A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata
Salmo 43 (42 na Vulgata e na Ave-Maria): Judica me, Deus, o salmo do pé do altar
Judica me, Deus
O salmo 43 das Bíblias de numeração hebraica é o salmo 42 da Vulgata e da Ave-Maria, o *Judica me, Deus*, que o sacerdote reza ao pé do altar no início da Missa tradicional: «E entrarei ao Altar de Deus: O Deus que alegra a minha mocidade». Abaixo está o texto completo na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado, versículo por versículo; o guia explica o salmo, o seu uso na Missa e no Ofício de 1962 e o modo de rezá-lo.
Procura o salmo 42 na numeração das Bíblias traduzidas do hebraico? Ele está aqui: Salmo 41.
1 Psalmus David. Judica me, Deus, et discerne causam meam de gente non sancta : ab homine iniquo et doloso erue me.
1 Salmo de Davi. Julga-me, ó Deus, e separa a minha causa de uma gente não santa, livra-me do homem iníquo, e enganador.
2 Quia tu es, Deus, fortitudo mea : quare me repulisti ? et quare tristis incedo, dum affligit me inimicus ?
2 Porque és, ó Deus, a minha fortaleza: Por que me repeliste? E por que ando triste, quando me aflige o meu inimigo?
3 Emitte lucem tuam et veritatem tuam : ipsa me deduxerunt, et adduxerunt in montem sanctum tuum, et in tabernacula tua.
3 Envia a tua luz e a tua verdade: Estas me conduzirão, e me levarão ao teu santo monte, e aos teus Tabernáculos.
4 Et introibo ad altare Dei, ad Deum qui lætificat juventutem meam. Confitebor tibi in cithara, Deus, Deus meus.
4 E entrarei ao Altar de Deus: O Deus que alegra a minha mocidade. Ó Deus, Deus meu, eu te louvarei com a cítara:
5 Quare tristis es, anima mea ? et quare conturbas me ? Spera in Deo, quoniam adhuc confitebor illi, salutare vultus mei, et Deus meus.
5 Por que estás tu triste, alma minha? e por que me conturbas? Espera em Deus, porque ainda tenho de o louvar: Salvação do meu rosto, e Deus meu.
Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).
Salmo 43 ou salmo 42?
Este salmo é o 43 nas Bíblias que seguem a numeração hebraica e o 42 na Vulgata, na Septuaginta e na Bíblia Ave-Maria, que unem os salmos 9 e 10 do hebraico. É com o número 42 que o designa o Missal Romano, que no início da Missa indica simplesmente Psalmus 42. Os seus cinco versículos têm, nesta página, a numeração da Vulgata: o título curto, «Salmo de Davi», está no versículo 1.
Atenção: o salmo 42 das Bíblias de numeração hebraica é outro texto, embora muito ligado a este. É o Quemadmodum desiderat cervus, «Assim como o cervo suspira pelas fontes das águas: Assim a minha alma suspira por ti, ó Deus», isto é, o salmo 41 da Vulgata. E o salmo 43 da Vulgata e da Ave-Maria, Deus, auribus nostris audivimus, é o 44 das Bíblias modernas (salmo 43 da Vulgata). Todas as correspondências estão na página dos Salmos.
O que significa o salmo 43? Explicação
O salmo é breve e prolonga o anterior: retoma o seu lamento e o seu refrão. O exilado que no Quemadmodum suspirava por Deus pede agora para ser reconduzido ao altar. O refrão «Por que estás triste, alma minha? E por que me conturbas? Espera em Deus» volta três vezes nos dois salmos (salmo 41, 6 e 12); por isso muitos pensam que, na origem, formavam um só cântico. A Vulgata e a liturgia sempre os mantiveram distintos.
«Julga-me, ó Deus» (v. 1-2)
«Salmo de Davi. Julga-me, ó Deus, e separa a minha causa de uma gente não santa, livra-me do homem iníquo, e enganador» (v. 1). O Judica me não pede um juízo severo contra si mesmo: pede que Deus tome a defesa do seu servo e distinga a sua causa da dos ímpios. Segue a pergunta dolorosa do salmo anterior: «Porque és, ó Deus, a minha fortaleza: Por que me repeliste? E por que ando triste, quando me aflige o meu inimigo?» (v. 2).
A luz e a verdade (v. 3)
A resposta é um pedido: «Envia a tua luz e a tua verdade: Estas me conduzirão, e me levarão ao teu santo monte, e aos teus Tabernáculos» (v. 3). Santo Agostinho, nas Enarrationes in Psalmos, reconhece nessa luz e nessa verdade o próprio Cristo, que disse: «Eu sou a luz do mundo» (João 8, 12) e «Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida» (João 14, 6). Esses dois guias conduzem a alma ao monte santo, isto é, à Igreja e, no fim, ao Céu.
O altar de Deus (v. 4)
A meta é alcançada: «E entrarei ao Altar de Deus: O Deus que alegra a minha mocidade» (v. 4). As traduções feitas do hebraico falam do “Deus da minha alegria e do meu júbilo”; a Vulgata diz ad Deum qui lætificat juventutem meam. A tradição vê aqui a juventude que a graça renova, a que não envelhece: o sacerdote idoso a repete toda manhã com a mesma verdade do jovem.
O refrão da esperança (v. 5)
«Por que estás tu triste, alma minha? e por que me conturbas? Espera em Deus, porque ainda tenho de o louvar: Salvação do meu rosto, e Deus meu» (v. 5). A alma repreende a si mesma e manda-se esperar. A tristeza não é negada; é posta diante de Deus.
