A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
Salmo 67 (66 na Vulgata e na Ave-Maria): Deus misereatur nostri, Deus tenha piedade de nós e nos abençoe
Deus misereatur nostri
O salmo 67 das Bíblias modernas é o salmo 66 da Vulgata, o *Deus misereatur nostri, et benedicat nobis*: uma breve bênção que se abre a todos os povos, «Glorifiquem-te a ti, ó Deus, os povos». Abaixo está o texto completo da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica o significado, a bênção de Arão, a leitura dos Padres, o lugar do salmo nas Laudes e na Semana Santa segundo a liturgia de 1962 e a maneira de rezá-lo.
Procura o salmo 66 na numeração das Bíblias traduzidas do hebraico? Ele está aqui: Salmo 65.
1 In finem, in hymnis. Psalmus cantici David.
1 Para o fim, sôbre os hinos, Salmo de Cântico de Davi.
2 Deus misereatur nostri, et benedicat nobis ; illuminet vultum suum super nos, et misereatur nostri :
2 Deus tenha piedade de nós, e nos abençoe: Faça resplandecer seu rosto sôbre nós, e tenha piedade de nós.
3 ut cognoscamus in terra viam tuam, in omnibus gentibus salutare tuum.
3 Para que conheçamos na terra o teu caminho: Em tôdas as gentes a tua salvação.
4 Confiteantur tibi populi, Deus : confiteantur tibi populi omnes.
4 Glorifiquem-te a ti, ó Deus, os povos: glorifiquem-te os povos todos.
5 Lætentur et exsultent gentes, quoniam judicas populos in æquitate, et gentes in terra dirigis.
5 Alegrem-se e regozijem-se as gentes: Porquanto julgas os povos em eqüidade, e governas as gentes sôbre a terra.
6 Confiteantur tibi populi, Deus : confiteantur tibi populi omnes.
6 Glorifiquem-te a ti, ó Deus, os povos: Glorifiquem-te os povos todos:
7 Terra dedit fructum suum : benedicat nos Deus, Deus noster !
7 A terra deu o seu fruto. Abençoe-nos Deus, o nosso Deus,
8 Benedicat nos Deus, et metuant eum omnes fines terræ.
8 abençoe-nos Deus: E temam-no todos os limites da terra.
Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).
Salmo 67 ou salmo 66?
As Bíblias modernas o numeram 67, segundo o hebraico; a Vulgata, os Setenta, os Padres e o Breviário Romano o numeram 66, porque unem num só salmo os salmos 9 e 10. É o mesmo texto, que em latim começa com Deus misereatur nostri. Na Bíblia Ave-Maria, que segue a numeração da Vulgata, ele também é o 66. A tabela completa está na página dos Salmos.
Quem procura o «salmo 66» numa Bíblia moderna encontra outro texto, o Jubilate Deo, omnis terra, o salmo das obras de Deus, que é o salmo 65 da Vulgata: «Celebrai a Deus todos os da terra».
Uma palavra sobre os versículos. Figueiredo, como a Vulgata, conta o título como versículo 1: «Para o fim, sôbre os hinos, Salmo de Cântico de Davi» (v. 1). Nas Bíblias que não contam o título, como muitas Bíblias evangélicas, o primeiro versículo do texto, «Deus tenha piedade de nós», é o 67,1; aqui ele é o versículo 2. E o «salmo 67 7», o versículo da colheita, é o nosso versículo 7 nas Bíblias católicas e o 67,6 nas outras.
Salmo 67 explicação: o que significa?
Este pequeno salmo de oito versículos tem a forma de uma bênção litúrgica, emoldurada por um refrão. O título o põe «sôbre os hinos» e o atribui a Davi; a palavra hebraica que a Vulgata traduz in hymnis indica, segundo muitos, o acompanhamento de instrumentos de corda.
A bênção dos sacerdotes (v. 2)
O primeiro versículo retoma quase palavra por palavra a bênção que Deus confiou a Arão e a seus filhos: «O Senhor te mostre a sua face, e se compadeça de ti» (Números 6,25). O salmo a passa para o «nós»: «Deus tenha piedade de nós, e nos abençoe: Faça resplandecer seu rosto sôbre nós, e tenha piedade de nós» (v. 2). O rosto de Deus que resplandece é o seu favor, a sua presença benévola.
A finalidade da bênção (v. 3)
Israel não pede para ser abençoado só para si, mas «Para que conheçamos na terra o teu caminho: Em tôdas as gentes a tua salvação» (v. 3). A bênção do povo eleito é feita para se espalhar: é já o horizonte missionário da Igreja.
O refrão dos povos (v. 4-6)
Duas vezes volta o apelo: «Glorifiquem-te a ti, ó Deus, os povos: glorifiquem-te os povos todos» (v. 4). Entre os dois refrões, a razão da alegria das nações: «Porquanto julgas os povos em eqüidade, e governas as gentes sôbre a terra» (v. 5). O governo de Deus não é uma ameaça para os povos: é a sua felicidade.
A colheita (v. 7-8)
O salmo termina com uma constatação: «A terra deu o seu fruto» (v. 7). Pensou-se muitas vezes que fosse cantado na festa das colheitas. A bênção final se estende até os confins do mundo: «abençoe-nos Deus: E temam-no todos os limites da terra» (v. 8).
A leitura dos Padres e da tradição
Na bênção final, o nome de Deus volta três vezes: benedicat nos Deus, Deus noster, benedicat nos Deus. Vários comentadores antigos e medievais reconheceram aí um anúncio discreto da Trindade, como na tríplice bênção de Arão. É uma leitura espiritual que não tira nada do sentido literal; lembra que a bênção perfeita é a do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com a qual termina a Missa.
