A Sagrada Bíblia · Figueiredo · Biblia Sacra Vulgata

Salmos 9 e 10 (9 na Vulgata e na Ave-Maria): Confitebor tibi, Domine, Deus refúgio do pobre

Os salmos 9 e 10 das Bíblias modernas formam na Vulgata um só salmo, o 9, *Confitebor tibi, Domine*: uma ação de graças pelo juízo de Deus, depois o lamento do pobre oprimido pelo ímpio. Abaixo está o texto completo na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, feita sobre a Vulgata, com o latim ao lado; o guia explica por que os dois salmos estão unidos, o significado das duas partes, a leitura dos Padres, o uso na liturgia de 1962 e o modo de rezá-los.

Idioma

1 In finem, pro occultis filii. Psalmus David.

1 Para o fim, pelos segredos do Filho, Salmo de Davi.

2 Confitebor tibi, Domine, in toto corde meo ; narrabo omnia mirabilia tua.

2 Eu te glorificarei, Senhor, com todo o meu coração, contarei tôdas as tuas maravilhas.

3 Lætabor et exsultabo in te ; psallam nomini tuo, Altissime.

3 Alegrar-me-ei, e regozijar-me-ei em ti: Cantarei o teu nome, ó Altíssimo.

4 In convertendo inimicum meum retrorsum ; infirmabuntur, et peribunt a facie tua.

4 Porque fizeste pôr em fugida ao meu inimigo: Serão debilitados, e perecerão diante de ti.

5 Quoniam fecisti judicium meum et causam meam ; sedisti super thronum, qui judicas justitiam.

5 Porque julgaste e defendeste a minha causa: Assentaste-te sôbre o trono tu que julgas segundo a justiça.

6 Increpasti gentes, et periit impius : nomen eorum delesti in æternum, et in sæculum sæculi.

6 Tu repreendeste as nações, e o ímpio pereceu: Apagaste o nome dêles para sempre, e por todos os séculos dos séculos.

7 Inimici defecerunt frameæ in finem, et civitates eorum destruxisti. Periit memoria eorum cum sonitu ;

7 As espadas do inimigo perderam a sua fôrça para sempre: E destruíste as suas cidades. A memória dêles pereceu com ruído:

8 et Dominus in æternum permanet. Paravit in judicio thronum suum,

8 E o Senhor permanece eternamente. Êle preparou o seu trono para exercer o juízo:

9 et ipse judicabit orbem terræ in æquitate : judicabit populos in justitia.

9 E êle mesmo julgará tôda a terra em eqüidade, êle julgará os povos em justiça.

10 Et factus est Dominus refugium pauperi ; adjutor in opportunitatibus, in tribulatione.

10 O Senhor se fêz o refúgio para o pobre: Socorrendo-o oportunamente na angústia.

11 Et sperent in te qui noverunt nomen tuum, quoniam non dereliquisti quærentes te, Domine.

11 Em ti pois esperem os que conhecem o teu nome: Porque tu, Senhor, não desamparaste aos que te buscam.

12 Psallite Domino qui habitat in Sion ; annuntiate inter gentes studia ejus :

12 Cantai ao Senhor, que habita em Sião: Anunciai entre as nações os seus conselhos:

13 quoniam requirens sanguinem eorum recordatus est ; non est oblitus clamorem pauperum.

13 Porque demandando o sangue dêles os teve presentes: Não se esqueceu do clamor dos pobres.

14 Miserere mei, Domine : vide humilitatem meam de inimicis meis,

14 Tem compaixão de mim, Senhor: Vê a humilhação a que meus inimigos me reduziram.

15 qui exaltas me de portis mortis, ut annuntiem omnes laudationes tuas in portis filiæ Sion :

15 Tu que me retiras das portas da morte, para que publique todos os teus louvores nas portas da filha de Sião.

16 exsultabo in salutari tuo. Infixæ sunt gentes in interitu quem fecerunt ; in laqueo isto quem absconderunt comprehensus est pes eorum.

16 Exultarei na tua salvação: Cravaram-se as gentes na ruína, que me haviam preparado. No mesmo laço que esconderam, ficou prêso o pé dêles.