O Judica me ao pé do altar
É o lugar mais conhecido deste salmo. Na Missa tridentina, depois do sinal da cruz, o sacerdote diz a antífona Introibo ad altare Dei, e o ministro responde Ad Deum qui lætificat juventutem meam. Rezam então o salmo alternando os versículos, com o Gloria Patri, e repetem a antífona; segue-se o Adjutorium nostrum in nomine Domini e o Confiteor. O sacerdote vai subir ao altar: pede, com as palavras do salmo, para ser separado de «uma gente não santa» e conduzido pela luz e pela verdade de Deus até o Sacrifício. Essa preparação, nascida na Idade Média como oração do celebrante, foi fixada para toda a Igreja latina pelo Missal de São Pio V (1570).
Logo depois do Confiteor, o sacerdote ainda diz versículos de outro salmo, o salmo 85 (84 na Vulgata): Deus, tu conversus vivificabis nos e Ostende nobis, Domine, misericordiam tuam. E no ofertório, ao lavar as mãos, reza o salmo 26 (25 na Vulgata), o Lavabo: «Mas lavarei as minhas mãos entre os inocentes: E estarei, Senhor, ao redor do teu altar» (salmo 25, 6). Sobre a estrutura da Missa, veja o que é a Missa.
Quando se omite. O Missal de 1962 manda omitir o salmo, com o Gloria Patri e a repetição da antífona, nas Missas dos defuntos e nas Missas do Tempo desde o domingo da Paixão até o Sábado Santo exclusive. Nesses dias, ditos o sinal da cruz e o Introibo, passa-se logo ao Adjutorium. A alegria do salmo cede ao luto da Igreja.
O salmo 42 no resto da liturgia de 1962
Domingo da Paixão. Justamente quando o salmo desaparece do pé do altar, a Igreja faz dele o intróito do domingo da Paixão: Judica me, Deus, et discerne causam meam de gente non sancta: ab homine iniquo et doloso eripe me: quia tu es Deus meus et fortitudo mea, com o versículo 3, Emitte lucem tuam, como verso do salmo. Agora é Cristo quem fala, às vésperas da Paixão. Na terça-feira da semana da Paixão, o gradual retoma os versículos 1 e 3: Discerne causam meam, Domine.
Sexagésima. A comunhão do domingo da Sexagésima é o versículo 4: Introibo ad altare Dei, ad Deum qui lætificat juventutem meam.
O Ofício. No Breviário Romano de 1962, o salmo 42 é o segundo salmo das Laudes de terça-feira, no esquema ordinário, com a antífona Salutare vultus mei, Deus meus, e no dos tempos de penitência, com Discerne causam meam, Deus, de gente non sancta. Nas Matinas de Corpus Christi, abre o terceiro noturno com uma antífona que o torna oração eucarística: Introibo ad altare Dei: sumam Christum, qui renovat juventutem meam, entrarei ao altar de Deus, receberei o Cristo que renova a minha juventude. Veja a página sobre Corpus Christi e reze o Ofício no breviário.
Como rezar o salmo 43
Há quem procure “salmo 43 para que serve”. A Igreja responde com o uso que ela mesma faz dele: é a oração de quem se aproxima do altar. Não é uma fórmula que age por si; atribuir-lhe um efeito automático seria superstição, que o Catecismo (n. 2111) e o Catecismo Romano condenam ao explicar o primeiro mandamento.
- Antes da Missa. Reza-se no caminho da igreja ou de joelhos antes do início, para entrar com o sacerdote no Sacrifício; quem serve a Missa o responde versículo por versículo.
- Na injustiça. O versículo 1 entrega a Deus a própria causa em vez de defendê-la sozinho.
- Na dúvida. O versículo 3 é um pedido de luz para uma escolha ou para uma vocação.
- Na tristeza. O refrão do versículo 5 ensina a mandar a própria alma esperar. Reza-se bem depois do salmo 42 (41 na Vulgata), Quemadmodum, do qual é a continuação.
Conclui-se com o Gloria Patri, como ao pé do altar.
Perguntas Frequentes
Por que o salmo 43 também é chamado de salmo 42?
Porque a Vulgata e a Septuaginta, seguidas pela liturgia, pelo Missal e pela Bíblia Ave-Maria, unem num só os salmos 9 e 10 do hebraico. O Judica me, salmo 43 das Bíblias de numeração hebraica, é o salmo 42 da Vulgata.
O que significa “Introibo ad altare Dei”?
“Entrarei ao altar de Deus”: é o versículo 4 do salmo, que Figueiredo traduz «E entrarei ao Altar de Deus: O Deus que alegra a minha mocidade». O sacerdote o diz como antífona no início da Missa tradicional, antes de subir ao altar.
Por que o salmo 43 é rezado no início da Missa?
Porque é a oração de quem se aproxima do altar: pede a Deus que o separe do mal, que o guie com a sua luz e a sua verdade e o leve ao seu monte santo. O Missal de São Pio V fixou-o, com o Confiteor, nas orações ao pé do altar.
Quando se omite o Judica me na Missa?
Nas Missas dos defuntos e nas Missas do Tempo do domingo da Paixão até o Sábado Santo exclusive, segundo o Missal de 1962. Nesses dias o sacerdote passa do Introibo diretamente ao Adjutorium.
Quem escreveu o salmo 43?
O título da Vulgata o atribui a Davi: «Salmo de Davi». Como o salmo forma um conjunto com o anterior, atribuído aos filhos de Coré, a autoria humana é discutida; a Igreja o recebe como inspirado pelo Espírito Santo.
Os salmos 42 e 43 são o mesmo salmo?
Na numeração hebraica, os salmos 42 e 43 têm o mesmo refrão e provavelmente formaram, na origem, um só cântico. Na Vulgata e na liturgia são dois salmos distintos, o 41, Quemadmodum, e o 42, Judica me.
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