O versículo 7, «A terra deu o seu fruto», recebeu na tradição uma leitura cristológica: a terra é a humanidade, e o seu fruto mais alto é Cristo, nascido da Virgem. Santo Agostinho, nas Enarrationes in Psalmos, insiste sobretudo na universalidade do salmo: a salvação de Deus conhecida «Em tôdas as gentes» é a Igreja espalhada por toda a terra.
O velho Simeão, recebendo o Menino no Templo, canta o que o salmo pedia: o Salvador «O qual aparelhaste ante a face de todos os povos: Como lume para ser revelado aos gentios, e para glória do teu povo de Israel» (Lucas 2,31-32). E o Ressuscitado envia os Apóstolos: «Ide pois e ensinai tôdas as gentes» (Mateus 28,19).
O salmo tem irmãos: o salmo 117 das Bíblias modernas, Laudate Dominum, omnes gentes, o mais curto do Saltério, que lança o mesmo apelo, «Louvai tôdas as gentes ao Senhor», e o salmo 65, Te decet hymnus, que descreve a terra visitada por Deus e a sua colheita.
O salmo 66 na liturgia de 1962
Laudes de terça-feira. No saltério do Breviário Romano de 1962, o salmo 66 é cantado nas Laudes de terça-feira, tanto no esquema ordinário como no dos tempos de penitência, com as antífonas Illumina, Domine, vultum tuum super nos e Deus misereatur nostri, et benedicat nobis. Você pode rezá-lo nesse dia no breviário.
Outrora, todas as manhãs. Antes da reforma do saltério feita por São Pio X em 1911, o salmo tinha um lugar ainda maior: era dito todos os dias nas Laudes, unido ao salmo 62, Deus, Deus meus, ad te de luce vigilo, sob uma só antífona. A Regra de São Bento, por sua vez, manda começar as Laudes do domingo com o salmo 66, dito sem antífona. A Igreja unia assim, ao nascer do dia, a sede pessoal de Deus e a oração pela salvação de todas as nações.
A Semana Santa e a Cruz. No Missal de 1962, o versículo 2 é o versículo do salmo no intróito Nos autem gloriari oportet in cruce Domini nostri Jesu Christi, cantado na terça-feira santa, na Missa in Cena Domini da Quinta-feira Santa e na festa da Exaltação da Santa Cruz, a 14 de setembro. Na Sexta-feira Santa, durante a adoração da Cruz, o mesmo versículo acompanha a antífona Crucem tuam adoramus, Domine: o rosto de Deus que resplandece sobre nós é o do Crucificado.
As missões. A Missa votiva pela propagação da fé tira deste salmo o intróito (v. 2-3) e o gradual (v. 6-8). É o salmo missionário por excelência.
Como rezar o salmo 67
- Como uma bênção. Pode-se dizê-lo sobre a família, sobre os filhos, sobre uma casa, fazendo o sinal da cruz no versículo 8.
- Pelas missões. O versículo 3 é uma oração para que o Evangelho seja conhecido por todos os povos.
- Em ação de graças pelos bens da terra, com o versículo 7, no tempo da colheita ou à mesa, como oração de agradecimento.
- De manhã, depois do salmo 63 das Bíblias modernas, Deus, Deus meus, segundo o antigo uso das Laudes; acompanha bem as orações da manhã.
Muitos procuram este salmo como “salmo da prosperidade” por causa do versículo 7. Ele pede, sim, a bênção de Deus sobre o trabalho e a colheita, mas não é uma fórmula para atrair dinheiro: atribuir esse poder às palavras é superstição, que a Igreja condena (Catecismo, n. 2111). Conclua com o Glória ao Pai.
Perguntas Frequentes
O salmo 67 e o salmo 66 são o mesmo salmo?
Sim. É o mesmo salmo com duas numerações: 67 nas Bíblias que seguem o hebraico, 66 na Vulgata, nos livros litúrgicos tradicionais e na Bíblia Ave-Maria. Na tradução de Figueiredo começa com «Deus tenha piedade de nós, e nos abençoe».
Qual é o significado do salmo 67?
É uma oração de bênção: Israel pede a Deus que faça resplandecer o seu rosto sobre ele, para que todas as nações conheçam a sua salvação e o louvem. A bênção de um povo se torna assim a bênção do mundo.
Para que serve rezar o salmo 67?
A Igreja o canta nas Laudes de terça-feira e, por séculos, o cantou todas as manhãs; o Missal o põe na Semana Santa, na Exaltação da Cruz e na Missa pela propagação da fé. Um católico o reza para pedir a bênção de Deus sobre os seus, pelas missões e em ação de graças pelos bens recebidos.
O salmo 67 é o salmo da prosperidade?
O versículo 7, «A terra deu o seu fruto», celebra a bênção de Deus sobre a colheita, e é legítimo pedir com ele que Deus abençoe o trabalho. Mas o salmo não é um meio de atrair riqueza; a prosperidade que ele pede é a bênção de Deus, que se ordena à sua glória.
Por que o salmo 67 começa com um título musical?
O primeiro versículo é o título do salmo: na Vulgata, In finem, in hymnis. Psalmus cantici David. Ele mostra que o salmo nasceu como canto litúrgico, para ser cantado pela assembleia, provavelmente com instrumentos de corda.
Onde encontrar o salmo 67 em latim?
Nesta página, ao lado do português: é o salmo 66 da Vulgata, que começa Deus misereatur nostri, et benedicat nobis. É o texto que a Igreja cantou por séculos nas Laudes.
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