado, como último salmo. Também encerra as Laudes do Ofício dos Defuntos e as do Sábado Santo. Antes de 1911 era cantado todos os dias nas Laudes.
Qual é a mensagem do salmo 150?
Que o fim de tudo é o louvor de Deus. Depois de todas as súplicas e lamentos do Saltério, não resta outra palavra senão «Louvai-o». É a antecipação do Céu, onde o louvor não terá fim.
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Acesso antecipado