17 Cognoscetur Dominus judicia faciens ; in operibus manuum suarum comprehensus est peccator.

17 Conhecido será o Senhor que faz justiça: Nas obras das suas mãos foi prêso o pecador.

18 Convertantur peccatores in infernum, omnes gentes quæ obliviscuntur Deum.

18 Sejam precipitados todos os pecadores no inferno, tôdas as nações que se esquecem de Deus.

19 Quoniam non in finem oblivio erit pauperis ; patientia pauperum non peribit in finem.

19 Porque nem para sempre haverá esquecimento do pobre: Nem a paciência dos pobres será para sempre frustrada.

20 Exsurge, Domine ; non confortetur homo : judicentur gentes in conspectu tuo.

20 Levanta-te, Senhor, não se fortifique o homem: Sejam julgadas as nações em tua presença.

21 Constitue, Domine, legislatorem super eos, ut sciant gentes quoniam homines sunt.

21 Senhor, estabelece sôbre êles um legislador: Para que as nações conheçam que são homens.

22 Ut quid, Domine, recessisti longe ; despicis in opportunitatibus, in tribulatione ?

22 Porque te apartaste, tu, Senhor, para longe, desamparas-nos nas necessidades, na tribulação?

23 Dum superbit impius, incenditur pauper : comprehenduntur in consiliis quibus cogitant.

23 Entretanto que o ímpio se ensoberbece, é abrasado o pobre: Êles são apanhados nos pensamentos de que o seu espírito está ocupado.

24 Quoniam laudatur peccator in desideriis animæ suæ, et iniquus benedicitur.

24 Porque o pecador tira louvor nos desejos da sua alma: E o iníquo é abençoado.

25 Exacerbavit Dominum peccator : secundum multitudinem iræ suæ, non quæret.

25 O pecador irritou ao Senhor, não o buscará segundo a grandeza da sua indignação.

26 Non est Deus in conspectu ejus ; inquinatæ sunt viæ illius in omni tempore. Auferuntur judicia tua a facie ejus ; omnium inimicorum suorum dominabitur.

26 Não há Deus diante dêle: Os seus caminhos são maculados em todos os tempos. Os teus juízos estão tirados de diante dêle: Êle dominará a todos os seus inimigos.

27 Dixit enim in corde suo : Non movebor a generatione in generationem, sine malo.

27 Porque êle disse no seu coração: Não serei abalado de geração em geração, sem mal.

28 Cujus maledictione os plenum est, et amaritudine, et dolo ; sub lingua ejus labor et dolor.

28 A sua bôca está cheia de maledicência, e de amargura e de dolo: Debaixo da sua língua está o trabalho e a dor.

29 Sedet in insidiis cum divitibus in occultis, ut interficiat innocentem.

29 Está de assento em emboscada com os ricos em lugares ocultos, para matar ao inocente.

30 Oculi ejus in pauperem respiciunt ; insidiatur in abscondito, quasi leo in spelunca sua. Insidiatur ut rapiat pauperem ; rapere pauperem dum attrahit eum.

30 Os seus olhos estão voltados contra o pobre: Arma ciladas em secreto, como o leão na sua cova. Arma ciladas para arrebatar ao pobre: Para arrebatar ao pobre atraindo-o a si.

31 In laqueo suo humiliabit eum ; inclinabit se, et cadet cum dominatus fuerit pauperum.

31 Êle o abaterá no seu laço, se inclinará, e se deixará cair, logo que se apoderar dos pobres.

32 Dixit enim in corde suo : Oblitus est Deus ; avertit faciem suam, ne videat in finem.

32 Porque êle disse no seu coração: Deus se esqueceu, apartou o seu rosto para não ver jamais.

33 Exsurge, Domine Deus, exaltetur manus tua ; ne obliviscaris pauperum.

33 Levanta-te, Senhor Deus, eleve-se a tua mão: Não te esqueças dos pobres.

34 Propter quid irritavit impius Deum ? dixit enim in corde suo : Non requiret.

34 Por que razão irritou o ímpio a Deus? Porque disse no seu coração: Êle não perguntará por isso.

35 Vides, quoniam tu laborem et dolorem consideras, ut tradas eos in manus tuas. Tibi derelictus est pauper ; orphano tu eris adjutor.

35 Tu o vês, porque tu consideras o trabalho e a dor: Para os entregares às tuas mãos. Para ti se reservou o cuidado do pobre: Tu serás o que ajudes o órfão.

36 Contere brachium peccatoris et maligni ; quæretur peccatum illius, et non invenietur.

36 Quebra o braço do pecador e do maligno: O seu pecado buscar-se-á, e não se achará.

37 Dominus regnabit in æternum, et in sæculum sæculi ; peribitis, gentes, de terra illius.

37 O Senhor reinará eternamente, e por séculos de séculos: Vós, ó Nações, sereis exterminadas da sua terra.

38 Desiderium pauperum exaudivit Dominus ; præparationem cordis eorum audivit auris tua :

38 O Senhor ouviu o desejo dos pobres: A tua orelha entendeu a disposição do seu coração.

39 judicare pupillo et humili, ut non apponat ultra magnificare se homo super terram.

39 Para julgares a favor do pupilo e do humilde, a fim de que o homem não empreenda mais engrandecer-se sôbre a terra.

Latim: Biblia Sacra Vulgata (1592). Português: A Sagrada Bíblia (Figueiredo) (1781-1784).

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